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MEMÓRIA E PESQUISA
Fundação Casa de Rui Barbosa preserva acervos e amplia acesso à memória cultural brasileira
Foto: Acervo Fundação Casa de Rui Barbosa
Uma casa tombada, milhares de livros e documentos, objetos, arquivos de escritores e um jardim histórico formam parte do patrimônio preservado pela Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), instituição pública federal vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).
Com sede no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, a Fundação atua na pesquisa, no ensino, na preservação de acervos e na produção e difusão de conhecimento.
Criada pela Lei nº 4.943, de 6 de abril de 1966, a FCRB tem entre suas atribuições promover o conhecimento sobre a vida e a produção intelectual de Rui Barbosa, preservar os bens relacionados a ele e manter, ampliar e disponibilizar para consulta pública os acervos museológicos, bibliográficos e arquivísticos sob sua guarda.
A atuação, no entanto, ultrapassa a preservação da memória de Rui Barbosa. Além de desenvolver pesquisas em áreas como história, direito, filologia, estudos ruianos e políticas culturais, a Fundação mantém coleções documentais e literárias relacionadas a diferentes personagens e períodos da cultura brasileira, desenvolve atividades de conservação e documentação e oferece acesso presencial e digital a parte de seus acervos.
Da residência ao espaço de memória
A história institucional começou antes da criação da Fundação. Em 1924, o Governo Federal foi autorizado a adquirir a residência de Rui Barbosa, além do mobiliário, da biblioteca, do arquivo e dos direitos relacionados à sua produção intelectual. Três anos depois, em 1927, foi criado o Museu Rui Barbosa.
A residência, onde Rui Barbosa viveu com a família entre 1895 e 1923, foi aberta ao público como museu em 13 de agosto de 1930. O espaço tornou-se o primeiro museu-casa público brasileiro. Em 1938, o imóvel foi tombado pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O conjunto preservado inclui a casa, suas coleções museológicas e o jardim histórico. Atualmente, o acervo relacionado diretamente a Rui Barbosa reúne cerca de 1.550 objetos, mais de 30 mil exemplares de sua biblioteca pessoal e aproximadamente 60 mil documentos produzidos ou recebidos por ele ao longo da vida.
A biblioteca particular foi formada ao longo de décadas e adquirida pelo Estado brasileiro em 1924. São cerca de 23 mil títulos distribuídos em aproximadamente 37 mil volumes, com publicações de diferentes áreas do conhecimento e presença expressiva de obras jurídicas, além de edições raras.
Literatura brasileira também integra os acervos
A preservação documental realizada pela Fundação se estende a outros conjuntos relacionados à história intelectual e cultural do país. Um deles é o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB), criado em 1972 e voltado à conservação e ao acesso à memória literária brasileira.
O AMLB reúne atualmente cerca de 130 arquivos privados de escritores, além de documentos avulsos e objetos relacionados à trajetória de autores brasileiros. Os materiais podem ser consultados mediante agendamento e parte das informações sobre os conjuntos está disponível em bases de dados mantidas pela instituição.
Entre os fundos e coleções preservados pela Fundação estão documentos relacionados a nomes como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes. A instituição também mantém arquivos históricos, coleções bibliográficas, periódicos literários dos séculos XIX e XX e um conjunto de literatura de cordel.
Além da Biblioteca Rui Barbosa, a FCRB disponibiliza a Biblioteca São Clemente e a Biblioteca Infantojuvenil Maria Mazzetti. Os acervos abrangem áreas como literatura brasileira, história do Brasil, direito, filologia e políticas culturais, além de coleções originadas de bibliotecas pessoais. A Biblioteca Maria Mazzetti é dedicada à literatura para crianças e jovens.
Pesquisa, formação e preservação
A pesquisa constitui outro eixo da atuação da Fundação. A instituição desenvolve estudos relacionados à obra e à trajetória de Rui Barbosa e a temas como história, direito, filologia, políticas culturais, memória, documentação e preservação. Os resultados são difundidos por meio de publicações, eventos acadêmicos, bases de dados e outros instrumentos de acesso ao conhecimento.
A FCRB mantém ainda o Programa de Pós-Graduação em Memória e Acervos (PPGMA), que oferece mestrado profissional gratuito reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A formação aborda, entre outros temas, gestão e preservação de espaços de memória, patrimônio documental, difusão, acesso e uso de acervos.
Também mantém programas de formação e incentivo à produção de conhecimento, como o Programa de Iniciação Científica (PIC), em parceria com o CNPq, e o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura (PIPC).
O trabalho de preservação envolve atividades especializadas de conservação de documentos, livros, objetos e demais bens culturais. O Centro de Memória e Informação da Fundação reúne áreas responsáveis pelo Museu Casa de Rui Barbosa, pelos arquivos históricos e institucionais, pelas bibliotecas e pelo Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, além de estruturas voltadas à preservação, microfilmagem e digitalização.
Acesso digital aos acervos
Parte do patrimônio preservado pela Fundação pode ser pesquisada pela internet. Entre as ferramentas disponíveis está o Repositório Rui Barbosa de Informações Culturais (RUBI), que reúne conteúdos dos acervos memoriais e institucionais, produção científica, publicações e documentos relacionados às diferentes áreas de atuação da FCRB.
A Fundação também disponibiliza bases específicas para pesquisa em bibliotecas, arquivos históricos, arquivos pessoais, iconografia e outros conjuntos documentais. Há ainda coleções digitalizadas, como partes da Biblioteca Rui Barbosa, da Biblioteca São Clemente e de arquivos históricos.
O arquivo pessoal de Rui Barbosa, formado por cerca de 60 mil documentos produzidos e recebidos entre 1849 e 1923, possui instrumentos de pesquisa que permitem localizar informações por temas, nomes e períodos. O conjunto reúne correspondências, documentos pessoais, produção intelectual, registros de sua atuação profissional, fotografias, mapas e outros materiais.
Visitação e consulta
O patrimônio preservado pela FCRB também pode ser conhecido presencialmente. O Museu Casa de Rui Barbosa, o jardim histórico e outras dependências abertas ao público estão localizados na Rua São Clemente, 134, em Botafogo, no Rio de Janeiro. O acesso aos diferentes espaços segue horários e condições específicos, que podem ser consultados nos canais oficiais da instituição.
Pesquisadores e demais interessados também podem solicitar consulta aos acervos bibliográficos, históricos e literários, conforme as orientações de cada setor. Parte dos documentos exige agendamento para consulta presencial, enquanto outros conteúdos já estão disponíveis em ambiente digital.
Ao articular museu, bibliotecas, arquivos, pesquisa, ensino e preservação, a Fundação Casa de Rui Barbosa mantém sob sua guarda diferentes registros da produção intelectual e cultural brasileira e disponibiliza esse patrimônio para consulta, estudo e visitação pública.
