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Preparação para Super El Niño mobiliza setor mineral para prevenir riscos climáticos
A integração entre empresas de mineração, órgãos técnicos e defesas civis municipais é um dos principais desafios para reduzir os riscos associados a eventos climáticos extremos. O tema foi discutido nesta quarta-feira (21), durante o encontro “Preparação e Gestão de Riscos na Mineração diante de eventos climáticos: Super El Niño e Períodos Chuvosos”, realizado na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte.
Um dos principais pontos debatidos foi a integração de dados entre os diferentes agentes envolvidos, especialmente empresas e órgãos de proteção e defesa civil. O compartilhamento de informações permite antecipar situações críticas e aprimorar a tomada de decisões para reduzir os impactos de chuvas intensas.
O diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Luiz Paniago, destacou a importância da atuação conjunta entre os órgãos públicos e os empreendedores para enfrentar possíveis ocorrências.
A preparação para o período de chuvas inclui vistorias em estruturas de mineração, com atenção aos extravasores e a outros dispositivos responsáveis pelo escoamento da água. Segundo Paniago, a Agência orienta os empreendedores, intensifica as inspeções antes dos períodos críticos e mantém equipes preparadas para atuar em campo diante de ocorrências.
“Se tiver uma situação de emergência, nossa equipe vai direto a campo, em um prazo de três horas após uma ocorrência registrada”, explicou o diretor.

A prevenção também exige a manutenção das inspeções regulares e a realização de novas verificações após chuvas intensas ou fora do padrão esperado. Entre os pontos de atenção estão sinais de erosão, alterações nos extravasores e problemas nas próprias estruturas.
O diretor Fábio Borges também ressaltou a importância da articulação entre instituições públicas e iniciativa privada para prevenir os impactos de eventos climáticos extremos.
“A tônica do evento tem sido a integração de dados entre todos os agentes envolvidos, em especial a Defesa Civil e as entidades privadas”, afirmou Borges.
A atuação preventiva e o diálogo entre os empreendedores e os órgãos reguladores também foram destacados por Roberto Gomes, diretor de Gestão de Barragens e Recuperação de Áreas de Mineração e Indústria da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) de Minas Gerais. Segundo ele, a antecipação de riscos depende da iniciativa dos responsáveis pelos empreendimentos e da abertura ao diálogo com as instituições de fiscalização e regulação.
“Esperamos proatividade e trabalho preventivo. Nesse cenário, os órgãos reguladores estão sempre abertos para auxiliar e ouvir as demandas”, destacou Gomes.
Previsões climáticas exigem monitoramento contínuo
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, fenômeno que altera a circulação atmosférica e pode influenciar os padrões de chuva em diferentes regiões do Brasil.
Em geral, o fenômeno está associado a condições mais chuvosas no Sul e à redução das precipitações em partes do Norte e do Nordeste. A intensidade e a distribuição desses efeitos, no entanto, variam de acordo com as condições climáticas de cada período.
Durante o encontro, a especialista em clima Renata Tedeschi abordou as projeções para os próximos meses e a possibilidade de um episódio de El Niño de forte intensidade. Ela ressaltou a importância de acompanhar as previsões em diferentes escalas de tempo, sem tratar os cenários climáticos como certezas para cada localidade.
“O Super El Niño se materializar é praticamente certeza. É o que os modelos têm mostrado, que no próximo trimestre ou no seguinte deve ser o pico dele. E nós sempre temos que pensar como as precipitações intensas impactam a mineração e a empresa”, explica a climatologista.
O monitoramento hidrológico também esteve entre os temas discutidos. A apresentação sobre previsão dos níveis dos rios mostrou como dados históricos, estações de monitoramento e modelos meteorológicos podem contribuir para antecipar situações de risco.
Os especialistas, porém, alertam que os volumes de chuva observados podem superar as previsões iniciais. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul foram citadas como exemplo da dificuldade de estimar com precisão a distribuição e a intensidade de eventos extremos.
Nesse contexto, o acompanhamento em tempo real das condições meteorológicas e dos níveis dos rios é fundamental para atualizar os cenários e orientar decisões operacionais.
Segurança das estruturas
O aumento do volume de água é uma das preocupações para a segurança de barragens de mineração e outras estruturas geotécnicas durante períodos de chuva intensa.
O superintendente interino de Barragens e Pilhas de Mineração, David Galo, destacou a necessidade de considerar os efeitos das precipitações sobre as estruturas e de manter medidas de segurança compatíveis com os riscos identificados.
O planejamento deve incluir a avaliação dos sistemas de drenagem, a capacidade dos dispositivos de escoamento, o monitoramento geotécnico e a preparação para condições operacionais adversas. A adoção de medidas preventivas busca reduzir a possibilidade de falhas e permitir a identificação antecipada de anomalias.
“Existem alguns dispositivos normativos, exigências que a ANM faz para as empresas justamente para evitar que esse tipo de situação aconteça. Então, a norma de barragens de mineração já prevê dispositivos com o objetivo de evitar esse tipo de acidente”, destacou.
Outro ponto central foi a integração entre os planos de emergência das empresas e os planos de contingência dos municípios, com destaque para o compartilhamento de dados e o apoio técnico às prefeituras. Também foram discutidos os desafios de comunicação em áreas vulneráveis, especialmente diante de falhas no fornecimento de energia e no sinal de telefonia.
A preparação envolve ainda treinamentos, revisão de protocolos, participação das comunidades e identificação de pessoas que precisam de apoio para deixar áreas de risco, com orientações adaptadas às características locais.
A programação do evento incluiu ainda debates sobre a operação de estruturas geotécnicas em condições de estresse, a comunicação e a gestão de crises e iniciativas de prevenção desenvolvidas pelo terceiro setor, pelo PROX e pelas empresas.
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Iris Vasconcellos Guimarães — ASCOM da Agência Nacional de Mineração |
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