Subprograma de Bactrocera carambolae
MOSCA-DA-CARAMBOLA (Bactrocera carambolae, Drew & Hancock)
A mosca-da-carambloa é classificada como uma praga quarentenária presente e constitui, na atualidade, um dos principais riscos à fruticultura nacional por ser uma espécie polífaga de difícil controle, que se alimenta de vários hospedeiros.

| Nome científico | Bactrocera carambolae |
| Nome comum | Mosca-da-carambola |
| Grupo | Inseto |
| Família | Tephritidae |
| Gênero | Bactrocera |
Fatores Epidemiológicos da Praga
Esta praga apresenta metamorfose completa, passando pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto. As fêmeas depositam seus ovos sob a casca dos frutos ainda verdes ou próximos à maturação. As larvas passam por três fases (ínstar), alimentando-se da polpa dos frutos. Elas deixam o fruto no final do terceiro ínstar, geralmente quando este já está caído no solo. A larva penetra no solo, onde se transforma em pupa permanecendo até a emergência do adulto. O ciclo de vida (ovo–adulto) pode variar de 22 a 28 dias. Uma fêmea pode produzir de 1.200 a 1.500 ovos ao longo de sua vida¹.Entre os principais hospedeiros destacam-se a carambola, a goiaba e a manga, mas também pode infestar outras frutíferas, mais de 40 atualmente. A lista completa de hospedeiros pode ser consultada na Instrução Normativa nº 38, de 1 de outubro de 2018.
A mosca-da-carambola desenvolve-se principalmente em regiões tropicais. A temperatura influencia diretamente seu ciclo biológico, sendo a faixa entre 25°C e 27°C considerada ideal para o desenvolvimento das fases imaturas. Temperaturas muito baixas retardam o desenvolvimento, enquanto temperaturas elevadas podem aumentar a mortalidade².
A Bactrocera carambolae desenvolve-se principalmente em regiões tropicais. A temperatura influencia diretamente seu ciclo biológico, sendo a faixa entre 25°C e 27°C considerada ideal para o desenvolvimento das fases imaturas. Temperaturas muito baixas retardam o desenvolvimento, enquanto temperaturas elevadas podem aumentar a mortalidade². A principal forma de disseminação a longas distâncias está associada ao trânsito de frutos infestados, que podem conter ovos ou larvas em desenvolvimento. O transporte desses frutos por comércio ou em bagagens favorece a introdução da praga em novas regiões. Embora a mosca-da-carambola também apresente dispersão natural pelo voo dos adultos, esse deslocamento ocorre em distâncias curtas e contribui apenas para a expansão local da população. Assim, a movimentação de frutos infestados é considerada o principal fator responsável pela disseminação da praga para novas áreas.
Sintomas e Danos da Praga
As larvas alimentam-se da polpa, formando galerias que causam apodrecimento e queda prematura, tornando os frutos impróprios para consumo e comercialização. Além das perdas diretas na produção, a presença da praga também gera impactos econômicos e sociais associados às restrições na comercialização. Os danos indiretos são causados pela imposição de barreiras fitossanitárias para a exportação da produção de frutos brasileiros, oriundos de áreas sob quarentena, locais com presença da praga e sob controle oficial.
Medidas de Prevenção e Controle
Com objetivo de erradicar a mosca-da-carambola em território nacional, foi criado o Subprograma de Bactrocera carambolae por meio da Instrução Normativa nº 24, de 08 de setembro de 2015, da Portaria MAPA nº 776, de 12 de março de 2025 e do Manual de Procedimentos para Bactrocera carambolae, que estabelecem diretrizes para as ações de monitoramento, controle e educação fitossanitária relacionadas à praga.
Distribuição Geográfica da Praga
Brasil
Atualmente, a Área Sob Quarentena do país abrange a totalidade territorial dos estados do Amapá e de Roraima, o município de Almeirim, no Pará, e os municípios de Itacoatiara, Manaus e Rio Preto da Eva, no Amazonas.
Nesses locais, além do monitoramento de aproximadamente 10.000 armadilhas do tipo Jackson e McPhail, com frequência quinzenal, são aplicadas ações de controle, tais como pulverizações com iscas tóxicas, técnica de aniquilamento de machos, coleta e destruição de frutos, trabalhos que vêm limitando o avanço da mosca-da-carambola, desde 1996, ano de entrada da praga no Brasil, no município de Oiapoque – Amapá. Já nas outras 23 UF, são realizados monitoramentos quinzenais em cerca de 1.000 armadilhas do tipo Jackson, que garantem o status de ausência da praga, requisito fundamental para manutenção das exportações de frutos frescos do Brasil.

Outros Países
Na América do Sul, além do Brasil, a espécie também ocorre em Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Na Ásia, há registros em Bangladesh, Brunei, Camboja, Timor-Leste, Índia (Ilhas Andaman e Nicobar), Indonésia, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia e Vietnã. Um mapa detalhado da distribuição mundial da praga pode ser consultado na base da European and Mediterranean Plant Protection Organization (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
No que se refere à regulação normativa, as últimas declarações oficiais do MAPA, em relação ao status fitossanitário da mosca-da-carambola no Brasil, foram:
- Instrução Normativa SDA/MAPA nº 38, de 1º de outubro de 2018, que estabelece a lista de Pragas Quarentenárias Presentes (PQP) para o Brasil.
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PORTARIA SDA/MAPA nº 1.569, de 13 de março de 2026, que declara as áreas erradicadas relativas à praga Bactrocera carambolae (mosca-da-carambola), no estado do Pará.
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Portaria SDA/MAPA n° 1.503, de 19 de dezembro de 2025, que declara os municípios de Itacoatiara, Manaus e Rio Preto da Eva, no Amazonas, como Área Sob Quarentena para a praga quarentenária presente Bactrocera carambolae (mosca-da-carambola) e estabelece uma parte do estado como Zona Tampão;
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Portaria MAPA n° 734, de 13 de novembro de 2024, que prorroga o estado de emergência fitossanitária relativo ao risco iminente de dispersão da praga quarentenária presente Bactrocera carambolae (mosca-da-carambola) nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima;
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Portaria MAPA nº 627, de 10 de novembro de 2023, que declara estado de emergência fitossanitária relativo ao risco iminente de dispersão da praga quarentenária presente Bactrocera carambolae (mosca-da-carambola) nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima;
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Portaria SDA/MAPA n° 859, de 19 de julho de 2023, que declara a zona tampão em parte do município de Presidente Figueiredo, localizado no estado do Amazonas;
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Portaria SDA/MAPA nº 780, de 06 de abril de 2023, que estabelece todo estado de Roraima como área sob quarentena;
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Resolução do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas (DSV/SDA/MAPA) n° 5, de 31 de outubro de 2018, que declara o estado do Amapá como área sob quarentena; e
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Instrução Normativa SDA/MAPA n° 2, de 19 de janeiro de 2018, que classifica as UF sem ocorrência como de alto, médio e baixo risco para a introdução da praga.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
¹ Comunicado EMBRAPA Amapá
² DANJUMA, S. et al. Effect of temperature on the development and survival of immature stages of the carambola fruit fly (Bactrocera carambolae). Journal of Insect Science, 2014.