Prevenção, Controle e Erradicação do Cancro Cítrico
CANCRO CÍTRICO (Xanthomonas citri subsp. citri)
O cancro cítrico é uma doença que ataca todas as espécies e variedades de citros (como laranja, limão e tangerina) de importância comercial, sendo considerada uma importante doença para citricultura nacional, pois pode comprometer a produção e a qualidade comercial dos frutos.

| Nome científico: | Xanthomonas citri subsp. citri |
| Nome comum: | Cancro cítrico |
| Grupo: | Bactéria |
| Família: | Lysobacteraceae |
| Gênero: | Xanthomonas |
Fatores Epidemiológicos da Praga
O cancro cítrico é uma doença bacteriana que ataca tecidos superficiais de folhas, frutos e ramos jovens da planta. A bactéria penetra na planta por meio de aberturas naturais (estômatos) ou por ferimentos, formando lesões que servem como fonte de disseminação.
A propagação da bactéria ocorre principalmente por respingos de água, vento e também pela ação humana, por meio do trânsito de mudas contaminadas, ferramentas, equipamentos, roupas e materiais de colheita.
Não há vetor biológico específico associado à doença, contudo, ferimentos provocados por fatores mecânicos ou por pragas, como o minador-dos-citros (Phyllocnistis citrella), facilitam a entrada da bactéria no tecido vegetal.
A incidência e a severidade do cancro cítrico são favorecidas por condições de alta umidade, presença de água livre nas superfícies vegetais, temperaturas elevadas e ventos associados a chuvas, que contribuem para a disseminação.
Sintomas e Danos da Praga
O cancro cítrico manifesta-se por lesões de aspectos corticoso (áspero), elevada e bem delimitada, podendo ocorrer em folhas, frutos e ramos. Inicialmente, surgem como pequenos pontos claros salientes que evoluem para manchas circulares a irregular, de coloração marrom a parda e, frequentemente, rodeadas por um halo amarelado. Nos frutos, as lesões permanecem restritas à casca, podendo apresentar rachaduras e aspecto verrugoso, o que compromete a aparência comercial. Em ramos, tornam-se mais escurecidas, duras e persistentes, podendo servir como fonte de inóculo por longos períodos.
Os principais danos causados pela praga incluem desfolha, queda prematura de frutos e redução da produtividade, podendo haver perdas significativas em situações mais severas. Além disso, os frutos afetados apresentam depreciação comercial, especialmente para consumo in natura, e podem ter sua comercialização restringida no comércio internacional.
Medidas de Prevenção
As principais medidas de prevenção do cancro cítrico baseiam-se na redução das fontes de inóculo e na prevenção da disseminação da bactéria, as quais são:
- Uso de mudas sadias, produzidas em viveiros protegidos, evitando a introdução da doença em novas áreas.
- Inspeção frequente dos pomares e eliminação de plantas ou partes infectadas, quando aplicável.
- Higienização de ferramentas, máquinas e equipamentos, bem como cuidados com roupas e materiais utilizados no campo, para evitar a disseminação mecânica.
- Controle do minador-dos-citros, que causa ferimentos e favorece a infecção.
- Implantação de quebra-ventos, reduzindo a ação de ventos e respingos de chuva que disseminam a bactéria.
- Evitar manejo em condições de chuva ou plantas molhadas, diminuindo o risco de infecção.
- Adoção de cultivares mais tolerantes.
Em conjunto, essas medidas visam impedir a entrada, reduzir a disseminação e minimizar os impactos da doença nos pomares cítricos.
Distribuição Geográfica da Praga
Brasil
Esta praga foi constatada pela primeira vez no Brasil em 1957, no município de Presidente Prudente, Estado de São Paulo. A praga foi posteriormente verificada nos Estados do Paraná (1958), Mato Grosso (1959), Rio Grande do Sul (1980), Santa Catarina (1985) e em Minas Gerais (1998). Na América do Sul a bactéria causadora do cancro cítrico também ocorre na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Atualmente, no Brasil, a praga ocorre oficialmente nos estados do Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

- Mapa distribuição da praga no Brasil
Outros Países
O Cancro Cítrico tem registros de ocorrências em países do continente Americano, Africano, Asiático, Europeu e Oceania. Um mapa detalhado da distribuição mundial do cancro cítrico pode ser consultado na base de dados global da EPPO, mantido pelo Secretariado da Organização Europeia e Mediterrânea para a Proteção de Plantas (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 38, de 1º de outubro de 2018, classifica a bactéria Xanthomonas citri subsp. citri como uma praga quarentenária presente.
A Instrução Normativa nº 21, de 25 de abril de 2018, instituiu em todo o território nacional os critérios e procedimentos para o estabelecimento e manutenção do status fitossanitário relativo ao Cancro Cítrico.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
Documentos 23 Embrapa Clima Temperado
Manual de cancro cítrico: medidas essenciais de controle. Franklin Behlau. 4. ed. atual. Araraquara: Fundecitrus, 2019.