Prevenção, Controle e Erradicação do Moko da Bananeira.
MOKO DA BANANEIRA (Ralstonia solanacearum raça 2)
O Moko da Bananeira é uma praga quarentenária presente, causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 (Ralstonia solanacearum), de alta importância econômica, devastadora nos plantios do gênero Musa spp. e Heliconia spp.
| Nome científico: | Ralstonia solanacearum raça 2 (Ralstonia solanacearum) |
| Nome comum: | Moko da bananeira |
| Grupo: | Bactéria |
| Família: | Burkholderiaceae |
| Gênero: | Ralstonia |
Fatores Epidemiológicos da Praga
O Moko é causado pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2, um patógeno vascular que coloniza o xilema das plantas, causando murcha sistêmica. A bactéria penetra principalmente por ferimentos e se multiplica rapidamente nos vasos condutores, obstruindo o fluxo de água. Pode sobreviver no solo, restos culturais e em hospedeiros alternativos por longos períodos, especialmente em condições úmidas e quentes. A praga é facilmente disseminada, principalmente, através de mudas infectadas e ferramentas contaminadas utilizadas nos tratos culturais. Pode haver transmissão entre as raízes de plantas doentes e sadias. Os insetos visitadores de inflorescência (abelhas, vespas, mosca-das-frutas, etc.) também podem transmitir a bactéria no pomar. Uma importante fonte de inóculo de disseminação através de insetos no pomar são as exsudações provocadas pelo corte de brotações novas, pseudocaule e coração de plantas infectadas. Destaca-se que a disseminação a longas distâncias está principalmente associada ao transporte de mudas contaminadas.¹
A doença é favorecida por clima tropical quente e úmido, com temperaturas entre 24 °C e 35 °C. Solos mal drenados e alta umidade aumentam a sobrevivência e disseminação da bactéria. Ferimentos causados por manejo, vento ou insetos favorecem a infecção.
Sintomas e danos
A presença de frutos amarelos em cachos verdes é um grande indicativo da doença moko. O corte dos frutos expõe sintomas de podridão seca, firme e de cor parda e no engaço também é observado escurecimento vascular. Pode-se observar na touceira as plantas jovens com sintomas de necrose. Para detectar a bactéria nos tecidos utiliza-se um copo transparente com água cristalina, no qual é colocado um pedaço da parte afetada (pseudocaule ou engaço). A presença da bactéria é confirmada quando um fluxo leitoso sai do tecido doente e segue em direção ao fundo do copo.
Causa danos severos à cultura, levando à murcha progressiva das plantas, amarelecimento e necrose das folhas, além do escurecimento dos vasos internos. Os frutos podem apresentar maturação irregular e apodrecimento, tornando-se impróprios para consumo e comercialização. Em infecções mais avançadas, ocorre a morte da planta, resultando em perdas totais na produção e redução significativa da vida útil do bananal.

Medidas de Prevenção e Controle
A detecção precoce e a erradicação imediata das plantas infectadas são fundamentais para o controle do moko da bananeira. Recomenda-se a eliminação não apenas das plantas doentes, mas também daquelas localizadas em um raio de até 5 m, como medida preventiva para conter a disseminação do patógeno. Após a erradicação, deve-se adotar o pousio da área por, no mínimo, dois anos. Somente após esse período é indicado retomar o cultivo da bananeira no local. Em áreas abandonadas em função da doença, recomenda-se a destruição de todas as musáceas por um período de 24 meses. Ressalta-se que, até o momento, não há variedades comerciais de bananeira comprovadamente resistentes ao Moko, o que reforça a importância das medidas preventivas e de manejo sanitário rigoroso.
Distribuição geográfica
No Brasil
Atualmente, no Brasil, o moko da bananeira encontra-se sob controle oficial, estando disseminado nos estados do Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, além da ocorrência de focos isolados nos estados de Alagoas e Sergipe, conforme apresentado no mapa a seguir.
No mundo 
A distribuição da praga no mundo poder ser consultada na base da European and Mediterranean Plant Protection Organization (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
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Instrução Normativa SDA/MAPA nº 38, de 1º de outubro de 2018, que estabelece a lista de Pragas Quarentenárias Presentes (PQP) para o Brasil.
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Instrução Normativa nº 17, de 27 de maio de 2009, regulamenta os critérios para reconhecimento e manutenção de Áreas Livres da Praga Ralstonia solanacearum raça 2 (ALP Moko da Bananeira), visando atender exigências quarentenárias de países importadores.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
¹SCHURT, D. A.; PELZER, G. Q.; BARBOSA, R. N. T.; SOUZA, G. R. de. Moko da bananeira: sintomas e medidas preventivas. Boa Vista, RR: Embrapa Roraima, 2020. (Embrapa Roraima. Folder, 30).
