Prevenção, Controle e Erradicação do Cancro Bacteriano da Videira.
CANCRO BACTERIANO DA VIDEIRA (Xanthomonas campestris pv. viticola)
O Cancro da Videira é uma doença grave causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. Viticola (Xanthomonas citri pv. viticola) e representa um dos maiores desafios fitossanitários para a viticultura nacional, especialmente em regiões produtoras de uvas de mesa, visto que causam sérios prejuízos econômicos devido à inutilização dos frutos para a comercialização.
| Nome científico: | Xanthomonas campestris pv. viticola (Xanthomonas citri pv. viticola) |
| Nome comum: | Cancro bacteriano da videira, bacteriose da videira ou necrose da videira. |
| Grupo: | Bactéria |
| Família: | Lysobacteraceae |
| Gênero: | Xanthomonas |
Fatores Epidemiológicos da Praga
A bactéria que causa a doença ataca a videira de forma agressiva, aproveitando-se principalmente de ferimentos na planta para penetrar em seus tecidos. Esses ferimentos podem ser causados por fenômenos naturais, como ventos fortes, ou por práticas culturais, como a poda, a desbrota e o raleio de bagas.
O clima quente e úmido, com temperaturas entre 28°C e 33°C, é o cenário ideal para o desenvolvimento do patógeno. Durante períodos secos, o patógeno pode permanecer latente nos cancros existentes dos ramos ou sobreviver na superfície de órgãos aéreos da planta. Com a chegada das chuvas, ocorre a exsudação de uma massa bacteriana ("pus bacteriano") a partir desses cancros, que é levada por respingos de água e vento para gerar novos focos de infecção no parreiral.
A disseminação da praga ocorre a longa distância pelo trânsito de material propagativo (mudas e porta-enxertos) contaminado, enquanto a propagação dentro da propriedade é favorecida por respingos de água de chuva ou irrigação por aspersão, ventos fortes e o uso de ferramentas de poda não higienizadas.
Sintomas e Danos da Praga
O Cancro Bacteriano da Videira se manifesta por manchas escuras e angulares nas folhas, evoluindo para necrose e o surgimento de fendas longitudinais (cancros) nos ramos e no engaço dos cachos, o que compromete a estrutura da planta e torna os frutos impróprios para o consumo e comercialização.
Nos ramos verdes, surgem manchas escuras irregulares que evoluem para cancros e fendilhamentos longitudinais à medida que o tecido amadurece. A doença também atinge as inflorescências e os cachos, provocando necrose e cancros no engaço (ráquis), que pode levar à murcha das bagas e à perda total da qualidade comercial do fruto.

A incidência do cancro bacteriano da videira causa sérios prejuízos econômicos e produtivos, sendo considerada a primeira bacteriose de importância expressiva para a viticultura no Brasil. Os principais prejuízos verificados são:
- Comprometimento da estrutura da planta: o ataque da bactéria compromete os ramos produtivos, o que exige a realização de podas consecutivas e, muitas vezes, severas para tentar controlar a dispersão do patógeno.
- Redução na produção: a doença causa uma diminuição direta na quantidade de frutos colhidos.
- Inutilização comercial dos frutos: plantas doentes produzem cachos com sintomas de necrose e cancros no engaço (ráquis), o que deprecia a qualidade e inutiliza os frutos para a comercialização. A severidade é ainda maior quando a infecção ocorre no início da frutificação.
- Altas taxas de incidência: em variedades sensíveis, como a “Red Globe” e outras variedades sem sementes, a incidência pode variar de 10% a 100% do parreiral, gerando prejuízos econômicos severos devido à redução da produção e à necessidade de podas drásticas.
Medidas de Prevenção
As medidas preventivas contra o Cancro Bacteriano da Videira fundamentam-se principalmente no uso de material propagativo de sanidade comprovada. No manejo do parreiral, recomenda-se a instalação de quebra-ventos, o uso de pedilúvios nos acessos e a realização de inspeções visuais frequentes para a detecção precoce de focos, comunicando imediatamente qualquer suspeita aos órgãos oficiais.
É muito importante evitar a irrigação por aspersão (sobrecopa) e a execução de tratos culturais, como poda e raleio, em períodos de chuva, além de garantir a desinfestação rigorosa de ferramentas e equipamentos entre o manuseio de cada planta.O produtor deve realizar inspeções visuais frequentes e comunicar imediatamente ao Órgão Estadual de Defesa Sanitária Vegetal qualquer suspeita da doença.
Distribuição Geográfica da Praga
Brasil
O Cancro Bacteriano da Videira foi detectado pela primeira vez no Brasil em 1998, no submédio do Vale do São Francisco. Atualmente a praga ocorre nos estados da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Roraima.

Outros Países
A doença possui registros de ocorrências em outros países dos continentes Americano, Asiático e Europa. Um mapa detalhado da distribuição mundial da praga pode ser consultado na base de dados global da EPPO, mantido pelo Secretariado da Organização Europeia e Mediterrânea para a Proteção de Plantas (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 38, de 1º de outubro de 2018, classifica a bactéria Xanthomonas campestris pv. viticola como uma praga quarentenária presente.
A Instrução Normativa MAPA nº 2, de 6 de fevereiro de 2014, estabelece as medidas a serem adotadas pelo produtor, importador, comerciante ou detentor de plantas e partes de plantas de espécies do gênero Vitis, para prevenção, controle e erradicação da praga Xanthomonas campestris pv. viticola.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
Embrapa Semi-Árido: Circular Técnica Nº 54 Cancro Bacteriano da Videira, causado por Xanthomonas campestris pv. viticola