Prevenção e Controle Amaranthus palmeri
CARURU-PALMERI (Amaranthus palmeri )
| Nome científico: | Amaranthus palmeri |
| Nome comum: | Caruru-palmeri ou caruru gigante |
| Grupo: | Planta daninha |
| Família: | Amaranthaceae |
| Gênero: | Amaranthus |
O Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) é uma planta daninha exótica com grande capacidade de produzir sementes e se estabelecer em novas áreas, o que representa uma grande ameaça à agricultura brasileira e ao meio ambiente. Embora existam no Brasil outros tipos de caruru comuns, esta espécie específica é nativa do México e do sul dos Estados Unidos e é considerada uma das plantas daninhas mais difíceis de serem controladas no mundo.
Fatores Epidemiológicos da Praga
O Caruru-palmeri é uma planta dióica, o que significa que possui plantas masculinas e femininas separadas, característica que favorece o cruzamento, a diversidade genética e a rápida adaptação a novos ambientes e resistências a herbicidas.
Essa planta daninha possui boa capacidade de adaptação ambiental, sendo capaz de germinar sob variadas condições de luz e temperatura durante todo o ano. A planta apresenta um crescimento acelerado, podendo ganhar de 2,5 a 6 cm de altura por dia e ultrapassar os 2 metros. Produz muitas sementes, em média de 100 a 250 mil, com relatos de até 1 milhão de sementes por planta durante o seu ciclo de vida.
A disseminação da praga ocorre tanto por meios naturais, como transporte por aves e mamíferos, ao consumirem suas sementes, quanto por atividades humanas, sendo o trânsito de máquinas agrícolas, especialmente colheitadeiras sujas, uma das principais vias de introdução em novas áreas. Devido ao tamanho minúsculo das sementes (1 a 2 mm), elas também são facilmente transportadas pela água de irrigação, pelo vento, embora não possuam estruturas específicas para isso, e pela movimentação de solo contaminado.
Características e Danos da Praga
As plantas de Caruru-palmeri podem ser encontradas associadas a vários cultivos agrícolas, com destaque para as culturas de grãos, como soja, milho e algodão, onde a competição por recursos pode causar perdas de produtividade superiores a 90%. Além das áreas de cultivo, a planta se estabelece facilmente em áreas marginais, como bordas de estradas, cercas, canais de irrigação e pastagens, que funcionam como focos de infestação para as lavouras.
A capacidade de produção massiva de sementes, somada à resistência a múltiplos herbicidas como o glifosato, cria um cenário de difícil controle que exige o monitoramento constante da área durante todo o ano, aumentando os custos de produção. As plantas arrancadas ou capinadas que permanecem no solo úmido têm a capacidade de emitir novas raízes e continuar produzindo sementes, o que dificulta ainda mais a sua erradicação.
Além da planta daninha ser capaz de desenvolver raízes profundas e caules extremamente grossos e fibrosos, que em áreas altamente infestadas podem prejudicar ou travar as colheitadeiras durante o trabalho de campo.

Medidas de Prevenção
Devido à enorme capacidade de produção de sementes, recomenda-se a política de controle total (tolerância zero), pois mesmo poucas plantas sobreviventes podem reinfestar massivamente a área no ciclo seguinte.
As principais medidas de prevenção do Caruru-palmeri em novas áreas e para conter sua disseminação onde já foi detectada, incluem:
- Realizar monitoramento da lavoura: monitorar constantemente as lavouras para a identificação precoce da planta e, em caso de suspeita ou detecção, notificar imediatamente o MAPA ou o Órgão Estadual de Defesa Sanitária Vegetal;
- Limpar as máquinas e equipamentos agrícolas: a limpeza criteriosa de máquinas e implementos, removendo todo o solo e resíduos vegetais antes da saída para outras áreas, é considerada a principal medida de prevenção e controle da praga.
- Controle de trânsito: o trânsito interestadual de solo proveniente de talhões com ocorrência da praga é terminantemente proibido. A saída de qualquer material vegetal da praga só é permitida para fins de pesquisa científica ou análise diagnóstica oficial, sob regras estritas de biossegurança e mediante autorização do OEDSV.
- Manejo das plantas e sementes: As plantas de Caruru-palmeri devem ser eliminadas antes do florescimento. Caso já estejam em florescimento, a praga deve ser arrancada manualmente, colocadas em sacos para evitar a queda de sementes e incineradas. Plantas arrancadas e deixadas no solo úmido podem emitir novas raízes e continuarem produzindo sementes.
- Planejamento da colheita: em propriedades com focos da praga, o produtor deve programar a colheita das áreas infestadas por último, realizando a limpeza completa da máquina logo em seguida.
- Práticas culturais: a rotação de culturas e de mecanismos de ação de herbicidas ajuda a prevenir a seleção de plantas resistentes. O uso de plantas de cobertura também é recomendado para suprimir a emergência do Caruru-palmeri ao criar barreiras físicas e reduzir a luz necessária para a germinação.
- Restrições à produção de sementes: Não é permitida a presença de sementes de Caruru-palmeri em qualquer lote de sementes comerciais, e propriedades com ocorrência da praga estão proibidas de produzir sementes.
Distribuição Geográfica da Praga
Brasil
O Caruru-palmeri foi constatado pela primeira vez no Brasil em 2015, em lavouras de algodão no estado de Mato Grosso. A suspeita de entrada da praga no País está associada à importação, da Argentina, de maquinário agrícola usado sem a devida limpeza e desinfestação.
Atualmente, a praga ocorre oficialmente nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
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Outros Países
O Caruru-palmeri tem registros de ocorrências em vários países dos continentes Americano, Africano, Asiático, Europeu e Oceania. Um mapa detalhado da distribuição mundial da praga pode ser consultado na base de dados global da EPPO, mantido pelo Secretariado da Organização Europeia e Mediterrânea para a Proteção de Plantas (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 38, de 1º de outubro de 2018, classifica o Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) como uma praga quarentenária presente.
E a Portaria SDA/MAPA nº 1.119, de 20 de maio de 2024, institui o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri, estabelecendo medidas fitossanitárias rigorosas para sua prevenção, detecção, delimitação e controle em todo o território nacional.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
Embrapa: Documentos 384 – Caracterização e manejo de Amaranthus palmeri

