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Pioneirismo nas alturas
Fornecer oportunidades iguais a todos os servidores não só fortalece a instituição, como também gera identificação dos colaboradores com o órgão. Foi assim que, aos 35 anos, Poliana Mendonça Albdelmur fez história: ela é a primeira mulher no cargo de operadora aerotática da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A imagem na tela revela uma jovem extrovertida, animada e cheia de energia. Todo esse vigor, com certeza, a ajudou a chegar onde está em uma atividade que requer, além de qualificação, muita disposição física e mental. Poliana, com certeza, conquistou uma marca importante na história das mulheres dentro da PRF.
Em missão, a operadora aerotática fica na porta do helicóptero, pronta para entrar em ação assim que necessário, seja para fiscalizar ou combater ao crime. A PRF Poliana também pode agir no resgate de vítimas, seja na água ou na terra. Nesses casos, a tarefa é puxar o corpo para a segurança da aeronave que irá levar a vítima à atenção médica em um tempo muito menor do que seria em uma ambulância comum, o que pode ser fator decisivo para a vida ou morte. Tudo isso feito durante um voo policial, que ocorre em condições sensivelmente diferentes do comercial. Embora o risco seja calculado – sempre prezando pela segurança da equipe –, nessas situações a equipe aérea atua em condições extremas, seja voando baixo ou pousando em áreas restritas.
Além do gosto pela adrenalina, emoção pela qual Poliana é apaixonada, e a capacidade de manter-se funcional e focada em situações de extrema pressão, outra característica que a faz competente para o cargo é o preparo e a consciência corporal. Para essas qualidades ela se prepara desde menina, quando aos nove anos começou a estudar ballet, prática física exigente, que ela ainda faz pelo menos duas vezes por semana. Nos outros dias, Poliana faz musculação e, quando sobra tempo, corre.
Filha de uma professora e de um funcionário público, fala com amor e gratidão do esforço dos pais para que ela e o irmão (que também é o melhor amigo), pudessem focar nos estudos, sem a necessidade de trabalhar ao mesmo tempo. Com esse apoio, Poliana saiu aos 17 anos de Minas Gerais – estado onde cresceu e do qual mantém o sotaque –, para cursar relações internacionais em Curitiba. Morando com o irmão, os dois se dedicavam ao preparo para fazer concurso público, incentivados pelo pai a ter uma carreira estável.
Foi durante esse período na capital paranaense que o caminho de Poliana começou a se cruzar com o da instituição na qual hoje ela é realizada profissionalmente. Um amigo – que ela guarda no coração e tem contato até hoje –, era funcionário da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e comentava sobre as vantagens de se trabalhar na instituição. A estudante, que até então nunca havia pensado em se tornar policial – acabou fazendo o concurso e em 2013 foi aprovada.
O trabalho na PRF começou em Rondônia, nas pistas. Na fronteira, teve a oportunidade de trabalhar com policiais experientes, que lhe ensinaram muito. Depois de dois anos em Rondônia, o próximo destino foi Brasília, mais perto da família, no setor de assessoria internacional. Mas foi na locação seguinte, em Santa Catarina, que a história dela com as alturas começou. Naquela época, ainda não sonhava em voar, estava em trabalho de logística. Foi quando recrutada para uma ação em Mafra, planalto norte catarinense, que ela se apaixonou pelas alturas.
Nessa operação tática de combate ao crime conheceu André, hoje companheiro dela, que já era operador aerotático. O interesse pela função então floresceu. Incentivada por ele, Poliana fez o treinamento que lhe levaria até um dos momentos mais emocionantes da carreira: tornar-se a primeira mulher operadora aerotática da Polícia Rodoviária Federal.
O brilho nos olhos quando fala desse feito é nítido. Não só pela realização pessoal, mas também porque ela espera que seja exemplo para outras mulheres tomarem espaço na PRF, e em todos os setores da sociedade. Como se isso não fosse o suficiente, Poliana quer alcançar voos cada vez mais altos, dessa vez como pilota. Junto com o marido está se dedicando a um processo seletivo para tal. Se passar, será outro marco. Enquanto isso não acontece, ela já faz história na PRF.