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Tecnologia, dados, regulação mineral e a transformação digital que reposiciona para o futuro
Nos bastidores da mineração brasileira, longe das escavadeiras e das frentes de lavra, outra engrenagem trabalha sem parar: a tecnologia. São linhas de código, bancos de dados e imagens de satélite que hoje ajudam o Estado a enxergar o território, fiscalizar a atividade mineral e transformar informação em decisão pública.
Na Agência Nacional de Mineração, essa transformação digital ganhou ritmo e escala nos últimos anos. Sistemas antes fragmentados passaram a conversar entre si, dados se tornaram públicos e painéis digitais permitem acompanhar, quase em tempo real, o que acontece no subsolo do país. À frente dessa mudança está Márcio Leal Gomes da Silva, Superintendente de Tecnologia da Informação da ANM, servidor de carreira e especialista em integrar tecnologia e política pública.
Nesta entrevista, ele mostra como a TI deixou de ser apenas área de apoio para se tornar peça-chave da regulação mineral, viabilizando fiscalização remota, uso de inteligência de dados e mais transparência. Um caminho decisivo para uma mineração mais moderna, responsável e conectada com os desafios do futuro.
Ascom ANM - A ANM vive um momento intenso de transformação digital. Na prática, quais foram os principais avanços recentes da área de Tecnologia da Informação que mais impactaram a gestão pública e a relação da Agência com a sociedade e o setor mineral?
Marcio Leal: Nos últimos anos, a Tecnologia da Informação deixou de ser apenas uma área de suporte para se tornar um elemento central da estratégia institucional da ANM. Avançamos de forma consistente na digitalização de processos, na integração de bases de dados e na ampliação da transparência, o que impacta diretamente a eficiência da gestão pública e a relação com o setor mineral e a sociedade.
Entre os principais avanços, destacam-se a consolidação de sistemas estruturantes, o fortalecimento da governança de dados, a adoção de painéis gerenciais e o próprio fortalecimento institucional da área de TI tornando-se uma Superintendência desde o ano de 2022.
Ascom ANM - Como a STI da ANM tem contribuído para iniciativas como os novos painéis sobre Guias de Utilização e o Portal da Mineração, que permitem o acompanhamento quase em tempo real da atividade mineral no país?
Marcio Leal: A Superintendência de Tecnologia da Informação tem atuado como facilitadora dessas iniciativas das áreas finalísticas, estruturando a arquitetura tecnológica necessária para transformar grandes volumes de dados operacionais em informações úteis, acessíveis e confiáveis.
Ascom ANM - O lançamento do novo portal da geoinformação, reunindo dados minerários em um ambiente único, representa um marco para o setor. Quais desafios técnicos e conceituais foram enfrentados e o que muda para gestores públicos, pesquisadores e cidadãos?
Marcio Leal: Um dos grandes desafios foi integrar dados geoespaciais produzidos ao longo dos anos, com diferentes padrões técnicos, tecnologias e níveis de qualidade. Além do desafio técnico, houve também um desafio conceitual importante: tratar a informação geográfica como um ativo estratégico do Estado, que deve ser interoperável, confiável e acessível.
Ascom ANM - A fiscalização da mineração entra na era do monitoramento remoto, com uso de imagens de satélite, drones e inteligência artificial. Que papel a Superintendência de TI desempenhou nessa virada tecnológica e quais ganhos concretos já podem ser observados?
Marcio Leal: Atuamos desde a definição da arquitetura de dados, integração de imagens e sistemas, até o suporte às áreas finalísticas na adoção de novas ferramentas e métodos de trabalho no papel fiscalizador.
Ascom ANM - Recentemente, uma ferramenta brasileira de inteligência de dados, criada pelo Superintendente de Arrecadação da ANM, revelou falhas bilionárias na arrecadação de royalties da mineração, recebendo reconhecimento nacional. Como a ANM tem incorporado soluções de ciência de dados para fortalecer a arrecadação, a fiscalização e a governança?
Marcio Leal: Esse caso é emblemático do potencial da ciência de dados aplicada à gestão pública. A STI tem trabalhado para criar um ambiente institucional que favoreça esse tipo de iniciativa, oferecendo infraestrutura, padrões tecnológicos e governança adequados para o uso intensivo de dados.
A incorporação de soluções analíticas avançadas tem permitido identificar inconsistências, priorizar ações fiscalizatórias, melhorar a arrecadação da CFEM e reforçar a governança institucional. Mais do que ferramentas, estamos consolidando uma cultura orientada a dados, essencial para uma agência reguladora moderna.
Ascom ANM - Do ponto de vista institucional, como a tecnologia tem contribuído para transformar a cultura organizacional da ANM e a cultura do próprio setor mineral?
Marcio Leal: A tecnologia tem sido um vetor de mudança cultural. Internamente, ela estimula colaboração, inovação, transparência e foco em resultados. Os servidores passam a trabalhar de forma mais integrada, com maior acesso à informação e apoio à tomada de decisão.
Externamente, o setor mineral percebe uma ANM mais previsível, aberta ao diálogo e comprometida com dados públicos de qualidade. Isso contribui para uma cultura regulatória baseada em confiança, responsabilidade e cumprimento das regras.
Ascom ANM - A prorrogação do Plano Diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação até junho de 2026 indica uma estratégia de médio prazo. Quais são as prioridades desse plano e como ele dialoga com os valores institucionais da ANM, especialmente o valor da inovação?
Marcio Leal: O PDTIC estabelece prioridades claras: fortalecimento da governança de TI, segurança da informação, integração de sistemas, modernização da infraestrutura digital e incentivo à inovação. Tudo isso alinhado às necessidades finalísticas da Agência.
O plano dialoga diretamente com os valores da ANM ao tratar a inovação como meio para melhorar a entrega de valor público, garantindo eficiência, transparência, integridade e foco no interesse coletivo. Vamos lançar ainda nesse semestre o PDTIC 2026-2028, onde tivemos a preocupação de ouvir tanto nosso público interno quanto externo para melhoria contínua de nossos serviços digitais.
Ascom ANM - Pensando em temas estratégicos para o futuro da mineração, de que forma a infraestrutura digital da ANM está preparada para lidar com cadeias produtivas cada vez mais complexas e sensíveis?
Marcio Leal: A ANM vai buscar investimentos em uma infraestrutura digital escalável, interoperável e segura, capaz de lidar com cadeias produtivas complexas, dados sensíveis e demandas crescentes por transparência e controle. Isso inclui ambientes integrados de dados, soluções analíticas avançadas e atenção permanente à segurança cibernética e à proteção da informação. A ideia é garantir que a Agência acompanhe a evolução do setor mineral, inclusive em temas estratégicos como minerais críticos e transição energética.
Ascom ANM - Para encerrar, olhando para o futuro: qual é a visão da Superintendência de Tecnologia da Informação para a ANM nos próximos anos e qual mensagem o senhor deixaria para o setor e para a sociedade sobre o papel da inovação na construção de uma mineração mais responsável, transparente e sustentável?
Marcio Leal: A visão da STI é consolidar a ANM como uma agência reguladora digital, orientada por dados, com processos modernos e foco permanente no interesse público. A tecnologia continuará sendo um instrumento para ampliar a capacidade regulatória, fortalecer a transparência e apoiar decisões cada vez mais complexas relacionadas ao setor.
A mensagem para o setor e para a sociedade é que a inovação não é um fim em si mesma, mas um meio essencial para promover uma mineração mais responsável, segura, transparente e alinhada ao desenvolvimento sustentável do país. Nos últimos anos, a ANM passou a posicionar a tecnologia de forma estratégica em seu organograma e seguirá investindo na área como elemento indissociável do cumprimento de sua missão institucional.

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Márcio Leal Gomes da Silva é graduado em Tecnologia da Informação e pós-graduado em Redes de Computadores e em Administração Pública. Servidor de carreira da Agência Nacional de Mineração (ANM) desde 2010, ocupa o cargo de Especialista em Recursos Minerais, com sólida experiência em gestão de Tecnologia da Informação e liderança de equipes técnicas. Antes disso, atuou como Analista de Suporte na Empresa de Processamento de Dados do Estado do Pará – PRODEPA (2004–2010), sendo um dos responsáveis pelo gerenciamento da infraestrutura de rede que atende diversos órgãos do governo estadual. Sua trajetória profissional alia experiência prática em tecnologia à formação acadêmica consistente, contribuindo para uma gestão eficiente da área de TI na ANM e para o alinhamento estratégico das unidades organizacionais com os objetivos institucionais. |
| Marize Torres Magalhães — ASCOM da Agência Nacional de Mineração |