Gestão Inclusiva
Inclusão e inovação: o papel da gestão transformadora
A construção de práticas eficazes de inclusão e inovação passa por dois momentos essenciais: primeiro, o desenvolvimento de uma consciência crítica para abordar sensivelmente as demandas sociais. Segundo, a mobilização desse entendimento em condutas transformadoras em relação às estruturas reprodutoras de desigualdades. Essa consciência crítica é alimentada pela sensibilidade aos marcadores sociais da diferença e à interculturalidade. O olhar interseccional é crucial, pois a abertura à participação de pessoas étnica e culturalmente diferentes potencializa a criação e o impacto das ações. A relevância prática desta temática é clara: a falta de representação em espaços de decisão e liderança impacta diretamente a efetividade das políticas públicas e a igualdade. No serviço público, a diferença salarial entre homens brancos e mulheres negras (pretas e pardas) chega a ser de 94%, evidenciando desigualdades estruturais que demandam ação institucional.
Sem metas, comprometimento e responsabilização, as desigualdades persistem na própria máquina estatal. Portanto, espera-se que a liderança demonstre em sua prática a busca por quebra de padrões que reproduzem vieses discriminatórios, a capacidade de escuta e a geração de estratégias embasadas nas demandas de grupos sub-representados, e o uso de dados desagregados para gerar consciência sobre as barreiras existentes. O papel central da liderança é reconhecer as estruturas que reforçam as desigualdades e garantir a mitigação delas no contexto de trabalho.