Notícias
ÉTICA EM MOVIMENTO
Ética em Movimento debate desafios de agir com correção em tempos de ruído
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), por meio da Secretaria-Executiva da Comissão de Ética, promoveu na manhã desta terça-feira (28/4) o evento Ética em Movimento: Ética como prática diária em tempos de ruído, projeto que tem por objetivo fomentar uma cultura ética transversal, sensível e conectada com os desafios contemporâneos da sociedade, por meio de conversas significativas com convidados especiais. A inciativa contou com a participação da filósofa, professora e escritora Lúcia Helena Galvão; do procurador-federal Davi Valdetaro Gomes Cavalieri; e da secretária-executiva da Comissão de Ética, Roberta Patrícia Marinho Braga, com transmissão pelo canal do MGI no YouTube.
A professora Lúcia Helena iniciou a respondendo ao questionamento sobre o desafio de ter um comportamento ético em uma sociedade acelerada e com muitos ruídos. A filósofa disse que o mundo atual desenvolveu muitos meios, mas “perdeu-se” em muitos fins. “Temos meios de comunicação extremamente ágeis, mas já não sabemos muito bem o que dizer. Nossa comunicação se esvazia cada vez mais, cada vez mais é menos significativa. Temos muitos meios de transportes, mas não sabemos aonde queremos chegar. Temos uma sociedade imediatista, que identifica felicidade com conforto em todos os planos, mas não consegue o mais importante dos confortos, que é o conforto psicológico”, destacou.
Além disso, Lúcia Helena também abordou criticamente o predomínio de valores materiais, destacando a busca desmedida para o alcance de reconhecimento e validação social, como o excesso de exposição que pode despertar inveja e cobiça. A filósofa destacou ainda que, embora influenciadores possam reunir um grande número de seguidores, isso não se traduz, necessariamente, em amizades concretas.
Como tomar decisões com calma num ambiente de estresse
Lúcia Helena definiu a pressa como a busca por chegar a algum lugar que nunca é o aqui, o agora. “Isso provoca um esvaziamento do momento presente e uma ansiedade constante. Mas quando alcançamos esse ponto no futuro, perecemos que ele não era tão importante assim. Na verdade, todas as etapas da nossa vida possuem importância”, lembrou.
A escritora cita a filosofia tibetana, segundo a qual quando o homem não aceita a aprender mais nada na vida, ele escolheu morrer. “Não há sentido na vida se não há possibilidade de aprendizado. Presentes vazios levam a futuros vazios. Pensamos pequeno no tempo e no espaço”, argumentou.
Sobre tomada de decisões, ela adverte que o importante é ter em mente onde se quer chegar, antes de se apressar, “é preciso saber onde está o Norte, onde está o Oriente.”
Autoconhecimento
Para Lúcia Helena, definir a si mesmo é um dos maiores desafios da filosofia e do ser humano em geral. “Geralmente, as pessoas se definem a partir de suas profissões. Mas isso é o que você está fazendo no momento. Muitas pessoas mudam de profissão ao longo da vida. A mesma lógica vale para quem se define a partir de onde mora, de características físicas, ou mesmo de uma opinião, já que acaba se congelando a opinião para manter a identidade na defesa do ponto de vista”, disse.
Com relação aos tempos de polarização e pouca disposição para ouvir, a professora cita Platão para dizer que somos feitos de luz e sombra e ouvir o próximo contribui para o saber do colega.
Ética como prêmio
Lúcia Helena abordou o fato de o ser humano precisar de um estímulo ou punição para ter determinado comportamento. Citou, como exemplo, o fato de uma criança só poder brincar ou ver desenho se comer determinada verdura ou legume. “O comportamento ético deveria vir pelo prazer de agir certo e assim se encontrar consigo, se reconhecer pelo correto”, afirmou. Por fim, a escritora sugeriu que a falta de ética independe de grau de escolaridade ou status social.
Confira na íntegra o evento Ética em Movimento: Ética como prática diária em tempos de ruído.