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Transformar dados em conhecimento estruturado é desafio do setor mineral
“Ao transformar dados em conhecimento estruturado, a ANM contribui para o planejamento do estado, a segurança regulatória, a atração de investimentos e o aumento da competitividade da mineração brasileira.” Para a superintendente de Economia Mineral e Geoinformação, Inara Barbosa, esse é o principal valor do conhecimento gerado a partir dos dados do setor mineral.
Para ela, a gestão estratégica dessas informações ganha ainda mais relevância em um momento em que o Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário internacional, especialmente diante da crescente demanda por minerais essenciais para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.
Esses e outros temas são abordados na entrevista especial sobre gestão de dados da mineração, na qual Inara Barbosa compartilha sua visão sobre os desafios, oportunidades e a importância dos sistemas que organizam e disponibilizam informações para o fortalecimento do setor mineral.
Geóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em Geoprocessamento (UnB) e em Transição Energética (FGV), além de mestrado em Ciências Agrárias e doutorado em Geociências Aplicadas pela UnB, Inara tem ampla experiência em gestão pública, tecnologia geoespacial e inteligência de dados aplicadas à mineração.
Confira a entrevista:
Superintendente de economia mineral defende transformação de dados em conhecimento estruturado
Esse mês nós vamos falar sobre gestão de dados da mineração e de dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) como um todo. A Superintendência de Economia Mineral e Geoinformação (SEG) tem papel central nessa atividade. Qual é a importância da geração de dados na atividade da mineração?
R: Os dados constituem um dos principais ativos estratégicos da Agência e, consequentemente, do setor mineral, servindo de base para a tomada de decisão de empresas, investidores, governos e da sociedade. São essas informações que permitem avaliar o potencial mineral do país, orientar investimentos, acompanhar a evolução da produção, fortalecer as ações de regulação e fiscalização, ampliar a transparência e subsidiar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da mineração.
A mineração é uma atividade intensiva na geração de dados e informações para a ANM. Desde a identificação do potencial mineral por meio dos requerimentos minerários, passando pelos investimentos em pesquisa mineral, produção, recursos e reservas, arrecadação da CFEM e o comércio exterior, todas as etapas da cadeia mineral dependem da geração, organização e análise de informações confiáveis.
Nesse contexto, a Agência Nacional de Mineração desempenha um papel fundamental na produção, consolidação, análise e disseminação de informações econômicas, geoespaciais e minerárias de interesse público. Ao transformar dados em conhecimento estruturado, a ANM contribui para o planejamento governamental, a segurança regulatória, a atração de investimentos e o aumento da competitividade da mineração brasileira.
Qual é a importância de produzir conhecimento estruturado atualmente?
R: Vivemos em um ambiente cada vez mais orientado por dados. Entretanto, dados isolados possuem valor limitado. O verdadeiro diferencial está na capacidade de transformá-los em conhecimento estruturado, organizado e acessível. O conhecimento estruturado é um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico e para a boa governança dos recursos minerais.
Quando as informações são tratadas de forma adequada, elas passam a apoiar decisões mais seguras, reduzir incertezas, aumentar a eficiência institucional e promover maior transparência para a sociedade.
No caso da mineração, esse conhecimento contribui para o planejamento do setor, a atração de investimentos, a gestão dos recursos minerais e a elaboração de políticas públicas baseadas em evidências.
Quais são os principais desafios e gargalos de fazer a produção e gestão desse conhecimento?
R: O principal desafio é transformar grandes volumes de dados e informações dispersos em conhecimento estruturado, confiável e acessível. A ANM recebe, produz e gerencia dados e informações de diferentes naturezas, econômicas, geológicas, geoespaciais, regulatórias, ambientais e produtivas, que precisam ser integradas, padronizadas e disponibilizadas de forma consistente para atender às necessidades da sociedade, do setor produtivo e do poder público.
Outro desafio relevante é assegurar a qualidade, a integridade e a atualização contínua desses dados e informações. Em um cenário em que cresce a demanda por dados cada vez mais precisos e tempestivos, torna-se fundamental fortalecer a governança de dados, promover a interoperabilidade entre sistemas, modernizar a infraestrutura tecnológica e ampliar a automação dos processos de coleta, tratamento e disponibilização das informações.
Além disso, há o desafio permanente de transformar dados em inteligência. Mais do que armazenar informações, é necessário gerar análises, indicadores e conhecimento capazes de apoiar decisões estratégicas, subsidiar políticas públicas, orientar investimentos e contribuir para uma regulação mais eficiente do setor mineral.
A SEG vai lançar uma nova plataforma de minerais críticos e estratégicos. O que é essa plataforma e por que ela é fundamental para esse novo momento que o país está vivendo?
R: A Plataforma da Economia Mineral, Minerais Críticos e Estratégicos, está sendo desenvolvida pela SEG para reunir, integrar e disponibilizar informações econômicas, produtivas, territoriais e geoespaciais relacionadas aos minerais essenciais para a transição energética. Saiba mais sobre os Minerais Críticos e Estratégicos
A plataforma vai oferecer dados técnico robusto sobre o potencial mineral, a produção, os investimentos, o comércio exterior, e a distribuição espacial desses minerais. Com isso, permitirá ampliar a transparência, reduzir assimetrias de informação, subsidiar políticas públicas e apoiar a tomada de decisão por parte do governo, da iniciativa privada, da academia e da sociedade.
A iniciativa ganha relevância em um momento em que o Brasil ocupa posição estratégica no cenário internacional em razão de seu potencial mineral e da crescente demanda global por substâncias como lítio, terras raras, níquel, cobre, grafita, nióbio, manganês, entre outros, fundamentais para baterias, veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e outras tecnologias associadas à transição energética
Mais do que disponibilizar dados, a plataforma busca transformar informações em conhecimento estratégico. Trata-se de uma iniciativa alinhada ao papel da ANM de fortalecer a gestão dos recursos minerais e posicionar o Brasil de forma mais competitiva nas cadeias globais de suprimentos de minerais críticos e estratégicos.
A SEG possui diversos sistemas que compilam dados e são utilizados por vários setores da sociedade. Você poderia destacar alguns e explicar qual é o papel deles na atividade da mineração?
R: A SEG coordena e disponibiliza importantes bases de informação que apoiam tanto a gestão regulatória quanto o desenvolvimento da atividade mineral.
Entre elas, destacam-se:
- SIGMINE Portal, que disponibiliza informações geoespaciais sobre processos minerários, permitindo a visualização e análise territorial da atividade mineral em todo o país;
- AMBInterativo - Anuário Mineral Brasileiro, publicações estatísticas do setor, que reúne indicadores de produção, investimentos, comercialização e arrecadação mineral;
- Matriz de Relacionamentos, trata de uma compilação de classificações nacionais e internacionais harmonizadas que versam sobre mercadorias, serviços industriais e atividades econômicas.
Essas iniciativas permitem que a sociedade, empresas, pesquisadores e gestores públicos tenham acesso a informações qualificadas, contribuindo para um ambiente regulatório mais transparente, moderno e eficiente.
Quais são os próximos passos? Qual é a sua percepção sobre qual será o papel da ANM na geração de dados sobre mineração no futuro?
R: Os próximos passos envolvem ampliar a integração entre bases de dados, fortalecer a governança de dados e informações, modernizar sistemas, incorporar novas tecnologias analíticas e expandir a oferta de serviços digitais à sociedade. Temas como inteligência artificial, ciência de dados, geoinformação, monitoramento remoto e plataformas integradas de conhecimento terão papel crescente na gestão do setor mineral.
Além da função regulatória, a ANM deve atuar como referência nacional na produção e disseminação de conhecimento estratégico sobre a mineração brasileira. Seu papel não é apenas armazenar informações, mas transformá-las em inteligência para subsidiar políticas públicas, ampliar a transparência e apoiar o desenvolvimento sustentável e competitivo do setor mineral.
A Superintendência de Economia Mineral e Geoinformação estará no centro desse processo, atuando como elo entre dados, geotecnologia e conhecimento, para fornecer uma base técnica robusta que apoie o desenvolvimento da mineração brasileira nas próximas décadas.
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Iris Vasconcellos Guimarães — ASCOM da Agência Nacional de Mineração |
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