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Com 51 anos de casa, geólogo migrou para TI e ajudou a digitalizar agência
Imagine o desafio de localizar diferentes processos minerários em papel espalhados pela repartição. Ou pense nas dificuldades para se manter atualizado em meio a um universo de normas minerárias dispersas. Esses são alguns dos desafios que Clóvis Ático buscou superar através da tecnologia ao longo de mais de meio século de serviços prestados à agência.
Geólogo de formação e especialista em recursos minerais da agência desde 1975, Clóvis teve seu primeiro contato com computadores em 1983, durante um treinamento ao Canadá. Quando voltou ao Brasil, passou a incentivar seus colegas a comprarem computadores.
“Essa experiência me impactou demais, parecia coisa de ficção científica. Uma das primeiras regionais que adquiriu computador a nossa, em Recife, que em 1984 passou a contar com um modelo CCE Exato Pro, sem mouse, HD ou disquete. A gente usava uma TV como monitor e um gravador K7 como entrada e saída”, recorda.
Mais do que a modernização de equipamentos, a descoberta da informática mudou a trajetória profissional de Clóvis, fazendo com que ele deixasse de lado a geologia para se especializar em tecnologia da informação. “Eu estudava nas horas vagas, pois sempre gostei de eletrônica. Começou como um hobby, mas aos poucos fui vendo que como geólogo eu era apenas mais um, e com a tecnologia eu poderia fazer a diferença”, explica.
Pouco a pouco, Clóvis passou a identificar maneiras de fazer com que seus novos conhecimentos facilitassem as rotinas da agência. Assim, em 1989 criou um sistema pioneiro chamado Neo_Sicop, com informações virtuais sobre processos minerários, funcionando como uma espécie de embrião do Cadastro Mineiro. Os dados reunidos incluíam localização física dos volumes, o tema que eles tratavam, quais suas pendências e os próximos andamentos.
“Esse catálogo virtual passou a ter um impacto tão grande nas rotinas da agência que viajamos pelo Brasil para ensinar as outras unidades a implementar. No início ficava apenas no meu computador, mas depois conseguimos disponibilizar também na internet”, aponta, destacando a colaboração de outros colegas em sua trajetória, como Adhelbar Queiroz, os aposentados Alexandre Dias e João Victor, além de Paulo Vidal e Carlos Madruga, já falecidos.

CCE Exato Pro foi o primeiro modelo de computador adquirido pela regional de Pernambuco, em 1984
Novos desafios e reconhecimento
Com o tempo, a agência criou seu próprio sistema, e o Neo_Sicop caiu em desuso. Sem se acomodar, Clóvis buscou novas áreas que pudessem ter o trabalho facilitado com o uso da tecnologia. Nascia assim, em 2001, o dnpm-pe.gov.br.
A iniciativa começou com o propósito de compilar as normas minerais do país, que são bastante dispersas. Com a página, regras ativas e inativas passaram a ser disponibilizadas de forma cronológica e depois foram organizadas em um índice remissivo. A partir das sugestões do público, vieram outros recursos, como o Guia do Minerador, uma espécie de manual explicando o que é um bem mineral e quais são todas as etapas para sua exploração.
“Sempre achei que era algo da minha cabeça e ninguém ligava. Mas descobri que ele fez diferença para muitas pessoas. Cerca de15 anos atrás uma colega de Brasília esteve no Recife e disse que sem minha página não conseguia mais trabalhar”, revela.
Recentemente, Clóvis teve mais uma grata surpresa. Ao recepcionar duas colegas que ingressaram na agência através do concurso de 2025, descobriu que ambas só se tornaram servidoras graças ao site, pois parte do que estudaram e caiu na prova aprenderam em consultas ao dnpm-pe.
“Estava pensando me aposentar, mas esse tipo de reconhecimento foi um estímulo para continuar, pois vejo que a página ainda é útil para muita gente. Agora, aprendi uma nova linguagem de programação e estou revisando todo o site. É um projeto que desejo seguir mesmo depois da aposentadoria”, encerra.
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Bruno Meirelles — ASCOM da Agência Nacional de Mineração |
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