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Acervo de SP vai de relato de visita de Marie Curie a estudo de 1922 sobre minerais na Amazônia
Um relatório anual que destaca trabalhos executados por Marie Curie ao laboratório de química do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil durante visita da cientista ao país em 1926.Um boletim publicado em 1922 sobre campanhas de reconhecimento geológico no Vale do Amazonas realizadas entre 1918 e 1919. Um estudo de 1913 descrevendo fósseis devonianos encontrados no Paraná. Mapas sobre a geologia e a petrologia do arquipélago de Fernando de Noronha e da Ilha de Trindade. Essas são algumas das preciosidades históricas reunidas no acervo da biblioteca da sede de São Paulo da Agência Nacional de Mineração (ANM).
De acordo com informações levantadas pela servidora Silvana Fontanelli, bibliotecária responsável pelo espaço, o acervo paulista existe desde 1969, embora seu livro de tombo tenha sido criado apenas em 1973. Na época, ela ficava na antiga sede regional do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), na rua Treze de Maio, e reunia 568 publicações diversas.
Entre os destaques do acervo está um Relatório Anual do Diretor do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB), instituição que antecedeu o DNPM. O documento, publicado em 1928 e referente ao exercício de 1926, traz detalhes de uma visita realizada ao país pela cientista Marie Curie, vencedora do Prêmio Nobel em duas categorias distintas, de Física (1903) e de Química (1911).
“Para atender ao movimento crescente do laboratório de química foi feita a sua remodelação total, de acordo com a técnica moderna [...]. O estudo, cada vez mais necessário, das nossas águas minerais e dos gases que delas emanam, quer sob o ponto de vista da composição química, quer quanta à radioatividade, tornou necessária a criação de um gabinete de física. Uma boa parte da aparelhagem necessária ao início desses estudos já se acha adquirida e instalada, tendo já prestado valiosos serviços quando aqui esteve a grande cientista Mme. Curie, que somente pode dar mais brilho às suas admiráveis conferências sobre a radioatividade graças ao material existente no Serviço Geológico, posto à disposição daquela cientista com a devida autorização do Ministro”, aponta o documento.
Interesses atuais com raízes antigas
O acervo paulista também revela que a presença de importantes reservas na região Amazônica, um dos temas que mais movimentam o debate atual sobre mineração no país, já era alvo de atenção há mais de um século. É o que demonstra o Boletim nº3 do SGMB, intitulado “Reconhecimentos Geológicos no Vale do Amazonas (campanhas de 1918 e 1919)”. A publicação de 1922, de autoria do engenheiro de minas e civil Odorico Rodrigues de Albuquerque, reúne 17 desenhos e 57 fotogravuras para ilustrar o mapeamento realizado na época.
Já a monografia “Fósseis Devonianos do Paraná”, de John M. Clarke, é uma das mais antigas da biblioteca, datada de 1913. As publicações ainda incluem estudos acompanhados de mapas ilustrativos, como “Ouro e Bauxita na região do Gurupy”, de 1937, “Geologia e Petrologia no Arquipélago de Fernando de Noronha”, de 1958 e “Geologia e Petrologia na Ilha da Trindade”, de 1961.
Tradição em estudos e reconstrução do acervo
A elaboração de estudos econômicos, uma das marcas históricas da agência, também já dava seus primeiros sinais no início do século 20 com o Relatório Anual referente ao exercício de 1921, que reunia dados como exportação dos principais minerais com recortes de produção por unidades da federação. Essa tradição culminou em uma série de publicações institucionais que se tornaram referência para o setor, incluindo coleções como o Anuário Mineral Brasileiro, cuja primeira edição é de 1972 e segue ativa até os dias de hoje.
Os livros existentes em São Paulo ainda trazem registros sobre outras bibliotecas da agência. É o caso do Relatório Anual de Atividades do DNPM de 1973, que detalha um incêndio na sede do Rio de Janeiro e os esforços empreendidos para reconstruir o acervo.
“A Biblioteca destruída no incêndio de Maio do corrente ano, teve um auxílio extraordinário dado por dezenove empresas de mineração e prospecção mineral, e dos Governos de Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra, que alcançaram mais de oito toneladas de livros, periódicos, etc., e também foi doada ao DNPM a biblioteca do Dr. Avelino Inácio de Olivera. Atualmente o acervo da Biblioteca está constituído por duplicadas que estavam em depósito, constando de periódicos, livros, etc., e doações que alcançam um total de 10.000”, descreve do documento.
Homenagem a servidor ilustre
Em 2014, a biblioteca de São Paulo foi batizada em homenagem a Fernando Flávio Marques de Almeida, falecido no ano anterior. Considerado um dos mais importantes geólogos do país, ele foi servidor do DNPM durante as décadas de 1950 e 1960. Ao longo da carreira, recebeu o título de professor emérito pela Universidade de São Paulo (USP).
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Bruno Meirelles — ASCOM da Agência Nacional de Mineração |
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