Monilíase do Cacaueiro
MONILÍASE DO CACAUEIRO (Moniliophthora roreri)
A monilíase do cacau é uma doença devastadora causada pelo fungo Moniliophthora roreri, praga quarentenária, que ataca os frutos de plantas dos gêneros Theobroma e Herrania, cujas espécies de importância econômica são o cacaueiro e o cupuaçuzeiro.

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Nome científico: |
Moniliophthora roreri |
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Nome comum: |
Monilíase do cacau, podridão geada ou podridão aquosa |
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Grupo: |
Fungo |
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Família: |
Marasmiaceae |
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Gênero: |
Moniliophthora |
Fatores Epidemiológicos da Praga
O fungo que causa a doença monilíase do cacau infecta a planta pelo fruto de forma direta. As estruturas de reprodução (esporos) entram na camada externa do fruto ou por meio dos estômatos. Uma vez que o fungo consegue entrar no fruto, ele inicia uma fase de desenvolvimento intercelular (crescendo entre as células) no tecido vegetal, permanecendo em um período de incubação interna que pode durar de 3 a 8 semanas antes que os primeiros sintomas externos apareçam.
Para que a colonização da planta seja bem-sucedida, o fungo depende de condições ambientais específicas que favorecem a germinação e a penetração dos esporos, tais como existência de água na superfície do fruto é fundamental para o processo de entrada do patógeno. E, a umidade relativa do ar deve estar acima de 80% com temperaturas médias entre 22 a 30 °C.
A praga possui alta capacidade reprodutiva podendo gerar até 7 bilhões de esporos por fruto, dispersos eficientemente pelo vento e, principalmente, pela ação humana no transporte de materiais contaminados, como amêndoas in natura e outras partes vegetais do fruto. Esses esporos são extremamente resistentes, sobrevivendo por até nove meses em condições adversas ou um ano em frutos mumificados, o que torna a erradicação da praga um desafio complexo e exige vigilância constante para evitar prejuízos econômicos que podem chegar a 100% da produção.
Sintomas e Danos da Praga
Diferente de outras doenças como a vassoura-de-bruxa do cacau, o fungo da monilíase do cacau infecta exclusivamente os frutos, Os frutos muito jovens (“bilros”) tornam-se intumescidos e distorcidos, entre 30 a 45 dias após o contágio. Depois surgem saliência que evoluem para manchas de cor chocolate ou marrom escuro, que podem ser rodeadas por uma zona amarelada. Frutos maiores apresentam um amadurecimento prematuro, seja ele parcial ou total. Cerca de 5 a 7 dias após a mancha necrótica, surge um crescimento micelial de cor branco a creme (“pseudoestroma”), que depois se torna cinza ou marrom devido à produção massiva de bilhões de esporos. Os frutos doentes podem enrugar, secar e tornar-se mumificados, permanecendo presos ao tronco. Geralmente, esses frutos infectados são mais pesados que os sadios.
Internamente, a doença causa danos severos na polpa e nas amêndoas, tornando o produto imprestável para o consumo. A destruição se espalha pela parte interna do fruto (endocarpo) e as amêndoas frequentemente apresentam-se aderidas umas às outras e à parede interna do fruto ficando muito difícil removê-las dos frutos.
Os principais danos associados a monilíase do cacaueiro é o prejuízo na qualidade dos frutos, pois torna os frutos totalmente inadequados para o consumo e para a industrialização. Em termos econômicos, a introdução dessa praga no Brasil pode causar perdas devastadoras na produção, com paralelos históricos em outros países onde os prejuízos atingiram entre 60% e 100% da colheita em certas regiões do Equador, Peru e Costa Rica.
Além da perda direta da safra, a detecção da praga aciona medidas legais rigorosas, como a interdição total ou parcial de propriedades e a proibição do trânsito de frutos e materiais vegetais, o que isola comercialmente as áreas afetadas. E o produtor passa a ser obrigado a realizar podas fitossanitárias constantes, monitoramento rigoroso e a coleta semanal de frutos doentes, o que demanda mais mão de obra.

Medidas de Prevenção
As medidas de prevenção contra a monilíase do cacaueiro são fundamentais, dado que a erradicação da praga é extremamente difícil após o seu estabelecimento devido ao seu alto poder de disseminação. As estratégias mais adequadas dividem-se em práticas de manejo no campo, cuidados individuais e ações governamentais.
As práticas de manejo cultural incluem remoção de frutos doentes, com enterrio a uma profundidade mínima de 25 cm, realização de poda de rebaixamento de copa, para facilitar a visualização e retirada de frutos doentes, desinfecção de ferramentas de trabalho, controle rigoroso de acesso de pessoas nas áreas de produção, especialmente com a lavagem ou descarte de roupas e calçados de trabalho usadas em áreas infestadas com a praga.
Para garantir que as amêndoas possam ser comercializadas e circular com segurança, elas devem passar por um processo de fermentação de no mínimo 96 horas, o que é capaz de inativar os esporos do fungo.
Realização de levantamentos fitossanitários anuais durante o período de frutificação é essencial para a detecção precoce. Isso inclui a fiscalização em portos, aeroportos, rodoviárias e postos de fronteira para impedir a entrada de material contaminado.
Proibir o transporte de frutos, amêndoas e material propagativo de países com a presença da praga, bem como de áreas de ocorrência no Brasil para áreas livres.
Implementação de ações de educação fitossanitária para produtores e técnicos, aliada à divulgação de Alertas Fitossanitários, ajuda a conscientizar sobre os riscos e a identificar suspeitas rapidamente.
Ações de Monitoramento e Emergência Fitossanitária
Os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter no estado do Acre e a totalidade do estado do Amazonas foram declaradas áreas sob quarentena. A fronteira da região norte do Brasil e os principais estados produtores de cacau estão sob monitoramento para esta praga. Entre 2016 e 2021 foram realizadas em torno de 5.000 ações de monitoramento nos estados do AC, AM, AP, RO, RR, PA, BA e ES, sendo detectado um foco da praga no estado do Acre que está sob controle oficial. Como consequência foi declarada Estado de Emergência Fitossanitária no Acre, no Amazonas e no Pará.
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Distribuição Geográfica em Outros Países
Essa praga tem registros de ocorrências em vários países da América, quatro deles com fronteira com o Brasil: Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela, o que aumenta o risco de disseminação da praga.
Um mapa detalhado da distribuição mundial da praga pode ser consultado na base de dados global do Secretariado da Organização Europeia e Mediterrânea para a Proteção de Plantas (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 112, de 11 de dezembro de 2020 institui no âmbito do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes, o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância de Moniliophthora roreri (PNPV/Monilíase). Vinculado a esta normativa, está o Manual de Procedimentos, que traz ações complementares a serem adotadas para o enfrentamento desta praga.
A Portaria MAPA nº 249, de 04 de agosto de 2021 (alterada pelas Portarias MAPA nº 467, de 2 de agosto de 2022 e MAPA Nº 603, de 4 de agosto de 2023) declara estado de emergência fitossanitária relativo ao risco iminente de introdução da praga quarentenária ausente Moniliophthora roreri nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia.
A Portaria SDA/MAPA nº 703, de 21 de novembro 2022 declarou os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter no estado do Acre e o estado do Amazonas como área sob quarentena para a praga quarentenária ausente Moniliophthora roreri causadora da Monilíase do Cacaueiro. de
A Portaria SDA/MAPA nº 1.291, de 22 de maio de 2025, inclui o fungo Moniliophthora roreri na Lista Oficial de Pragas Quarentenárias Ausentes (LOPQA) para o Brasil.
A Portaria SDA/MAPA n° 818, de 21 de julho de 2025, prorroga o prazo da emergência fitossanitária da praga quarentenária Moniliophothora roreri.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
Livro "PRIORIZAÇÃO DE PRAGAS QUARENTENÁRIAS AUSENTES DO BRASIL". Capítulo 17: Moniliophthora roreri (Cif & Par.) (Agaricales: Marasmiaceae)

