Lobesia botrana
TRAÇA-EUROPEIA DA VIDEIRA
(Lobesia botrana)
A traça-europeia dos cachos da videira (Lobesia botrana) é um inseto que se alimenta de diversos hospedeiros, como kiwi, caqui, pêssego e ameixa, embora a videira (Vitis vinifera) seja seu principal alvo. No Brasil, ela é classificada como uma praga quarentenária ausente, o que significa que ainda não foi detectada no território nacional, mas possui importância econômica potencial e é objeto de vigilância ativa para evitar sua introdução.

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Nome científico: |
Lobesia botrana |
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Nome comum: |
Traça-europeia da videira ou traça-europeia dos cachos da videira |
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Grupo: |
Inseto |
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Família: |
Tortricidae |
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Gênero: |
Lobesia |
Fatores Epidemiológicos da Praga
A traça-europeia dos cachos da videira é uma pequena mariposa, com menos de um centímetro e meio que ataca as flores e os frutos das videiras. Na cultura da uva, põe seus ovos isoladamente, distribuindo-os no cacho de uvas, o que dificulta sua visualização, e as lagartas alojam-se no interior dos cachos, sendo difícil o seu controle.
Esse inseto tem alta capacidade de reprodução e pode gerar várias gerações ao longo do ano, especialmente em regiões mais quentes. Seu ciclo depende da temperatura, o que permite que a praga se desenvolva rapidamente em condições favoráveis. Além disso, a praga pode apresentar diapausa facultativa na fase de pupa, permitindo sua sobrevivência em períodos adversos, embora em regiões mais quentes possa manter atividade contínua ao longo do ano. Em locais de inverno mais brando, pode permanecer ativa por mais tempo, aumentando o risco de infestação contínua.
O desenvolvimento da praga é favorecido por temperaturas amenas a elevadas e pela presença constante de plantas hospedeiras. Cultivos com cachos mais compactos, como algumas variedades de uva, facilitam o abrigo e a alimentação das lagartas. Além disso, a ampla distribuição dessas culturas no Brasil pode favorecer a dispersão e o estabelecimento da praga em diferentes regiões.
A praga é polífaga e se desenvolve em plantas de mais de 25 famílias. Ataca principalmente a videira, mas também pode se desenvolver em outras plantas, como kiwi, oliveira, caqui e frutas de caroço, como pêssego e ameixa. Essa variedade de hospedeiros aumenta o risco de disseminação, pois garante alimento disponível durante todo o ano e amplia os impactos econômicos para a produção agrícola.
Sintomas e Danos da Praga
Os sintomas de ataque da traça-europeia da videira variam conforme a fase de desenvolvimento da cultura e a geração da praga. As lagartas alimentam-se principalmente de estruturas reprodutivas, como botões florais, flores e frutos, perfurando as bagas para se alimentar. Essas perfurações podem ser observadas tanto em frutos verdes quanto em fase de maturação, frequentemente acompanhadas da presença das próprias larvas.
Nos frutos maduros, os ferimentos causados pelo ataque favorecem a entrada de outros agentes danosos, especialmente o fungo que causa a podridão-cinzenta ou mofo-cinzento (Botrytis cinerea), intensificando as perdas. Essa interação agrava os danos ao comprometer a integridade dos frutos e reduzir sua qualidade comercial.
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Caso a praga seja introduzida no Brasil, estima-se um aumento imediato nos custos de produção devido à necessidade de, no mínimo, duas aplicações extras de inseticidas por safra, além do risco de restrições nas exportações para mercados internacionais.
Medidas de Prevenção
Como medida de prevenção e vigilância para a praga o Ministério da Agricultura e Pecuária instituiu pela Instrução Normativa SDA/MAPA Nº 111, de 11 de dezembro de 2020, no âmbito do programa brasileiro de pragas quarentenárias ausentes, o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância de Lobesia botrana - PNPV/Lobesia.
Seu principal objetivo é estabelecer as diretrizes e procedimentos para a aplicação de medidas de prevenção e de contingência (contenção, supressão e erradicação) da traça-europeia da videira no Brasil.
O plano foca na detecção precoce enquanto a praga ainda é considerada ausente no país. As principais estratégias incluem:
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Vigilância e monitoramento: a realização de levantamentos anuais com a instalação de armadilhas equipadas com feromônio sexual sintético. Essas armadilhas são priorizadas em áreas de produção comercial, centrais de distribuição (como CEASAs), vinícolas e pontos de ingresso no país.
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Controle de fronteiras: com inspeção rigorosa de partidas de frutos e material de propagação em portos, aeroportos e postos de fronteira.
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Educação e alerta fitossanitário: elaboração de ações de educação fitossanitária para produtores e técnicos, além da divulgação de Alertas Fitossanitários.
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Gestão de riscos: estabelece proibição de importação de material propagativo de países onde a praga ocorre e fiscalização de maquinários de colheita que circulam nas fronteiras e na importação internacional.
Distribuição Geográfica em Outros Países
A praga Lobesia botrana está presente nos continentes Asiático, Africano e Europeu, onde é considerada a principal praga da videira. No continente Americano está presente na Argentina, no Chile e nos Estados Unidos.
Os países sul-americanos exportadores de uva para o Brasil, especialmente a Argentina, que compartilha extensa fronteira com o território brasileiro, demandam maior atenção nas ações de vigilância fitossanitária, em razão do risco de introdução e estabelecimento da praga em regiões produtoras nacionais, particularmente na Região Sul. Até o ano de 2025, foram realizados 4.543 levantamentos de detecção nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Pernambuco, não sendo registrada a ocorrência da praga nessas ações de vigilância.
Um mapa detalhado da distribuição mundial da praga Lobesia botrana pode ser consultado na base de dados global da EPPO, mantido pelo Secretariado da Organização Europeia e Mediterrânea para a Proteção de Plantas (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
A Portaria SDA/MAPA nº 1.291, de 22 de maior de 2025, inclui o inseto Lobesia botrana na lista de Pragas Quarentenárias Ausentes (PQA) para o Brasil.
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 131, de 27 de junho de 2019, institui o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes (PNPV-PQA) incluindo a praga Lobesia botrana como PQA priorizada.
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 111, de 11 de dezembro de 2020, instituiu no âmbito do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes, o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância de Lobesia botrana - PNPV/Lobesia.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
¹ ² ³: FOTOS - Andrea Lucchi
Livro "PRIORIZAÇÃO DE PRAGAS QUARENTENÁRIAS AUSENTES DO BRASIL". Capítulo 13: Lobesia botrana Denis e Schiffermüller (Lepidoptera: Tortricidae)


