Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça 4 Tropical - FOC R4T
FOC R4T
(Fusarium oxysporum f. sp. cubense Raça 4 Tropical)
O FOC R4T é um fungo de solo altamente agressivo, classificado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária como praga quarentenária ausente no Brasil, atualmente considerado a maior ameaça fitossanitária à bananicultura mundial, pois ataca variedades amplamente consumidas, como a Nanica e a Prata, e não existem tratamentos químicos ou biológicos totalmente eficazes para eliminá-lo das áreas afetadas.

- Foto: EMBRAPA
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Nome científico: |
Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça 4 Tropical |
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Nome comum: |
FOC R4T, mal-do-Panamá raça 4 ou Fusariose da bananeira raça 4 |
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Grupo: |
Fungo |
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Família: |
Nectriaceae |
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Gênero: |
Fusarium |
Fatores Epidemiológicos da Praga
O FOC R4T é um fungo de reprodução assexual que produz três tipos de estruturas de reprodução, sendo uma delas, clamidósporos, são responsáveis por sua sobrevivência no solo por até 30 anos, mesmo na ausência de hospedeiros vivos.
Fatores ambientais como solos com pH ácido (inferior a 5), baixa drenagem, baixos teores de matéria orgânica e temperaturas entre 23 e 27 °C criam o cenário ideal para o desenvolvimento agressivo da doença.
A praga tem como hospedeiros principais plantas dos gêneros Musa (bananeiras) e Helicônia (plantas ornamentais), e como hospedeiros secundários, pode estar presente em plantas daninhas, como trapoeraba (Commelina diffusa), leiteiro ou amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) e erva-de-touro (Tridax procumbens), além de sobreviver sem apresentar sintomas (endofítico) em outras espécies não hospedeiras.
Sintomas e Danos da Praga
O FOC R4T infecta a planta pelas raízes secundárias e coloniza o vaso de transporte de seiva da planta (xilema), obstruindo o transporte de água e nutrientes. Os sintomas incluem folhas mais velhas amarelam, murcham e quebram na base formando um aspecto de "guarda-chuva fechado". As folhas novas que conseguem emergir podem ser pálidas, reduzidas, enrugadas ou distorcidas, e o pseudocaule pode apresentar rachaduras longitudinais. Ocorre necrose interna que progride das raízes ao pseudocaule, ocasionando morte progressiva das plantas, sem chance de recuperação.
Embora o FOC R4T ainda seja classificado como uma praga quarentenária ausente no Brasil, o risco de introdução é considerado iminente e preocupante, uma vez que mais de 90% das variedades produzidas no país (como a Nanica e a Prata) são altamente suscetíveis por causar destruição massiva de cultivos, perda de mercados e exportações e elevação de custos de contenção gerando impacto social, em situação mais grave crise de abastecimento dos frutos.

Medidas de Prevenção
Como não existe controle químico ou biológico totalmente eficaz até o momento, a prevenção é a melhor forma de evitar a doença, adotando as seguintes medidas:
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Uso de material propagativo certificado: é imprescindível utilizar mudas provenientes de micropropagação (cultivo in vitro), produzidas em laboratórios credenciados sob condições adequadas, o que garante que o material esteja livre do fungo;
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Biossegurança nas propriedades: implementar protocolos rigorosos como a limitação de acesso às áreas de cultivo, a instalação de pedilúvios para a desinfecção de calçados e a limpeza rigorosa de ferramentas, implementos agrícolas, máquinas e pneus de veículos que circulam no bananal;
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Saúde do solo: adotar práticas que melhorem a atividade microbiológica no solo e na rizosfera para aumentar a sua supressividade, tornando o ambiente menos favorável ao desenvolvimento do patógeno;
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Controle de trânsito e fronteiras: intensificar a inspeção em portos, aeroportos e postos de fronteira para evitar a entrada de material vegetal, solo ou substratos contaminados vindos de áreas com presença da praga. No Brasil, o trânsito de mudas exige documentos de certificação fitossanitária origem (CFO) e Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV);
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Cuidados na colheita e transporte: realizar a higienização de containers e veículos de transporte de frutos para evitar a dispersão acidental do fungo;
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Detecção precoce: manter o pessoal treinado para identificar rapidamente os sintomas iniciais, permitindo a delimitação e o isolamento imediato da área afetada.
Distribuição Geográfica em Outros Países
Essa praga tem registros de ocorrências em vários países da África, Ásia, Europa e Oceania. Em países como Taiwan, Indonésia e Austrália, o impacto econômico foi devastador, resultando na destruição de milhões de plantas e perdas financeiras superiores a centenas de milhões de dólares. No continente Americano, próximo ao Brasil, existem registros da praga na Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.
Um mapa detalhado da distribuição mundial da praga pode ser consultado na base de dados global da EPPO, mantido pelo Secretariado da Organização Europeia e Mediterrânea para a Proteção de Plantas (EPPO).
Medidas Regulatórias no Brasil
A Portaria SDA/MAPA nº 1.291, de 22 de maio de 2025, inclui o fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça 4 Tropical na lista de Pragas Quarentenárias Ausentes (PQA) para o Brasil.
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 131 de 27 de junho de 2019 institui o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes (PNPV-PQA) incluindo a praga FOC R4T como PQA priorizada.
A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 30 de 05 de junho de 2020 instituiu no âmbito do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes, o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância de Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça 4 Tropical (FOC R4T) - PNPV/FOC R4T.
Notificação de Suspeitas
As suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias podem ser comunicadas diretamente às Superintendências Federais de Agricultura, presentes em todas as unidades da federação ou junto aos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal.
Além disso o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), disponibilizou um canal exclusivo de notificação de suspeitas de ocorrência de pragas quarentenárias.
Referências Técnicas
Livro "PRIORIZAÇÃO DE PRAGAS QUARENTENÁRIAS AUSENTES DO BRASIL". Capítulo 16: Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça 4 Tropical - FOC R4T
Embrapa Amazônia Ocidental. Comunicado Técnico 149. Fusarium oxysporum f. sp. cubense raça 4 tropical: perigo para a bananicultura nacional.