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Discurso do Secretário-Geral Sérgio Danese por ocasião do 33º Encontro Econômico Brasil-Alemanha
É uma grande satisfação participar, em nome do Governo brasileiro e do Ministro Mauro Vieira, da conclusão desta 33ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha. Este foro tem contribuído para fortalecer nossos laços econômicos e comerciais bilaterais e para dar tradução concreta à parceria estratégia entre nossos dois países.
O relacionamento entre brasileiros e alemães está assentado em raízes profundas que remontam há mais de um século e meio, quando os primeiros imigrantes alemães chegaram ao Brasil e passaram a ter papel importante na construção de nossa sociedade e na promoção do desenvolvimento econômico brasileiro. Santa Catarina e a cidade de Joinville, que promovem de forma exemplar este Encontro, são exemplos vivos da valiosa contribuição alemã à formação e desenvolvimento do nosso País.
Há cerca de um mês, no contexto da visita da Chanceler Angela Merkel ao Brasil, foi inaugurada a primeira edição do mecanismo de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível Brasil-Alemanha, em mais uma demonstração da solidez da cooperação bilateral.
As Consultas contaram com a participação de 20 ministros brasileiros e 7 ministros e 5 vice-ministros alemães e permitiram aprofundar a colaboração bilateral em áreas estratégicas para o nosso desenvolvimento, como comércio, investimentos, educação energia, ciência, tecnologia e inovação.
Alguns dos temas tratados já tiveram desdobramentos na 42ª Reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha de Cooperação Econômica, realizada nesta manhã.
O chefe da delegação alemã, o Vice-Ministro de Economia e Energia, Matthias Machnig, e eu, na qualidade de chefe da delegação brasileira, tratamos, ao lado de representantes dos setores público e privado, de diversos temas nas áreas de comércio, investimento, energia e inovação, conforme decisões tomadas durante as Consultas de Alto Nível.
Cito, como exemplos, a definição de estratégia para a implementação da Declaração sobre Cooperação Bilateral em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e para a implementação do Grupo de Trabalho de Alto Nível sobre Energia e Cooperação no Setor de Energia, com foco em Energia Renovável e Eficiência Energética.
Senhoras e Senhores,
A Alemanha é o quarto parceiro comercial do Brasil no mundo e seu maior parceiro na União Europeia. A Alemanha tem com o nosso país seu mais expressivo intercâmbio comercial na América Latina.
O comércio bilateral cresceu de maneira notável ao longo da última década, tendo praticamente triplicado, alcançando o valor aproximado de US$ 20,5 bilhões em 2014.
A conclusão exitosa de um acordo comercial entre o MERCOSUL e a União Europeia daria novo impulso aos nossos fluxos comerciais. A Presidente Dilma Rousseff e a Chanceler Angela Merkel comprometeram-se a intensificar os esforços para a conclusão, no mais breve prazo possível, de um Acordo de Associação entre os dois blocos econômicos. Esperamos que a que a troca de ofertas de acesso a mercados ocorra já no último trimestre do corrente ano.
No plano dos investimentos, a Alemanha é um dos mais tradicionais investidores no Brasil, sobretudo no setor industrial. Destaco a recente instalação das fábricas da BMW em Araquari, assim como da TOX, empresa alemã líder na área de cilindros pneumáticos, em Joinville, cuja inauguração testemunhei ontem na companhia do Vice-Ministro Machnig. Esses investimentos atestam a confiança do empresariado alemão nas potencialidades do mercado brasileiro.
Queremos reiterar nosso convite para que os empresários alemães aproveitem também as oportunidades existentes no Brasil no campo da infraestrutura. Durante a reunião da Comissão Mista, tivemos a oportunidade de apresentar os principais pontos do segundo Programa de Investimentos em Logística, lançado em junho passado, que prevê concessões de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, totalizando cerca de 45,5 bilhões de euros em investimentos.
O Brasil vê na Alemanha um aliado estratégico no projeto brasileiro de elevar o conteúdo tecnológico da indústria nacional. Destaco o êxito da cooperação entre os dois países no âmbito do programa brasileiro Ciência sem Fronteiras, por meio do qual mais de seis mil estudantes brasileiros frequentaram universidades alemãs.
Enfatizo, ainda, a estreita cooperação com a Sociedade Fraunhofer, que vem apoiando a criação de um sistema de inovação no Brasil, e que serviu de modelo para a constituição da Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial e Inovação, EMBRAPII.
Outra vertente que pode dar ainda maior impulso às relações bilaterais é o aprofundamento da cooperação entre Pequenas e Médias Empresas, acrescentando novos temas e novos atores às nossas tradicionais relações econômicas e comerciais. O Governo brasileiro considera fundamental o estreitamento de laços entre PMEs dos dois países por meio da criação de “joint ventures” e de iniciativas conjuntas de pesquisa.
Senhoras e Senhores,
O Brasil é hoje a sétima maior economia do mundo e tornou-se, ao longo da última década, um país predominantemente de classe média, por meio de um grande esforço do Governo e da sociedade para a redução da pobreza e das desigualdades sociais.
Hoje atravessamos um período de transição, com ajustes internos voltados para a promoção do equilíbrio fiscal e a pronta retomada das condições para um crescimento robusto e sustentável. Um novo ciclo de crescimento deverá necessariamente passar por maiores investimentos, especialmente em infraestrutura, de modo a ampliar a produtividade e a competitividade da economia brasileira. Paralelamente, a inovação, com realce no setor industrial, é imperativa para o desenvolvimento de novos produtos e a conquista de novos mercados.
Nesse quadro de desafios internos e externos, a parceria com a Alemanha adquire cada vez maior importância. Estou seguro de que o empresariado alemão, por meio de investimentos diretos ou de parcerias com empresas nacionais, terá papel cada vez mais relevante no desenvolvimento do Brasil. O êxito de mais este Encontro Econômico é demonstração evidente desta cooperação entre os setores privados e governamentais dos dois países.
Ao agradecer à Confederação Nacional da Indústria – CNI – e à Federação Alemã da Indústria – BDI – pela realização de mais este evento, estendo meus cumprimentos ao Governo de Santa Catarina, ao Governo municipal de Joinville e à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC – pela organização impecável, que muito contribuiu para o êxito do Encontro.
Por fim, cumprimento o Governo da Turíngia pela apresentação realizada sobre o seu estado e agradeço imensamente a sua generosa oferta de acolher, em 2016, o Encontro Econômico Brasil-Alemanha. Faço votos de que, no próximo ano, os setores governamentais e privados ali estejam tão bem representados como neste ano em Joinville, de modo a dar continuidade à série de sucessos desta importante parceria teuto-brasileira.
Muito obrigado.