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Discurso do Secretário-Geral Sérgio Danese por ocasião da abertura da 42ª Reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha de Cooperação Econômica
Em nome do Governo brasileiro e do Ministro das Relações Exteriores, tenho a grande satisfação de abrir esta 42ª Reunião da Comissão Mista de Cooperação Econômica entre o Brasil e a Alemanha.
Quero dar as boas vindas a todos, muito especialmente aos membros da expressiva delegação com que a Alemanha mais uma vez participa deste evento no Brasil. Agradeço imensamente a sua presença, que constitui um testemunho forte do engajamento dos setores público e privado alemães neste importante exercício de diplomacia econômica.
É também um grande prazer estar em Joinville, bela cidade que nos acolhe com imensa hospitalidade e entusiasmo. Joinville representa muito bem a presença alemã em nosso País, presença que continua crescendo nesta região, conforme pudemos atestar ontem com nossa visita à recém-inaugurada fábrica da BMW e com a nossa participação na inauguração da nova fábrica da TOX-Pressotechnik.
Este é o mais tradicional e longevo foro bilateral de que o Brasil participa. Hoje em sua 42ª edição, a Comissão Mista de Cooperação Econômica Brasil-Alemanha é eloqüente a respeito da importância que mutuamente nos atribuímos.
Estou certo de que nossas discussões contribuirão para fortalecer ainda mais o já denso e importante relacionamento entre os dois países, que, como todos sabem, constitui uma parceria estratégica há mais de uma década.
Essa parceria estratégica não é, aliás, mera definição política. Ela se baseia em realidades muito palpáveis - a primeira delas constituída pela expressiva contribuição da imigração alemã na construção do Brasil e na formação do seu povo.
A Alemanha é a quarta maior economia do planeta, e o Brasil, a sétima. Temos economias diversificadas e comungamos do interesse em promover uma ordem internacional assentada na diplomacia, no multilateralismo e no respeito aos direitos humanos. Integramos grupos com voz importante nos foros internacionais, como o G-4 e o G-20 econômico-financeiro, e temos diálogo fluido em temas como mudança do clima e desenvolvimento sustentável.
A Comissão Mista de Cooperação Econômica tem o importante papel de permitir um debate abrangente, franco e regular sobre os principais temas da relação econômico-empresarial entre nossos países. Associada ao Encontro Econômico que se realiza paralelamente, sua função ganha ainda maior relevância num contexto em que a economia mundial segue enfrentando dificuldades e em que o fortalecimento de parcerias como a que temos e a busca de novas oportunidades é fundamental para promover o crescimento de nossos países.
A agenda de trabalho da Comissão reflete, sobretudo, as prioridades do relacionamento bilateral. É também uma prova da vontade política dos dois países de tratarem com franqueza e sentido prático dos temas e problemas que pautam a relação econômico-comercial e de cooperação entre os dois países.
Brasil e Alemanha estão engajados em trabalhar pela ampliação dos fluxos de comércio e de investimentos e em incrementar a competitividade de suas economias, por intermédio de maior cooperação em educação, ciência, tecnologia e inovação, sem descuidar o monitoramento constante das condições em que se desenvolvem os nossos fluxos comerciais e de investimento.
A cooperação nesses setores estratégicos revitalizou as relações entre nossos países. Aos laços já robustos estabelecidos com base na valiosa herança deixada pela imigração alemã, na presença de uma expressiva comunidade de expatriados alemães no Brasil e na presença de cerca de 1.600 empresas de origem alemã no Brasil, em setores relevantes para a nossa economia, como o automobilístico, somam-se agora as novas formas de associação engendradas pelo intercâmbio de cientistas, de estudantes e de artistas.
Senhoras e senhores,
Há cerca de um mês, a visita da Chanceler Angela Merkel, acompanhada de 12 Ministros e Secretários de Estado, estabeleceu novo marco na história das relações entre os dois países.
Foi lançado mecanismo regular de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível, englobando todos os ministérios e agências responsáveis, em cada um dos lados, pelos diversos temas compreendidos na parceria estratégica.
Além das conversações em alto nível, as Consultas permitiram a realização de 23 audiências entre Ministros e vice-Ministros alemães e brasileiros, cobrindo o principal da agenda política, econômica e de cooperação bilateral.
Compreendemos plenamente a importância de que se reveste esse mecanismo, tendo em vista o número reduzido de países com os quais a Alemanha o mantém.
E entendemos o claro sinal de confiança no Brasil que a Alemanha emitiu com tamanha mostra do seu engajamento na relação bilateral.
Por isso, o Governo brasileiro preparou-se cuidadosamente para asa Consultas de Alto Nível e está empenhado em fazer o seguimento dos seus resultados de forma persistente e engajada.
As Consultas expressaram o compromisso político de nossos dois governos de aprofundar os seus contatos no mais alto nível. Esta Comissão Mista é uma das expressões concretas desse desejo de aproximação e contempla alguns dos atores, tanto do setor privado quando governamental, mais imediatamente interessados na evolução da parceria bilateral. A Comissão continuará a ter o papel essencial de dar concretude às novas declarações de intenção e aos novos acordos estabelecidos nas Consultas de Alto Nível.
Numa conjuntura complexa em que ainda são sentidos os efeitos da crise de 2008, o Brasil tem buscado adotar as medidas necessárias para a retomada do crescimento.
A modernização de nossa infraestrutura é parte importante desse processo e uma grande oportunidade para os investidores estrangeiros, especialmente alemães, que podem beneficiar-se da experiência decorrente da longa presença alemã no Brasil. A segunda etapa do Programa de Investimento em Logística prevê concessões da ordem de 45,5 bilhões de euros em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Pelas dimensões de nossas economias e pelo nosso papel no âmbito do G-20, Brasil e Alemanha têm papel importante a desempenhar na recuperação da economia global. Ancorados na confiança mútua que construímos ao longo de décadas de relacionamento entre nossos setores produtivos, devemos, neste momento, trabalhar numa agenda que permita um aumento nos fluxos de comércio e de investimento e na criação de novas oportunidades de negócio.
No centro de tal agenda devem estar, como já foi dito, a produtividade e a competitividade, especialmente pela ênfase na inovação e na qualificação profissional. Dessa forma, construiremos, juntos, economias mais fortes, resistentes e diversificadas.
Nossos países estão comprometidos também em fazer avançar as negociações entre o MERCOSUL e a União Europeia. Desejamos um acordo comercial ambicioso, abrangente e equilibrado.
Para alcançarmos esse objetivo, é fundamental que os dois lados estejam preparados para realizar, conforme já acordado, a troca de ofertas de acesso a mercados no último trimestre deste ano. Nossos dois países têm papel importante a desempenhar dentro dos respectivos blocos para que as tratativas avancem.
Seja como caixa de ressonância de movimentos mais extensos, seja como fonte de novos projetos, a Comissão Mista converteu-se em microcosmo da relação bilateral. E, assim, tem constituído espaço para a reflexão tanto sobre os grandes eixos estruturais da parceria Brasil-Alemanha como sobre os problemas mais concretos suscitados por nossos empresários.
Desejo a todos nós um excelente trabalho. Convido-os a redobrar seu empenho, de modo a assegurar que a Comissão continue tendo papel cada vez mais relevante no fortalecimento dos laços econômicos e comerciais entre os nossos países.
Muito obrigado.
Passo agora a palavra, para suas observações iniciais, ao copresidente alemão da Comissão Mista, o Secretário de Estado da Economia e da Energia, Matthias Machnig, cuja presença em Joinville tanto nos honra.