Notícias
Discurso de abertura da XXIII Reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha de Cooperação Econômica
É com grande satisfação que participo da abertura dos trabalhos desta Vigésima-Terceira Reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha de Cooperação Econômica. Trata-se de foro da mais alta importância no âmbito de um relacionamento privilegiado, que reflete de modo fiel e vigoroso o intenso intercâmbio e diálogo que se tem verificado entre nossas duas Nações.
Em nome da Delegação brasileira, gostaria de expressar ao Governo da República Federal da Alemanha, do Estado Livre da Saxônia e da Cidade de Dresden meu melhor agradecimento pelas atenções e gentilezas que temos recebido desde nossa chegada a esta acolhedora cidade.
Gostaria ainda de manifestar meu particular reconhecimento pelo excelente trabalho da Confederação das Indústrias Alemãs, da Confederação Alemã das Câmaras de Comércio e Indústria, da Câmara de Comércio e Indústria de Dresden e da Confederação Nacional da Indústria na organização desta Reunião, assim como do Encontro Empresarial do dia de ontem.
Senhores,
A ampla identidade de pontos de vista e a coincidência de objetivos em relação às grandes questões e temas da realidade internacional conferem caráter especial às relações teuto-brasileiras. Poucos países terão hoje uma parceria tão rica e diversificada como a que o Brasil possui com a República Federal da Alemanha.
Esse quadro favorável e promissor está refletido de forma particularmente expressiva no intenso intercâmbio de visitas bilaterais registrado nos últimos meses e encontra manifestação de sua crescente vitalidade nos trabalhos desta Comissão Mista e do Encontro Empresarial ontem encerrado. Em ambos, a confiança na continuidade do processo de consolidação e aprofundamento do elevado nível de relacionamento entre o Brasil e Alemanha constituiu o traço marcante.
A visita do Chanceler Federal Helmut Kohl a Brasília, há pouco menos de um mês, insere-se nesse importante cenário de diálogo e entendimento, em que a clara sinalização da opção do Governo alemão por um relacionamento intenso com o Brasil só encontra paralelo em nossa vontade política de estabelecer uma parceria ampla e privilegiada. Essa disposição foi plenamente reiterada nos ·contatos mantidos em Brasília pelos membros da comitiva que acompanhou o Chanceler Helmut Kohl, composta por empresários altamente representativos dos setores produtivos da Alemanha. No encontro de trabalho que os empresários alemães mantiveram com o Ministro Pedro Malan, foi-lhes apresentado quadro objetivo e realista da economia brasileira e reafirmada a irreversibilidade dos processos de estabilização monetária e de modernização econômica, objetivos da mais absoluta prioridade do Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.
A visita do Chanceler Helmut Kohl reflete o momento extraordinário do relacionamento entre o Brasil e a Alemanha iniciado pela visita do Presidente Fernando Henrique Cardoso a este país, em setembro de 1995, e pela visita do Presidente Roman Herzog em novembro último. Desde então, vieram à Alemanha os Ministros das Relações Exteriores, da Justiça, da Fazenda, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, das Comunicações, dos Transportes, do Meio Ambiente e da Educação.
O Brasil, por sua vez, recebeu nesse período a visita de importantes missões do Bundestag, do Ministro da Economia, Günter Rexrodt, e do Ministro das Telecomunicações, Wolfgang Botsch. Em novembro próximo, receberemos a visita da Ministra do Meio Ambiente, Angela Merkel, e do Governador do Estado da Saxônia, Doutor Kurt Biedenkopf, que se fará acompanhar de expressiva comitiva de empresários. Em fevereiro de 1997, o Vice-Presidente Marco Maciel deverá realizar visita oficial a este país em atenção a convite do Vice-Chanceler Federal Klaus Kinkel e, em -março, está prevista a visita ao Brasil do Ministro-Presidente da Baviera, Edmund Stoiber, à frente de missão empresarial.
A intensidade e a diversidade desses contatos revela as excelentes perspectivas que se oferecem à cooperação e à parceria entre brasileiros e alemães em áreas até então pouco exploradas, sobretudo nos setores da infra-estrutura portuária, de transportes, de telecomunicações e de energia. Essa movimentação invulgar vem conferir dinamismo ainda maior às relações Brasil-Alemanha que, por sua abrangência e complexidade, constituem modelo de cooperação entre um país plenamente desenvolvido e outro em importante estágio de desenvolvimento.
Esse novo ímpeto no relacionamento teuto-brasileiro coincide com as novas realidades prevalecentes em ambos os países, resultantes das profundas transformações por que vêm passando. O Brasil projeta-se hoje como um país moderno, dinâmico e aberto a oportunidades, refletindo sua maturidade política e sua estabilidade econômica. A Alemanha, de sua parte, fortalecida pela reunificação, pela consolidação dos valores da democracia, liberdade e solidariedade e pelos avanços econômicos e sociais, desfruta de uma situação ímpar no cenário europeu.
Senhores,
A Alemanha constitui o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil - logo após os Estados Unidos - e o nosso terceiro maior parceiro comercial - depois dos EUA e da Argentina -, superando com larga margem os demais países da União Européia e o Japão. As estatísticas brasileiras demonstram que a corrente de comércio entre os dois países elevou-se de cerca de 2 bilhões de dólares em 1985 para aproximadamente 7 bilhões em 1995. No primeiro semestre do corrente ano, exportamos para a Alemanha cerca de 1,1 bilhão de dólares e importamos quase 2,5 bilhões. De acordo com dados do Banco Central, em junho de 1995, o estoque de investimentos e reinvestimentos alemães no Brasil totalizava cerca de US$ 7 bilhões, 12,1 % do total de capitais estrangeiros no país.
No âmbito da União Européia, a Alemanha ocupa a primeira posição, com cerca de 33% do total das aplicações da Comunidade no Brasil. A maior parte dos investimentos alemães em nosso país vem-se dirigindo à indústria de transformação (89,3%), sobretudo de veículos automotores (23,7%) e mecânica (12,2%).
Estima-se em cerca de 1200 o número de empresas alemãs estabelecidas no Brasil, das quais cerca de 800 localizadas no Estado de São Paulo, gerando mais de 400 mil empregos diretos. A relevância do capital alemão no Brasil pode ser igualmente aferida pela estatística alemã que comprova ser São Paulo a maior cidade industrial alemã en1 termos de volume de mão-de-obra empregada em empresas de capital germânico.
Os resultados amplamente positivos alcançados pelo Brasil nos dois últimos anos e a crescente consolidação do processo de integração regional configurado pelo Mercosul levaram, em 1994, após virtual estagnação durante dez anos, a uma intensa retomada no fluxo anual de capital alemão para o Brasil. Essa retomada poderá acentuar-se ainda mais caso as empresas alemãs demonstrem maior interesse em participar do processo brasileiro de privatizações, e caso novos investidores – sobretudo empresas de porte médio e pequeno, ainda não presentes no Brasil - venham a investir no país e a se interessar pela formação dejoint-ventures com sócios brasileiros.
Ainda no plano econômico-comercial. constitui fato positivo arecente elevação do Brasil para a categoria 3 no quadro de risco mantido pela Agência Hermes, em julho passado. Essa medida poderá doravante desonerar os custos de nossas transações, permitindo uma desejável intensificação das trocas comerciais e incentivando os fluxos financeiros de investimentos.
No plano multilateral, Brasil e Alemanha tambén1 compartilham visões convergentes, como no interesse pelo fortalecimento do sistema multilateral de comércio, pela reforma das Nações Unidas e pela aproximação política e econômica entre o Mercosul e a União Européia. Quero reiterar a satisfação do Governo brasileiro com o empenho do Governo alemão nesse processo de aproximação, que culminou, em dezembro último, com a assinatura do Acordo-Quadro de Madri. Sublinho, ainda, o construtivo papel desta Comissão na discussão da integração de nossos agrupamentos regionais, assim como dos acordos de cooperação entre o Brasil e a União Européia.
Senhores,
Nos últimos 22 anos, a Comissão Mista Brasil-Alemanha de Cooperação Econômica tem-se afirmado como o foro privilegiado para o exame do estado e do desenvolvimento das relações econômicas e financeiras entre os dois países. Nesta ocasião, podemos identificar as áreas de interesse comum e avaliar as perspectivas de incremento da cooperação bilateral, propondo providências e ações concretas para a implementação de projetos e de programas do interesse dos dois países.
No dia de hoje passaremos em revista uma agenda densa e diversificada. que reflete as muitas dimensões e vertentes que constituem o quadro global das relações entre o Brasil e a Alemanha. Trataremos aqui de temas tão importantes no quotidiano dessa relação como a evolução do comércio bilateral, as perspectivas para novos investimentos alemães no Brasil, a cooperação entre pequenas e médias empresas dos dois países, a formação de profissionais de nível médio e gerencial e as amplas perspectivas a serem exploradas na área do turismo. Pela primeira vez, introduzimos em nossa agenda o tema do agribusiness, área promissora para o desenvolvimento de uma proveitosa parceria entra alemães e brasileiros.
É importante que façamos uma reflexão conjunta sobre meios e modos a serem alcançados que permitam um monitoramento eficiente e confiável das recomendações da Comissão Mista, de tal forma que se possa assegurar a efetiva implementação de suas decisões e determinacões.
Temos, pois, muito trabalho à frente e um estimulante desafio à nossa capacidade de trabalho. Estou certo de que a história de êxito das relações teuto-brasileiras passa, em grande parte, pela história de sucesso desta Comissão. Confio em que esta Vigésima-Terceira Reunião da Comissão Mista, que ora se inicia, será digna continuadora dessa tradição e representará marco adicional à exitosa parceria entre Brasil e Alemanha. A importância que o Governo brasileiro atribui a esfe encontro é diretamente proporcional à intensidade de nossa interação econômico-comercial. Em razão disso, posso vos assegurar que não pouparemos esforços no sentido de aprimorar e incrementar as atividades desta Comissão Mista, de forma a acentuar-lhe, cada vez mais, a característica de instrumento fundamental do extraordinário relacionamento entre Brasil e Alemanha.
Muito obrigado.