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Intervenção da Secretária-Geral no evento "Mulheres na Segurança e Tecnologia da Informação" - Brasília, 26/3/2025
É uma honra e uma alegria estar aqui nesse evento que une duas dimensões fundamentais para o futuro do serviço público e da sociedade brasileira: a segurança e a tecnologia da informação, e o foco na questão de gênero. Ao realizar esse encontro, o Ministério das Relações Exteriores reafirma seu compromisso com áreas estratégicas para o país.
E decidimos realizar o evento em março, quando se comemora o mês da mulher. A iniciativa busca reforçar a conscientização sobre a presença feminina em todas as áreas do saber, da administração pública e do empreendedorismo, mesmo aquelas que são tradicionalmente associadas a um ambiente masculino.
O seminário também se insere no contexto das ações do Itamaraty voltadas a promover o letramento dos usuários de tecnologia sobre a importância de se assegurar a segurança da informação digital. Essa tarefa cabe também a nós, usuários, que temos de estar atentos e seguir as medidas de segurança. Para tal, o Itamaraty implementa atualizações voltadas ao reforço da segurança, como a autenticação multifatorial obrigatória e a incorporação dos postos no exterior à Rede Mundial do Itamaraty.
Falar de tecnologia no Itamaraty é também falar de pioneirismo.
O MRE tem uma longa trajetória na vanguarda da comunicação e da informação. Desde o século XIX, quando utilizávamos “correios a cavalos” ou cabos marítimos para permitir a transmissão de informação, até a criação de sistemas próprios e sofisticados de redes seguras, o Ministério sempre esteve atento às transformações tecnológicas e à sua relevância para a diplomacia e à interligação segura entre Secretaria de Estado e os postos no exterior.
O Itamaraty foi um dos primeiros órgãos da administração pública federal a compreender que informação é soberania — e que segurança da informação é um elemento-chave da política externa. Foi nesse espírito que surgiu, por exemplo, o sistema EXPED, ainda hoje uma das bases do intercâmbio de comunicações diplomáticas.
Mais recentemente, avançamos para plataformas como a Cordilheira, que ampliam a segurança, a interoperabilidade e a governança das informações. É um sistema exitoso, que agora compartilhamos com outras instâncias do governo federal, como o Ministério do Trabalho e Emprego, numa parceria firmada em dezembro de 2024. Ressalto que o Itamaraty está sempre pronto para cooperar e compartilhar suas soluções, com vistas ao fim comum de prestar o melhor serviço à sociedade.
Quando falamos de informação, tratamos, na verdade, de uma cultura de inovação contínua, que demanda investimentos concretos na transformação digital, na segurança cibernética e na requalificação de pessoal, sobretudo quanto ao reconhecimento e a valorização de talentos femininos, medida estratégica para que o Itamaraty siga avançando de forma equitativa e pioneira.
Essa transformação tem sido guiada por instrumentos que refletem o compromisso do MRE com a modernização e a segurança digital. O Plano de Transformação Digital (PTD), que recentemente entrou em vigor, é pilar essencial para avançar a digitalização de processos, a automatização de serviços e o fortalecimento de nossa infraestrutura tecnológica. Enquanto o PTD se volta ao objetivo de prestar o melhor serviço aos cidadãos, o Plano Diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação (PDTIC), aprovado para o triênio 2025-2027, busca atender às necessidades de todas as unidades do Ministério, de forma a garantir maior eficiência e segurança em nossos sistemas, traçando as linhas que nortearão os investimentos e programas do MRE em TI e inovação.
Além disso, estamos em fase final da elaboração da nossa Política de Segurança da Informação (POSIN), marco essencial para consolidar diretrizes e boas práticas voltadas à proteção de dados e à governança da informação, garantindo maior resiliência cibernética para o Ministério.
No âmbito da gestão documental, o MRE deu passo importante ao aderir ao Sistema Eletrônico de Informações do Governo Federal - SEI, reforçando o compartilhamento de informações e processos com os demais órgãos da administração pública e, assim, reduzindo a burocracia e fortalecendo a transparência na tramitação de documentos.
A transformação digital é especialmente desafiadora dada a natureza singular do nosso trabalho. O MRE conta com mais de 220 postos no exterior, em contextos geopolíticos e tecnológicos extremamente variados. Atendemos ainda aos mais de 6 milhões de brasileiros no exterior.
Nosso corpo técnico precisa lidar com legislações locais, conexões instáveis, fusos horários, riscos geopolíticos e, ao mesmo tempo, garantir a confidencialidade e a disponibilidade das informações sensíveis do Estado brasileiro.
A área de tecnologia ainda é, contudo, marcada por desequilíbrios de gênero. No Brasil, estima-se que apenas cerca de 20% da força de trabalho em TI seja composta por mulheres — número ainda menor quando falamos de cargos de liderança ou áreas altamente técnicas, como segurança da informação e criptografia.
É exatamente por isso que é tão importante dar visibilidade às mulheres que estão construindo esse caminho no Itamaraty. Profissionais mulheres — diplomatas, oficiais e assistentes de chancelaria, técnicas, analistas, terceirizadas — todas têm liderado projetos de transformação digital, modernização de sistemas, automação de processos e fortalecimento da segurança cibernética.
Mais do que usuárias de tecnologia, a presença das mulheres precisa ser reconhecida, valorizada e ampliada.
O Governo Federal atribui prioridade à democratização das comunicações e ao fortalecimento da atuação das mulheres no processo. O Ministério das Relações Exteriores, em alinhamento com a Estratégia de Governo Digital, está comprometido em implementar e avançar seus esforços nesse sentido. Isso significa investir em acessibilidade digital, em plataformas seguras e intuitivas para todas as pessoas, em serviços consulares modernos e inclusivos — e, também, em um corpo técnico diverso, com mais mulheres, mais pluralidade e mais inovação.
A segurança da informação, nesse contexto, não é apenas uma questão técnica. É uma questão de inclusão, de confiança institucional, de equidade e de soberania digital.
A presença de mulheres na TI fortalece a visão estratégica e multidisciplinar que o tema exige, para dialogar entre áreas, entender o contexto, formar redes de apoio, antecipar riscos.
É imprescindível que cada vez mais meninas e mulheres contemplem a área de tecnologia como um caminho viável e promissor para a construção de uma carreira sólida em segurança da informação, mesmo em instituições tradicionalmente masculinas.
Com esse objetivo, o MRE incluiu no seu plano de ação para o Programa Federal de Ações Afirmativas, lançado em dezembro de 2024, ação específica de capacitação de servidoras em tecnologia da informação. A ação visa à promoção da diversidade de gênero na área e pretende selecionar ao menos duas servidoras por ano para a realização de cursos sobre segurança da informação, ambiente de redes e inteligência artificial.
Aproveito a oportunidade para reconhecer o trabalho incansável das colegas do Departamento de Tecnologia e Gestão da Informação do MRE, das mulheres que atuam em temas de transformação digital nos postos, e de todas as mulheres que, dentro e fora do Ministério, vêm fortalecendo as pontes entre a diplomacia e a tecnologia.
A segurança da informação será um dos grandes desafios do século XXI. E as mulheres que compõem metade da população brasileira devem estar incluídas no debate.
Neste evento das Mulheres na Segurança e Tecnologia da Informação, celebramos as conquistas e reforçamos o compromisso do Itamaraty com uma cultura digital segura, inclusiva e diversa.
Sigamos unidos para construir um futuro digital que represente a todas e todos — com mais segurança, mais equidade e mais inteligência coletiva.
Muito obrigada.