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Discurso da Secretária-Geral na Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS – 3 de junho de 2025
Excelentíssima Deputada Jack Rocha, Coordenadora da Bancada Feminina na Câmara de Deputados,
Excelentíssima Senadora Leila Barros, Líder da Bancada Feminina no Senado Federal, nas pessoas de quem cumprimento as demais parlamentares brasileiras presentes.
Excelentíssimas parlamentares dos países membros e parceiros do BRICS,
Senhoras e Senhores,
É uma honra representar o Ministério das Relações Exteriores do Brasil neste importante encontro da Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS, promovido pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados e pela Liderança da Bancada Feminina do Senado Federal.
Parabenizo as Excelentíssimas Deputadas e Senadoras pela organização desta reunião, que dá centralidade à participação das mulheres no enfrentamento dos desafios globais. Esta iniciativa comprova o permanente engajamento do Congresso Nacional e dá seguimento às recomendações da Carta de Alagoas, documento final da 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do P20, realizada em julho de 2024, em Maceió, durante a presidência brasileira do G20.
Recordo que a Carta de Alagoas, de iniciativa das parlamentares brasileiras aqui presentes, foi estruturada em 3 eixos principais: 1 - o aumento da participação das mulheres nas decisões políticas; 2 - o combate à crise climática; e 3 - a promoção da igualdade de gênero e a autonomia econômica das mulheres. Estou certa de que esse importante documento servirá de referência para os debates da presente Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS e contribuirá para ampliar a articulação de mulheres parlamentares dos nossos respectivos países.
A realização desta Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS é um marco importante, pois reconhece o papel das mulheres como agentes políticas e protagonistas da transformação social e institucional dos nossos países e se soma a outras frentes de articulação feminina no âmbito do BRICS, como a Aliança Empresarial das Mulheres, que tem promovido o empreendedorismo e a inclusão econômica em áreas estratégicas.
Recebemos do Presidente Lula diretrizes claras quanto às prioridades da presidência brasileira do BRICS, com ênfase na promoção de um agrupamento mais inclusivo, representativo e conectado às realidades dos nossos povos. Alegra-me ver que essas prioridades estão refletidas no programa da presente reunião.
Ao falarmos de mudança do clima, estamos falando de justiça. As mulheres, especialmente nos países em desenvolvimento, são as primeiras afetadas por eventos extremos e as últimas a terem acesso a soluções. O BRICS tem um papel a desempenhar na discussão sobre financiamento climático justo e acessível, com atenção especial às populações vulneráveis. O BRICS também deve atuar para promover a igualdade de gênero nas estratégias de adaptação e mitigação e no reconhecimento do papel das mulheres na construção de sociedades mais saudáveis, sustentáveis e resilientes à mudança do clima.
No tema da inteligência artificial, é urgente que avancemos na regulação do uso de novas tecnologias, de forma que os avanços não reproduzam — ou aprofundem — desigualdades de gênero ou disseminem a misoginia e a violência de gênero. Precisamos também promover o acesso das mulheres à economia digital e à capacitação tecnológica, para que possam se beneficiar plenamente das oportunidades geradas pela transição digital.
Com esses desafios em mente, pretendemos adotar, durante a Cúpula do Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho, uma declaração de líderes a respeito de Financiamento Climático e outra sobre a Governança da Inteligência Artificial.
Por fim, ao pensarmos o futuro do BRICS, é imperativo que construamos um agrupamento mais representativo, mais coeso e com capacidade real de ação e resposta aos desafios do nosso tempo. A voz da metade feminina da população mundial precisa estar no centro dessa construção. A inclusão de lideranças femininas, em todos os níveis, fortalece a legitimidade das decisões e amplia o horizonte das soluções.
Esta reunião entre parlamentares mulheres sinaliza o tipo de liderança de que o mundo precisa: uma liderança com empatia, visão e coragem para transformar.
Como todas e todos sabemos, a presença ativa de lideranças femininas nos espaços de decisão, nacional e internacional, é indispensável para construirmos soluções mais justas, sustentáveis e duradouras.
Diante da persistente ameaça de retrocessos e da manutenção de altos índices de discriminação e violência política de gênero em diversos países, inclusive o nosso, defender condições mínimas de respeito e de exercício dos direitos políticos das mulheres, mais do que nunca, demanda nossa atenção permanente e esforço conjunto contínuo.
É inspirador ver reunidas aqui parlamentares mulheres dos diversos países que compõem o BRICS, refletindo a diversidade, a força e o compromisso de nossas sociedades com uma agenda mais equitativa e transformadora. A atuação dessas lideranças é fundamental para dar concretude aos objetivos da nossa cooperação.
O Itamaraty segue à disposição para apoiar sempre essa articulação de mulheres parlamentares e contribuir para que a presidência brasileira do BRICS, em 2025, seja lembrada por sua representatividade e por seus resultados concretos.
Muito obrigada.