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Entrevista coletiva concedida após Sessão Plenária da Cimeira União Européia- Brasil - Lisboa, Portugal, 04/07/2007
Presidente Lula: Em primeiro lugar, quero dizer para vocês da alegria de podermos estar constituindo essa Cimeira, quando Portugal assume a Presidência do Conselho da União Européia e, ao mesmo tempo, tem o ex-Primeiro- Ministro Durão Barroso à frente da Comissão Européia. Coincidência ou não, foi preciso que Portugal assumisse o poder na União Européia para que essa Cimeira pudesse se concretizar.
A segunda coisa é que nós, brasileiros, temos consciência da relação que a União Européia tem com o Brasil e tem com os países da América do Sul. É importante lembrar que os portugueses aportaram no Brasil em 1500, é importante lembrar que, depois dos portugueses, os franceses tentaram entrar e portugueses e brasileiros não deixaram. Depois, os holandeses tentaram entrar e nós também não deixamos. Mas, em 1850, os alemães aportaram no Brasil e estão lá, como estão os italianos, que chegaram em 1875, como estão os espanhóis, que chegaram no começo do século XX. E hoje o Brasil é uma nação, eu diria, que tem um povo que é o resultado dessa miscigenação entre europeus, índios e negros, e que permitiu que saíssemos do jeito que somos: com samba, com carnaval, com futebol e com muita vontade de vencer na vida.
A terceira coisa é que essa parceria estratégica entre União Européia e Brasil e, certamente, União Européia e Mercosul – em algum momento vamos avançar – vai permitir que as coisas que estão funcionando bem continuem funcionando bem, que as coisas que não estão funcionando possam ser aperfeiçoadas, para que possamos dinamizar a nossa economia, para que possamos ser parceiros nas discussões de coisas em que já somos parceiros e que, com pequenas divergências, poderemos consertar.
Por exemplo, nós somos, hoje, parceiros na compreensão de que é preciso mudar, fazer uma profunda reforma nas Nações Unidas, e de que é preciso mudar o Conselho de Segurança da ONU, que outros continentes precisarão estar representados para que a ONU seja, definitivamente, uma instituição multilateral altamente democrática e representativa do mundo em que vivemos hoje, que é muito diferente do mundo em que vivíamos na década de 40, quando ela foi criada.
Da mesma forma, estamos convencidos de que a questão climática é um conjunto de deveres e direitos que todos nós temos. Sabemos que os países que mais poluem precisam diminuir a poluição, que os países que ainda têm matas e florestas precisam preservá-las o máximo possível e, ao mesmo tempo, que é preciso que haja contrapartida para que a gente possa ajudar no desenvolvimento dos países mais pobres.
A história da relação Brasil e União Européia é uma história longa, como eu disse no início. A história de Brasil e Portugal é mais do que longa, é desde o tempo em que o Brasil ainda não era Brasil, ou seja, era um espaço geográfico perdido no Oceano Atlântico. E só temos agora que aperfeiçoá-la. O mundo globalizado vai exigir de todos nós muito mais competência, muito mais discernimento, muito mais vontade de fazer as coisas de forma mais correta do que fizemos até agora.
Com relação à Rodada de Doha, acho que é importante, se a gente quiser acabar com a especulação que todo o dia aparece na imprensa: “Fracassou a Rodada de Doha. Não sei quem não quis fazer a Rodada de Doha”... A verdade nua e crua é a seguinte: se a Europa tivesse concordado com os números do Brasil, se o Brasil tivesse concordado com os números americanos, se os americanos e europeus tivessem concordado conosco, com o Brasil, e o G-20 tivesse concordado com os números americanos e europeus, teria tido acordo. Ora, se não teve acordo, é porque não houve concordância.
O que isso explica? Isso explica que nós precisamos, de forma muito madura, voltar a sentar à mesa, saber onde é que tem problemas. Sempre tem um probleminha, as pessoas não gostam, mas todo o mundo sempre tem uma outra cartinha no bolso do colete e, certamente, o Brasil terá a sua e, certamente, os outros também terão. A gente não pode é ficar nervoso. Em negociação, não vale ficar nervoso, não vale ficar irritado, vale sentar à mesa, tirar as diferenças e negociar.
Eu só posso dizer para vocês que, da parte do Brasil, seremos incansáveis na construção de números que sejam factíveis para todos os países que compõem a mesa de negociação, tendo com orientação que os que precisam ganhar mais são os países mais pobres, os que precisam ganhar menos são os países mais ricos e países em desenvolvimento.
Isso colocado, poderemos chegar a um acordo. Obviamente que eu penso que Celso Amorim, Peter Mandelson e Durão Barroso trabalharam tanto que gostariam até de ter tirado umas férias depois da negociação. Mas não teve negociação, então vocês vão ter que continuar trabalhando a duras penas, para que a gente possa fazer esse acordo.
Meu caro Durão Barroso, saio daqui amanhã e vou a Bruxelas, acompanhado do Ministro Durão Barroso, do Ministro Sócrates e de outros companheiros da Europa, para discutir aquilo que eu acho que será a revolução energética do século XXI, que serão os biocombustíveis. Tenho dito que vai ter gente contra, vai ter gente a favor, mas será inexorável. Não existe outro jeito de desaquecermos o Planeta Terra se nós não tivermos consciência de que devemos diminuir a emissão de gases, criar um novo combustível, uma nova matriz energética, para que possamos resolver esse problema.
Será inexorável, sobretudo para quem é mais jovem aqui, daqui a 20 anos – não sei se um brasileiro que foi presidente da República aos 61 anos de idade vai estar vivo ainda –, mas certamente vai ter muito jovem que está aqui que vai poder acompanhar. Na minha opinião, em menos de 20 anos, o biocombustível será a principal matriz energética de muitos países do mundo.
Se a Europa cumprir o que está dizendo até 2020, com a introdução de 10% de biocombustíveis no óleo diesel, se o Japão cumprir o que está dizendo e se os Estados Unidos tiverem muita inteligência e não utilizarem o etanol do milho, mas o produzirem de outros derivados, certamente nós estaremos resolvendo um dos problemas do mundo.
Como sou um homem de muita fé e de muita esperança, e sou uma pessoa que pensa o futuro de forma muito otimista, acho que essa parceria União Européia e Brasil vai ajudar, para que muitas coisas que pareciam difíceis ontem não sejam mais difíceis amanhã.
Jornalista: Muito obrigado. Gostaria de perguntar, de forma muito concreta, envolvendo as questões e dificuldades de Doha e perguntar, em particular, ao Presidente Lula se não nos quer revelar qual é a cartinha que está no bolso. E se me é permitido falar, eu gostaria também de saber que efeito essa parceria estratégica, essa posição estratégica poderá ter nas relações entre a União Européia e o Mercosul, tanto mais tendo em conta países.
A segunda coisa que eu acho importante que as notícias que vieram de alguns jornais, de algum mal-estar ou alguns ciúmes por parte dos países do Mercosul em relação a essa parceria estratégica?
Presidente Lula: São para mim as duas? Primeiro, não estou na mesa de negociação. O Brasil tem o nosso representante, que é o Ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores. Entretanto, eu, desde os 23 aos de idade – portanto há 38 anos – não faço outra coisa a não ser participar de mesa de negociação, seja fazendo greve, de um lado e negociando com os empresários, seja negociando entre partidos políticos, seja negociando com governos. E penso que todas as negociações são difíceis. É só a gente perceber há quanto tempo se tenta encontrar um acordo para o Oriente Médio e não se consegue. E uma negociação comercial que envolve interesses de países pequenos, produtores de poucos produtos agrícolas, e que envolve países altamente desenvolvidos, de agricultura sofisticada, de alta tecnologia, é sempre muito complicada, é sempre muito difícil, porque as pessoas, cada uma quer tirar o melhor para o bloco que está representando, até porque cada um representa um interesse em jogo.
Penso que, pelo que ouvi do Durão Barroso, pelo que eu ouvi do Peter Mandelson, o que acho? Acho que há uma disposição de voltar a dialogar e ver se é possível encontrar onde as coisas não foram possíveis de acontecer. Eu estou convencido de que faríamos um bem para a humanidade se fizéssemos um acordo, mesmo que não fosse o acordo dos sonhos da União Européia, que não fosse o acordo dos sonhos do G-20 e não fosse o acordo dos sonhos dos Estados Unidos, mas que fosse um acordo em que os países mais pobres do mundo tivessem ao menos um pequeno ganho. Se isso acontecer, penso que todos nós cumprimos pelo menos a primeira etapa da função na nossa passagem pelos governos de nossos dizer é que Portugal tem um significado muito grande para a alma do povo brasileiro. O meu Silva não é um Silva inglês ou um Silva alemão, é um Silva português. Então, essa relação com Portugal ocupando um espaço importante na política européia, com dois cargos importantes, obviamente que facilita. Tenho provocado os empresários brasileiros a se transformarem em empresários multinacionais, porque cada empresa brasileira que aportar num país é uma bandeira do Brasil que está dentro daquele país. Estamos avançando nisso ainda de forma incipiente. Eu próprio, com o ministro Sócrates, já conversei com alguns empresários e, sobretudo, com um importante, para que viesse implantar uma fábrica aqui, o que é importante para Portugal e para o Brasil. E acho que essa parceria estratégica vai facilitar para que possamos trabalhar juntos. Vamos ter uma reunião todo ano, o que já é uma coisa extremamente importante, cada ano será em um país. Ou seja, daqui a alguns anos, estaremos, quem sabe, consolidados nessa parceria estratégica, produzindo efeitos muito maiores do que produzimos hoje. Afinal de contas, penso que quem tem a relação que nós temos com a União Européia, o Oceano Atlântico não pode ser considerado obstáculo, até porque ele é o caminho pelo qual podem transitar as riquezas produzidas nos dois continentes.
Jornalista: (Clóvis Rossi, do jornal brasileiro Folha de São Paulo). Pergunta para o Presidente Lula. Presidente, o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson – me corrija se eu estiver errado – nos disse esta tarde que quem lhe fez o relatório sobre a proposta agrícola européia, na reunião de Potsdam, há 15 dias, apresentou o script de cabeça para baixo.
Eu queria saber se, durante as conversas de hoje, ele lhe convenceu de que a proposta européia é perfeitamente aceitável e se, em conseqüência, o Brasil estaria disposto a fazer as concessões demandadas pela União Européia na área de bens industriais e que tipo de concessões seriam essas.
PresidenteLula: Primeiro, nós não negociamos hoje, a reunião não foi para negociação. Essa resposta, Rossi – eu não sabia que você ia me perguntar isso – eu tentei responder na primeira resposta que eu dei. Obviamente que o Durão Barroso, como negociador da União Européia, o Peter Mandelson, como negociador da União Européia, o Celso Amorim, como negociador do G-20, cada um representa um lado da negociação. Obviamente, cada lado vai tentar defender as idéias que foram discutidas no bloco de países que representa. O Celso Amorim tem que prestar contas aos países do G-20, os companheiros da União Européia prestam contas à União Européia e o negociador americano presta contas aos americanos. Ou seja, não espero que nenhum concorde com os números dos outros. Não estou avaliando o que disse ninguém aqui, estou apenas constatando o óbvio ululante. Se os números fossem satisfatórios, teria tido acordo. Não teve acordo é porque tem alguma coisa equivocada. É apenas isso.
Jornalista: É uma pergunta para o Presidente Lula. Eu gostaria de saber: o Brasil, sendo um parceiro especial da União Européia, isso pode ser um caminho de abertura para um possível acordo de comércio entre a União Européia e o Mercosul?
Presidente Lula: Eu acredito que sim, que é disposição do Brasil fazer com que União Européia e Mercosul façam um acordo, e tenho certeza que também é convicção da União Européia trabalhar um acordo com o Mercosul. O resultado de uma reunião como essa que tivemos, o nosso compromisso, é contar o que aconteceu nesta Cimeira para os nossos parceiros do Mercosul, para os nossos parceiros da América do Sul, porque nós precisamos construir, entre todos os parceiros, a idéia de que o acordo pode ser extremamente interessante para todos nós. Afinal de contas, a América do Sul e o Mercosul são países pobres que precisam de muitos investimentos, que precisam de muita infra- estrutura e, obviamente, parcerias com empresários europeus podem ajudar muito a América do Sul. Então, esse acordo pode ser de interesse de todos os países da América do Sul, de todos os países do Mercosul. E o Brasil é um parceiro, o Brasil não quer ser o canal, o Brasil quer ser apenas um parceiro para facilitar essas negociações.
Jornalista: Uma pergunta muito rápida para o Presidente Lula. Nos últimos anos, sobretudo nos seus mandatos, a União Européia tem descido claramente na lista das prioridades da política externa brasileira.A minha pergunta é se esta Cimeira, não só em termos do interesse econômico do Brasil, em matéria de biocombustíveis, por causa da nova estratégia energética da Europa, mas há razões políticas para que a União Européia volte a subir na lista das prioridades do Brasil, ou não há essas razões políticas?
Presidente Lula: Mas a União Européia já está nas nossas prioridades há muitos e muitos anos! Se você vir, o capital europeu investido no Brasil ultrapassa 150 bilhões de dólares. Grande parte das fábricas que produzem produtos de alto valor agregado, com exceção da Embraer, são empresas européias, não são empresas brasileiras. Portanto, essa interação é extremamente importante, não apenas para o Brasil com a União Européia, mas para a União Européia com o Brasil. Porque no fundo, no fundo, eu estou convencido de que, neste século XXI, a América do Sul e a América Latina não irão jogar fora as oportunidades que jogaram no século XX. Nós vamos ter a possibilidade de crescimento e obviamente que há interesse dessa relação entre a União Européia e os países da América do Sul.
Vamos trabalhar para isso, porque se a América do Sul continuar crescendo, com taxa equilibrada, de todos os países, a uma média de 5% ou 6% ao ano, nós vamos precisar estabelecer parcerias, seremos os melhores consumidores, seremos os melhores exportadores. E muitos países que já têm uma relação privilegiada com a União Européia irão apenas melhorar essa relação.
Jornalista: (Marcos Losekann, da TV Globo do Brasil) A pergunta, eu acho que vocês três poderiam responder, porque envolve os dois lados do Atlântico e o lado de cima da nossa América.
Presidente Lula: Uma verdadeira pergunta em três tempos.
Jornalista: É, em três tempos. Hoje se falou muito uma palavra que eu até anotei aqui: “parceria”. Quando se fala em parceria, a gente entende as pessoas pensando e tentando pensar igual para achar um caminho semelhante. Nós temos, na América Latina, um presidente de um país que já recebeu críticas, inclusive do senhor, senhor Barroso, que é o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por atitudes consideradas não- democráticas. Ele está lutando para entrar no bloco da América do Sul, o Mercosul, e deu até um ultimato ao Brasil ontem, dizendo que se o Brasil não o aceitar – o Brasil, porque o Congresso Nacional brasileiro ainda precisa ratificar a aceitação dele – até o mês de setembro, ele retira a candidatura. Um ultimado, com essas palavras. E os senhores não são muito dados a ter parceiros não-democráticos. Como é que seria isso se, por acaso, a Venezuela vier a fazer parte do Mercosul? Como é que vocês lidariam com Hugo Chávez? E o senhor, o que diz do ultimato, Presidente?
Presidente Lula: Posso começar? Na verdade vocês dois são o pretexto para a pergunta ser feita para mim. Ora, veja, primeiro eu faço questão de dizer em todos os lugares do mundo que o Brasil tem uma extraordinária relação com a Venezuela, uma relação importante, que tem a construção de um gasoduto que atravessa praticamente toda a América do Sul, atravessa o Brasil inteiro para chegar ao Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile. Estamos construindo esse projeto junto com a Petrobras e a PDVSA, refinaria na Venezuela e refinaria no Brasil. Na Venezuela, 60% da Venezuela e 40% do Brasil, e no Brasil, 60% do Brasil e 40% da Venezuela. Então, nós temos uma boa relação. Fui eu, em Mar del Plata, que propus aos companheiros a entrada do companheiro Chávez no Mercosul. Obviamente que, para entrar, tem que ter a aceitação dos quatro membros do Mercosul, tem que ter a aprovação dos congressos nacionais de cada país do Mercosul. Já foi aprovado no Uruguai e na Argentina, falta ser aprovado no Paraguai e no Brasil. Bom, para entrar, então, tem que ter regras. Agora, para sair não tem regras. É só não querer ficar e não fica.
Agora, veja, eu acho muito difícil fazer política internacional interpretando coisas que as pessoas falaram em função do momento da pergunta. Uma relação entre dois Estados se dá com muita conversa. Eu imaginava que ia conversar com o Chávez, agora, no Paraguai, e ele não foi ao Paraguai porque tinha um compromisso no exterior, mas não vai faltar oportunidade para eu conversar com o Chávez e saber o que está acontecendo. Porque queremos não apenas a Venezuela, queremos o Equador, a Bolívia, a Colômbia, o Peru – queremos todo o mundo no Mercosul. Até porque achamos que é vantajoso para esses países participarem do Mercosul, é muito vantajoso. Acabou o tempo em que ganhávamos alguma coisa ficando uns de costas para os outros. Olhando para nós mesmo, nós temos uma chance extraordinária.
E como eu, além de ser chefe do Estado brasileiro e o Chávez ser chefe do Estado venezuelano, sou amigo dele, podem ficar certos de que não faltará momento e nem oportunidade para uma prosa – e boa – com o Chávez, para saber o que está acontecendo de verdade.
Presidente da Comissão Européia: Se quer uma resposta, eu também digo que a política da União Européia não mudou. Nós desejamos e apoiamos todos os focos de integração regional. E tudo contribui para que o Mercosul seja mais forte e apoiado pela União Européia. E por isso, se a Venezuela quer entrar no Mercosul, se cumpre todos os critérios, nós ficamos satisfeitos.
Primeiro-Ministro Durão Barroso: Precisamente. Como se costuma dizer, tirou-me as palavras da boca. Compete aos países da América Latina definir as integrações que querem levar a cargo, não compete à União Européia dizer quais devem ser os membros deste ou daquele agrupamento regional. E a nossa posição tradicional sempre foi a de apoiar a integração regional. Aliás, os próprios presidentes da América Latina muitas vezes têm dito, ainda hoje o Presidente Lula nos disse, que a experiência da integração européia é uma inspiração para muitos casos de integração na própria América Latina.
Mas, em relação à questão concreta que me colocou, quanto a comentários que eu fiz, quero que fique absolutamente clara a nossa posição: nós defendemos, em relação a qualquer parte do mundo, seja América Latina, Europa, Ásia, a liberdade de expressão. E sempre que há uma redução do pluralismo na expressão pública e da opinião pública, nós temos o direito, e eu diria, temos o dever, de manifestar a nossa preocupação. O senhor (inaudível) é jornalista de uma das grandes televisões privadas do mundo e do Brasil, qual seria a reação se houvesse alguma decisão administrativa contra o direito de emitir essa televisão. Por isso nós, (inaudível) que a posição da Comissão Européia é a de exprimir preocupações, seja em relação a que país for, e às vezes temos feito na própria Europa, quando nos parece que, de alguma forma, se reduz o espaço de liberdade diariamente em relação ao direito da imprensa.
Senhor jornalista, muito obrigado.