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Declaração à imprensa por ocasião da visita ao Brasil do Presidente da França, Jacques Chirac (Brasília, 25.5.2006)
A visita do Presidente Chirac é oportunidade para consolidar uma parceria privilegiada que foi lançada durante minha visita a Paris, em julho de 2005. É uma oportunidade para retomarmos e aprofundarmos assuntos da pauta bilateral, bem como de alcance regional e internacional.
Temos tido na França um importante aliado no encaminhamento de questões internacionais cruciais. Sabemos que somente um mundo multipolar, com instituições multilaterais renovadas, pode fazer frente aos desafios do mundo contemporâneo. Queremos um mundo mais democrático, baseado no diálogo e na cooperação internacional. Acreditamos que a construção de um mundo mais justo e estável passa pela prioridade das questões sociais.
Temos visões convergentes em temas como a reforma da ONU. O Brasil acredita que a França, pelos seus laços históricos e humanos, pode desempenhar papel importante na reconstrução econômica e social da Nação haitiana.
Em Genebra lançamos, em 2004, junto com o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, e o Presidente Lagos, do Chile, a Ação Internacional contra a Fome e a Pobreza, à qual se associaram posteriormente numerosos chefes de Estado e de Governo.
Estamos trabalhando com outros países na adoção de uma contribuição solidária sobre passagens aéreas internacionais. Com os recursos arrecadados, lançaremos uma Central Internacional de Compra de Medicamentos, para tornar mais acessíveis medicamentos contra a Aids, malária e tuberculose, as três doenças que mais afetam os países pobres.
Nossa parceria é exemplo de como países desenvolvidos e em desenvolvimento podem trabalhar juntos em favor das nações mais pobres. Esse esquema de cooperação tem se beneficiado das reuniões do G-8 ampliado, com a participação de países emergentes, iniciativa pioneira tomada pelo Governo francês na Cúpula de Evian, em 2003.
Quero agradecer, mais uma vez, o apoio da França ao ingresso do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Estamos estabelecendo um mecanismo de consultas políticas reforçado, com reuniões regulares de alto nível. Nossa parceria ganhou impulso com a criação de grupos de trabalho sobre temas estratégicos, com conteúdo de alta tecnologia, tais como energia renovável, defesa, inovação tecnológica, energia nuclear e tecnologias espaciais.
Estamos adotando hoje uma declaração conjunta que expressa o interesse da França em associar-se ao Brasil para desenvolver o mercado internacional de etanol e disseminar tecnologias para a produção de biocombustíveis em países da África e do Caribe. Vamos apresentar conjuntamente essa proposta na próxima reunião do G-8.
Nosso comércio bilateral mais do que dobrou nos últimos 10 anos. Nos últimos 3 anos, cresceu mais de 60%, ultrapassando 5 bilhões de dólares, em 2005. A França é hoje o quarto maior investidor estrangeiro no Brasil. Queremos que volte a ocupar posição de muito mais destaque. Também temos interesse em trabalhar juntos por um acordo entre o Mercosul e a União Européia. Queremos encontrar um denominador comum, justo e equilibrado, que permita um resultado ambicioso na rodada de Doha, em benefício sobretudo de países mais pobres, e que fortaleça o multilateralismo.
Assinamos, em 2005, um acordo para a construção da ponte sobre o rio Oiapoque, que ligará o Amapá à Guiana Francesa. O acordo já foi aprovado pelo Congresso Nacional brasileiro. E sei que contaremos com o apoio do presidente Chirac para sua pronta aprovação pelo legislativo francês. Será uma ponte que ajudará a estreitar a cooperação na região fronteiriça e a reforçar a integração física de toda a América do Sul.
Para melhorar ainda mais nosso diálogo, estamos adotando iniciativas para estimular o ensino do português na França e do francês no Brasil, bem como o intercâmbio acadêmico. Também queremos intensificar nossa cooperação em temas ligados à defesa, que vão desde pesquisa e desenvolvimento, treinamento conjunto, intercâmbio de instrutores e cooperação em pesquisa e desenvolvimento.
Um bom exemplo dessa cooperação é a implantação de uma fábrica, em São José dos Campos, para produzir fuselagens de helicópteros para a comercialização em nível mundial. Para coroar a aproximação entre nossos dois países e, sobretudo, entre brasileiros e franceses, estamos anunciando a realização, em 2009, do “Ano da França no Brasil’. Estou certo de que, assim como o “Ano do Brasil na França”, superará todas as expectativas.
Também não colocamos no protocolo – porque não era possível colocar – a intenção de que o Brasil e a França façam a final da Copa do Mundo de 2006, e como a França ganhou em 1998, que agora é a vez de o Brasil ganhar, em 2006. O Presidente Chirac não se colocou muito de acordo, disse que ia pensar e vamos aguardar o resultado.
Muito obrigado.