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Palavras no encerramento da reunião de líderes mundiais para a “Ação contra a fome e a pobreza” - Nova York, 20 de setembro de 2004
Gostaria, primeiro, de pedir desculpas. Há um grande número de dirigentes, ministros, presidentes, representantes de instituições importantes para nós no combate à miséria, como o nosso querido Enrique Iglesias, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o nosso querido
Somavia, que não falou aqui, hoje.
Mas penso que os que falaram demonstraram que já temos total conhecimento do grave problema que significa a pobreza no mundo e da necessidade de uma nova ordem econômica que leve em conta, efetivamente, o ser humano.
Penso que estamos começando, mais uma vez, porque em outros momentos já aprovamos notas, já aprovamos documentos, mas, quando voltamos para os nossos países, cada um fica preocupado com o seu problema e se esquece das decisões que tomamos no ano anterior. Penso que precisamos fazer da política de combate à fome e à pobreza quase que uma profissão de fé, na nossa ação cotidiana, nas reuniões que fizermos daqui para a frente, entre ministros de vários países, presidentes, instituições financeiras, aqui estão presentes ONGs, sindicados, igrejas.
Penso que um movimento que envolve a sociedade, como este que vocês conseguiram juntar aqui, neste Plenário, pode dar-nos a esperança de que estamos dando um outro passo, com um compromisso um pouco maior, já com o aprendizado de outros momentos que tivemos aqui, na sede das Nações Unidas.
Cada um de vocês vai receber a Declaração, que já teve a adesão de 107 Chefes de Governo e Presidentes da República. Penso que, quando retornarmos para casa, muitas vezes magoados, porque o tempo foi muito curto, dois minutos, um minuto e, ainda, com a campainha tocando de vez em quando – não sei se vocês perceberam, a campainha pegou o Presidente Kirchner de surpresa e tem um barulho que nos deixa preocupados –, sei que todo mundo tinha preparado um discurso para falar um pouco mais, tinha mais assunto para falar. Mas, muitas vezes, a nossa capacidade de síntese é tão grande que, mesmo falando dois minutos, acho que as pessoas falaram a essência daquilo que era importante dizer.
Quero, portanto, do fundo do coração, agradecer aos meus pares, aqui, coordenadores. Mas, sobretudo, quero agradecer a vocês que atenderam ao chamamento e vieram e aqui ficaram todas essas horas, sentados, para falar apenas dois minutos. Mas penso que foram dois minutos que podem contribuir muito mais do que muitos discursos de horas e horas que fizemos em outros lugares e que não conseguimos concretizar, materializar uma saída.
Quero terminar dizendo que sou agradecido à vontade de vocês, à compreensão de vocês. Que- ro terminar dizendo: não tenho dúvida de que os pobres do mundo começam, a partir da vontade demonstrada por vocês ao comparecerem a esta reunião, a ter um pouco mais de esperança de que iremos derrotar a fome e a pobreza.
Muito obrigado a todos e até amanhã.