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Discurso por ocasião de almoço no Congresso Nacional - Santiago, Chile, 23 de agosto de 2004
Meu agradecimento ao Senador Larrain e ao Deputado Lorenzini pelo convite para estar hoje entre os membros do Congresso Nacional chileno.
É uma honra poder reunir-me com os parlamentares que representam com espírito público o povo chileno. Em primeiro lugar, porque podemos celebrar juntos a longa, mas vitoriosa, luta pela construção da democracia no continente sul- americano. Sabemos que não há democracia real sem parlamentos atuantes, verdadeiramente representativos. Necessitamos de parlamentos que saibam exprimir a diversidade de interesses e de correntes de opinião de nossas sociedades. Necessitamos de parlamentos que saibam conciliar diferenças, criando, na diversidade, o consenso e as linhas de conduta que sirvam ao povo como um todo. Precisamos de mudanças, de maior justiça social.
Sabemos que ainda somos um continente de países em desenvolvimento. Mas só podemos conceber transformações que nasçam do debate livre, do encontro de perspectivas diversas. Nem sempre isso é fácil. As soluções não são tão imediatas como gostaríamos. Porém, no trabalho paciente de tecer o futuro a partir do debate e do diálogo, está a força do Parlamento. O Parlamento se agiganta - em momentos de transformação - quando as sociedades explicitam suas aspirações. Ele cresce quando o tempo da história se acelera, quando as demandas sociais aumentam com a prática da democracia.
Meus caros amigos,
Presto minha homenagem ao Parlamento chileno, pelo que tem representado para a consolidação da democracia e a reconciliação nacional deste país amigo. Sei do árduo caminho trilhado para chegar-se a este momento. O Chile, pela solidez de seu crescimento, estabilidade política e projeção internacional, deve ser admirado por todos os que lutaram pela democracia na América Latina. Este é um país em que a liberdade se afirma plenamente. Um país que, como o Brasil, está em busca da justiça social.
Nós, no Brasil, também percorremos um caminho árduo. Também vivemos a luta pela afirmação dos direitos humanos. Pela reconciliação nacional. Pelo restabelecimento da democracia. Nosso destino comum, traçado por nossas histórias, é a cooperação e a solidariedade. Não tenho dúvidas de que é o que desejam, profundamente, os nossos povos.
Venho ao Chile para renovar uma parceria que tem profundas raízes históricas. Seus alicerces são a coincidência de propósitos e de valores e a consciência da responsabilidade que nossas afinidades nos impõem no cenário regional e internacional. Daí a coordenação de nossos esforços nos foros internacionais, cujos exemplos mais recentes são o trabalho no G-20 e no Conselho de Segurança. Por isso, estamos juntos na paz e na reconstrução do Haiti. Chile e Brasil podem de fato prestar uma contribuição importante na luta por um mundo menos injusto e mais democrático. Por isso, estamos promovendo, com o Secretário-Geral da ONU e os Presidentes da França e da Espanha, a reunião de líderes mundiais em 20 de setembro, em Nova York. Aí vamos lançar as bases para uma grande iniciativa que mobilizará a comunidade internacional contra as maiores chagas de nosso tempo: a fome e a pobreza.
Quero que minha visita ao Chile seja também a celebração da confiança no que já realizamos e no muito que ainda vamos fazer juntos. Desejo que minha presença nesta Casa sirva de oportunidade para convidar o Chile a ampliar e fortalecer a amizade que sempre nos uniu.
Muito obrigado.