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Discurso no jantar em homenagem ao Presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-Hyun - Palácio Itamaraty, 16 de novembro de 2004
Excelentíssimo Senhor Roh Moo-Hyun, Presidente da República da Coréia, e sua digníssima esposa; minha companheira Marisa; excelentíssimo senhor Ministro Nelson Jobim, Presidente do Supremo Tribunal Federal; Deputados; Senadores; Ministros da Coréia e do Brasil; empresários; meus amigos e minhas amigas,
Recebo o Presidente da República da Coréia, Roh Moo-Hyun, com um sentido muito especial de identidade. O Presidente Roh e eu temos um passado comum de luta. Ele como advogado da classe trabalhadora e eu como líder sindical. Essa experiência, Senhor Presidente, nós dois trouxemos para nossos programas de governo. Ambos temos como prioridade máxima a redução das desigualdades e a garantia do bem-estar e da dignidade para todos nossos concidadãos.
É essa determinação de promover um desenvolvimento mais solidário e cooperativo que sempre orientou o relacionamento entre o Brasil e a Coréia. A comunidade coreana que o Brasil acolheu aqui encontrou empregos, prosperidade e uma nova vida. Essa comunidade de 45 mil pessoas está retribuindo essa generosidade integrando-se à sociedade brasileira e ajudando a construir o Brasil do futuro.
Brasil e Coréia dispõem hoje de sólidas instituições democráticas e economias estáveis e diversificadas. Queremos construir novos laços de amizade e colaboração sobre essas sólidas fundações. Por meio da “Parceria Especial para o Século XXI”, estamos levando nossa cooperação para o campo da tecnologia de ponta. A criação de um Centro de Tecnologia da Informação nos permitirá juntar esforços nos campos estratégicos de biotecnologia, tecnologia espacial, eletro-eletrônica, metalurgia e tecnologias limpas.
Empresas brasileiras e coreanas estão desenvolvendo associações também em matéria de mineração e energia, atestando a crescente amplitude de nossas relações comerciais e econômicas.
A maturidade que a parceria entre o Brasil e a Coréia vem ganhando nos estimula a olhar para o futuro com confiança e otimismo. O Brasil acolhe, portanto, a proposta coreana de constituirmos uma “Relação Abrangente de Cooperação.” Como na Coréia, estamos empenhados em promover a transparência administrativa, reforçar o papel da iniciativa privada e dinamizar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Hoje, já começamos a colher os frutos desses esforços. O Brasil está preparado para retomar um ciclo histórico de crescimento sustentado. Contamos com a Coréia e seus empresários nessa empreitada. O comércio bilateral este ano deverá alcançar cerca de 3 bilhões de dólares, fazendo da Coréia nosso terceiro maior parceiro na Ásia. Mas sabemos que as complementaridades entre nossas economias oferecem ainda grande potencial de expansão.
Os investimentos coreanos no Brasil espalham-se por setores dinâmicos da economia brasileira como o automotivo, eletrônico, construção, telecomunicações e transporte. Hoje, marcas como Samsung, LG ou Hyunday fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Convidamos a Coréia e seus homens de negócio a continuar a apostar nessa parceria.
Temos recursos naturais abundantes e uma classe trabalhadora qualificada. Oferecemos acesso a uma economia dinâmica e diversificada que vai muito além das fronteiras do Brasil. Oferecemos acesso privilegiado ao MERCOSUL, um mercado de 220 milhões de habitantes e produto de mais de 1 trilhão de dólares, a quarta maior economia do mundo.
Caro Presidente Roh,
O MERCOSUL é a pedra de toque da Comunidade Sul-Americana de Nações que pretendemos construir, junto com os países andinos e amazônicos. Por meio da integração regional, estamos criando as condições para assegurar que o Brasil e seus vizinhos sul-americanos possam encontrar respostas democráticas e solidárias para o desafio de um mundo globalizado. Grandes obras de infra-estrutura estão eliminando gargalos de transporte e energia.
Cremos que o MERCOSUL também pode ser fator de aprofundamento das relações comerciais entre nossas regiões. Propomos por isso iniciar um exercício negociador entre o MERCOSUL e a Coréia. É com o mesmo espírito que o Brasil apóia a entrada da Coréia no Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Senhor Presidente,
O Brasil tem buscado contribuir para uma ordem internacional em que prevaleça a solução pacífica de controvérsias. Não nos furtamos a prestar ajuda sempre que cabível. O Brasil considera que uma solução negociada para a questão da Península Coreana não só tem um valor para o progresso da região, mas também é uma contribuição importante para a paz e a estabilidade mundiais.
Vivemos em um mundo marcado por turbulências políticas, a ameaça do armamentismo e uma globalização que acirra desigualdades sociais e econômicas. Compartilhamos a defesa de uma ordem mundial regida pelo direito internacional e exercida por meio de um sistema multilateral equilibrado e justo. Defendemos, por isso, uma reforma das Nações Unidas onde os países em desenvolvimento possam realizar plenamente seu potencial. Esse é um desafio que nos une, brasileiros e coreanos.
É com este espírito de confiante otimismo que peço a todos que me acompanhem em um brinde ao promissor futuro das relações entre os nossos paí- ses, bem como à saúde e à felicidade de Vossa Ex- celência e do povo coreano.
Muito obrigado.