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Discurso no jantar com o Presidente da China, Hu Jintao - Palácio Itamaraty, 12 de novembro de 2004
Excelentíssimo senhor Hu Jintao, Presidente da República Popular da China e sua excelentíssima esposa; excelentíssimo senhor José Alencar, Vice- Presidente da República e Ministro da Defesa, e sua digníssima esposa; excelentíssimo senhor João Paulo Cunha, Presidente da Câmara dos Deputados; excelentíssimo senhor Ministro Nelson Jobim, Presidente do Supremo Tribunal Federal; senhora Adriane Senna; senhora Marisa Letícia Lula da Silva; senhor José Reinaldo Tavares, Governador do Maranhão; senhor Wellington Dias, Governador do Piauí; senhor Roberto Requião, Governador do Paraná; senhoras e senhores integrantes das comitivas da China e do Brasil; meus caros amigos e amigas jornalistas; senhoras e senhores,
Bem-vindo ao Brasil, Presidente Hu Jintao.
Ao retribuir a inesquecível visita que fiz, maio passado, à China, Vossa Excelência confirma o que já sabemos: Brasil e China são hoje parceiros indispensáveis. Ao comemorarmos 30 anos de relações diplomáticas, celebramos também uma relação de amizade que chega à sua maturidade.
Foram muitos os que contribuíram para a consolidação do nosso relacionamento. Evoco, com emoção, o Chanceler Azeredo da Silveira e o Vice- Ministro do Comércio Exterior, arquitetos desta grande parceria.
Meu governo começou priorizando as relações com a China. Minha visita à China materializou propósitos que havia anunciado em meu discurso de posse. Durante minha visita concluímos importantes acordos.
A visita de Vossa Excelência confirmará as grandes expectativas e possibilidades que identificamos em Beijing. A Comissão de Alto Nível de Concertação e Cooperação que constituímos é o foro privilegiado para proporcionar sentido estratégico verdadeiro à parceria sino-brasileira.
As perspectivas que se abrem de investimentos chineses da ordem de US$ 7 bilhões ajudarão o Brasil a reconquistar competitividade nos setores estratégicos de infra-estrutura ferroviária, portuária, energética, siderúrgica e de telecomunicações.
Nossa estreita coordenação nos foros multilaterais vem dando frutos. Ouvi, com satisfação, do Presidente Hu Jintao palavras de estímulo a que o Brasil desempenhe um papel maior no cenário internacional, particularmente no âmbito das Nações Unidas. Entendemos ser essa uma manifestação favorável a que o Brasil participe como membro permanente dos trabalhos de um Conselho de Segurança reformado.
No âmbito do G-20, asseguramos resultados que nos permitirão chegar a um comércio internacional mais justo e equilibrado, em especial nas negociações sobre agricultura.
Estamos construindo instrumentos de cooperação em áreas como comércio, indústria, energia, turismo, combate ao crime organizado, ciência e tecnologia. Além dessas áreas, tenho a expectativa de que possamos também inaugurar uma cooperação financeira.
Nossa ambição não tem limites. É o que se vê na assinatura dos protocolos que prevêem o lançamento conjunto do satélite CBERS 2-B e a venda e cessão de imagens pelo Programa CBERS para países na América Latina, na Ásia e na África. Esse programa é o principal projeto de cooperação de alta tecnologia entre dois países em desenvolvimento. Ele nos tornou proprietários de um sistema de sensoriamento remoto com aplicações em setores decisivos para o desenvolvimento sustentável de nossas cidades e agricultura.
A aliança entre nossos países também deve aproximar nossos povos. Por meio do Mecanismo de Destino Aprovado, turistas chineses poderão conhecer de perto o Brasil e sua cultura. Esta curiosidade é recíproca, pois cada vez mais brasileiros estão visitando seu país.
Nossa cooperação também avança em áreas menos tradicionais, como combate à fome e à pobreza; prevenção àAids; agricultura familiar e pesca artesanal; e o setor sucro-alcooleiro.
Senhoras e senhores,
O Brasil é o primeiro parceiro comercial da China na América Latina, e a China é o terceiro maior destino das exportações brasileiras. O dinamismo desse comércio nos dá confiança de que continuará a crescer exponencialmente. A decisão chinesa de assegurar maior abertura de mercado para importantes produtos brasileiros só vem confirmar essa expectativa.
Um dos grandes desafios é diversificar as exportações brasileiras. Desejamos incorporar à nossa pauta de exportação produtos com crescente valor agregado, em benefício da renda e qualificação dos trabalhadores brasileiros. Essa determinação de fortalecer ainda mais o comércio e os investimentos bilaterais levou o Brasil e a China a adotarem, hoje, um Memorando de Entendimento que promoverá de maneira equilibrada e satisfatória para ambas as partes o comércio e o investimento entre os dois países. Nesse contexto de benefícios recíprocos e equilibrados, o Brasil decidiu conceder status de economia de mercado à China. A decisão brasileira expressa, sobretudo, disposição de buscar consensos necessários para o pleno desenvolvimento de nossas relações de amizade e de parceria estratégica. Também se baseia na convicção de que devemos favorecer um sistema internacional que contemple a participação plena dos países em desenvolvimento nos mecanismos multilaterais, de modo a proporcionar-lhes maior capacidade e legitimidade para enfrentar os desafios e complexidades da atualidade.
Senhoras e senhores,
Nesta tarde, Vossa Excelência pronunciou histórico discurso no Congresso Nacional brasileiro, lançando a nova política externa de seu governo para a América Latina. Vejo com viva satisfação o interesse da China em reforçar os laços com região que é prioritária para o Brasil.
A China poderá contar com nosso apoio na construção de uma parceria vigorosa com nossa região, que busca integrar-se de forma competitiva e solidária na economia globalizada. São muitas as oportunidades que se abrem para o intercâmbio comercial e de serviços, promoção de investimentos, transferência de tecnologias. Temos muito o que aprender um com o outro em matéria de estratégias de desenvolvimento social, político, econômico e humano. Contamos com o potencial de investimento da China no campo da infra-estrutura para acelerar a integração territorial e energética da América do Sul.
Esta é a primeira passagem de Vossa Excelência pela região após sua eleição como mandatário chinês. Não é coincidência que essa visita se inicie pelo Brasil. A parceria estratégica sino- brasileira é parte indispensável do relacionamento entre a América do Sul e a Ásia. A atuação conjunta
do Brasil e da China nos efetivos da ONU no Haiti reforça o grande potencial de nossa cooperação em favor da paz e da prosperidade da América Latina e Caribe.
Senhoras e senhores,
A parceria estratégica sino-brasileira está fundamentada na crença de que temos interesse comum na busca de um mundo multipolar e pluralista. Estamos convencidos de que somente através do diálogo e da cooperação poderemos responder ao desafio de promover a paz e combater o terrorismo, de preservar o meio ambiente e assegurar o desenvolvimento e o bem-estar para todos.
Queremos construir uma arquitetura mundial que privilegie o entendimento, a justiça social e o respeito entre os povos. A China e o Brasil mantêm uma cooperação horizontal modelar em um sistema internacional marcado pela desigualdade. Essa relação nos dá legitimidade para, juntos, promovermos uma agenda internacional que favoreça a distribuição eqüitativa de poder e de recursos no cenário internacional. Somente assim estará assegurado o desenvolvimento social e econômico de nossos povos. Nesse espírito de confiança na nossa parceria, proponho um brinde à saúde de Vossa Excelência, de sua esposa e da comitiva chinesa. Um brinde também à amizade entre o Brasil e a China, país por que reservo especial admiração.
Muito obrigado.