Notícias
Discurso na cerimônia de Declaração de Hóspedes Ilustres - Santiago, Chile, 23 de agosto de 2004
Quero agradecer, em nome de minha esposa e de minha comitiva, a acolhida calorosa que recebemos do povo de Santiago e, especialmente do Prefeito Lavín e Dona María Estela, neste histórico Palácio Consistorial.
É com grande alegria que recebo o título de Hóspede Ilustre da cidade. Quero sempre poder voltar à cidade que é um símbolo para muitos brasileiros de minha geração. As chaves de Santiago representam, para nós, as chaves da liberdade. A liberdade de pensar e dizer. De concordar ou contestar.
Esta cidade lhes assegurou, sobretudo, o direito de serem cidadãos, no momento em que a repressão e a intolerância haviam tomado conta de meu país. Meus compatriotas encontraram aqui mais do que a hospitalidade de uma cidade acolhedora e cosmopolita ou a simpatia de um povo que nutre uma amizade secular com o Brasil. Encontraram aqui solidariedade.
Alegra-me que muitos brasileiros estejam hoje encontrando um segundo lar nesta cidade e neste país. Sei que estão sendo recebidos com o mesmo calor humano e entusiasmo de antes, tão singelamente expressa pelos alunos da Escola Brasil. E estão retribuindo, com sua arte e inteligência, para o desenvolvimento do Chile e para uma aproximação ainda maior entre nossos países. É o caso da grande bailarina e coreógrafa brasileira, Márcia Haydée, que dirige o Corpo de Baile do Teatro Municipal nesta cidade. E da primeira-bailarina, Andreza Randizeck, que também é brasileira.
Vossa Excelência é Presidente do Conselho desse Teatro, um dos centros mais importantes de difusão de cultura no Chile. Compreende, pois, nosso orgulho em estar contribuindo para o enriquecimento de seu país. Um país que sempre prezou sua vinculação ao Brasil, até na forma de um grande bairro chamado Brasil.
Nada mais forte para aproximar dois povos do que estarem unidos pela sensibilidade. Na cultura, como em todos os campos, o caminho natural para brasileiros e chilenos é a amizade, a cooperação, o intercâmbio.
É isto que anuncia o busto do Barão do Rio Branco, na esquina da Avenida Brasil com aAlameda. Como no tempo de Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, aprendemos a admirar o Chile e valorizar nossa “amizade sem limites”.
Muito obrigado.