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Discurso em jantar oferecido pelo Presidente da Coréia, Roh Moo- Hyun - Seul, 25 de maio de 2005
Minha vinda à República da Coréia completa um ciclo iniciado com a visita do Presidente Roh ao Brasil, no ano passado.
Vim aqui reafirmar os compromissos que enunciamos em Brasília. Mas vim também, colher os primeiros frutos da nova parceria que lançamos ao estabelecer uma Relação Abrangente de Cooperação para a Prosperidade Comum no Século XXI.
Apesar da distância, o Brasil e a República da Coréia têm fortes complementaridades e afinidades. Enfrentamos o comum desafio de forjar um futuro de segurança e prosperidade para nossos povos em meio às incertezas de uma globalização sem regras justas e sem solidariedade. A Coréia e o Brasil vêm respondendo positivamente a esses desafios.
Aprendemos, no Brasil, a respeitar a determinação e a disciplina que guiaram seu país na busca da prosperidade e do bem-estar social, que fez a indústria coreana ser internacionalmente reconhecida por sua excelência tecnológica.
Admiramos, em particular, uma política de universalização da educação e dos serviços básicos de saúde que permitiu à Coréia desbravar caminho autônomo em direção ao desenvolvimento. A escrita coreana criada no século XV, bem ilustra a inventividade e poder de adaptação desta nação.
Pela sua precisão e poder expressivo, essa escrita tornou-se a grande guardiã da integridade cultural coreana diante de sucessivas invasões por poderosos vizinhos. Pela sua simplicidade, favoreceu os esforços de alfabetização maciça da população.
Essas mesmas características ajudam a Coréia a ser, hoje, um dos países mais adiantados em matéria de inclusão digital. Como no passado, a Coréia continua a preservar sua personalidade, sem abdicar de uma integração dinâmica na economia mundial.
O Brasil tem procurado traçar para si mesmo uma trajetória semelhante. Avançamos muito nos planos político e na macroeconomia, temos um longo caminho a percorrer, no entanto, nos planos tecnológico e social.
Senhor Presidente,
Nossos países dispõem de sólidas instituições democráticas e economias estáveis e diversificadas. Estamos empenhados em promover a transparência administrativa, reforçar o papel da iniciativa privada, promover a inclusão social e dinamizar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
A história de lutas que o Presidente Roh e eu compartilhamos nos ensinou que só alcançaremos esses objetivos se houver ampla consulta e coordenação com todos os segmentos sociais.
Nossos povos sofreram as conseqüências do autoritarismo, conheceram a privação das liberdades cívicas e a ausência de diálogo. Ao tomar posse, Vossa Excelência afirmou que estava inaugurando um governo participativo. É o mesmo nome que damos às práticas inovadoras que meu governo vem introduzindo no Brasil para a formulação e execução de políticas públicas. As economias do Brasil e da Coréia são dinâmicas, pujantes e em acelerado processo de modernização.
Superamos as crises do mercado financeiro internacional dos anos 90 e estamos empenhados em aumentar nossa presença nos fluxos de comércio internacional.
Os acordos que concretizamos asseguram que nossas trocas logo superarão o atual nível de 3 bilhões de dólares, o que já faz da Coréia o terceiro maior parceiro do Brasil na região.
As fortes complementaridades entre nossas economias abrem promissoras avenidas de cooperação. Empresas coreanas estão presentes em vários setores da economia brasileira como o automotivo, o eletrônico, da construção, de telecomunicações e de transportes.
A expressiva comitiva empresarial que me acompanha nesta visita veio propor novas parcerias nessas e em outras áreas estratégicas. O seminário empresarial, de que tive a honra de participar, confirmou que são muitas as oportunidades para nossos homens de negócios. A “Parceria Especial para o Século XXI” desenha o futuro que vislumbramos para nossa colaboração.
Estamos trabalhando juntos em tecnologia aeroespacial, eletroeletrônica, metalurgia, tecnologias limpas e projetos de infra-estrutura.
A criação de um Centro de Tecnologia da Informação, a ser instalado no Brasil, é uma aposta em nossa capacidade de gerar um pólo autônomo de desenvolvimento científico. Outra área de cooperação especialmente promissora é a do uso do etanol como aditivo à gasolina. Juntamente com o biodiesel, abre à Coréia, como ao Brasil, a perspectiva de desenvolvimento com base em uma matriz energética limpa e diversificada.
Senhor Presidente,
O conjunto de instrumentos que assinamos ajuda a dar forma concreta a nossas aspirações. Isso nos faz confiar que a ambiciosa agenda que traçamos será plenamente concretizada.
O bem-estar e segurança que almejamos para nossos cidadãos só estarão garantidos se caminharmos para um mundo menos marcado por turbulências políticas, pela ameaça do armamentismo e por uma globalização que acirra as desigualdades.
Por essa razão, defendemos o respeito estrito ao direito internacional, única garantia de um sistema multilateral mais justo e pacífico. O papel decisivo das Nações Unidas nesse esforço torna inadiável que o Conselho de Segurança se democratize e recupere sua legitimidade.
A atenção da comunidade internacional está voltada para a Península Coreana. O Brasil solidariza-se com o empenho do governo do Presidente Roh para reduzir as tensões na região. Compartilhamos a convicção de que será por meio do diálogo e do engajamento construtivo que se alcançará a reconciliação definitiva do povo coreano. Em nossa região, por meio da integração, o
Brasil e seus vizinhos sul-americanos estão buscando respostas democráticas e solidárias para o desafio do desenvolvimento sustentável. Foi com esta convicção que meu governo patrocinou no início deste mês, em Brasília, a Primeira Cúpula América do Sul – Países Árabes. Estamos construindo consensos, baseados no conhecimento mútuo e na tolerância. São essas nossas armas na construção de um mundo de paz, segurança e prosperidade.
Com essa mesma motivação, Brasil e Coréia estão colaborando, na qualidade de Coordenadores Regionais do Foro de Cooperação América Latina – Ásia do Leste. Uma aproximação baseada nos princípios da gradualidade e do interesse mútuo entre a Coréia e o Mercosul, atualmente objeto de estudos preliminares, poderá ser igualmente benéfica.
Todas essas iniciativas e projetos serão beneficiados pela criação, durante esta visita, do Fórum Brasil-Coréia, com o objetivo de formular ações estratégicas de longo prazo para o relacionamento entre nossos países.
Senhor Presidente,
Minha visita reforçou a admiração que sempre cultivei pelo seu país: uma nação orgulhosa de seu passado e confiante na construção de seu futuro.
A Coréia descobrirá no Brasil uma nação determinada a realizar seu destino e a aprofundar o imenso potencial de cooperação entre nossos países.
É com esse espírito que convido os presentes a juntarem-se em um brinde à amizade entre os povos do Brasil e da República da Coréia e à felicidade pessoal de Vossa Excelência.