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Declaração por ocasião da visita ao Brasil do Primeiro-Ministro do Canadá, Paul Martin - Palácio Itamaraty, 23 de novembro de 2004
Tenho grande prazer de receber no Brasil o Primeiro Ministro do Canadá, Paul Martin. Desde nosso primeiro encontro, durante a Cúpula de Monterrey, convenci-me de que nossos países têm muito em comum e muito para realizar juntos. Naquela ocasião, a comunidade internacional discutia como assegurar recursos para financiar o desenvolvimento nos países pobres. Senti, então, que o Canadá, sob a liderança de Vossa Excelência, é um parceiro decisivo do Brasil na busca do desenvolvimento sustentável e do crescimento econômico eqüitativo.
Sua visita, hoje, é oportunidade para retomarmos esse diálogo. Somos dois grandes países do Hemisfério e compartilhamos interesses e valores. Estamos empenhados, sobretudo, em somar esforços na luta mundial contra a fome e a pobreza. Esta é uma responsabilidade de países em desenvolvimento e desenvolvidos. Foi esse o sentido da declaração que adotamos ao final da reunião de Nova York, em setembro passado, endossada por mais de cem países.
Estamos determinados a passar do discurso à ação. Por isso, vamos submeter às Nações Unidas, em 2005, um conjunto de propostas concretas para assegurar o financiamento da mais importante das Metas do Milênio – a redução maciça da fome e miséria extrema no mundo até 2015. Estou certo de que o Canadá, país que sempre esteve na vanguarda dos movimentos por maior justiça social, se engajará plenamente. Como membro do G-8, poderá contribuir para que os países ricos apóiem o trabalho do Grupo Técnico sobre Mecanismos Financeiros Inovadores.
A nossa colaboração já começa a apresentar resultados no país onde a solidariedade internacional é mais urgente. Brasil e Canadá estão trabalhando juntos na Missão de Estabilização da ONU no Haiti. Estamos ajudando o Governo e o povo haitianos no restabelecimento da ordem, na reconciliação política e na reconstrução econômica de um país onde tudo está por fazer. Estamos também mobilizando a comunidade internacional para acelerar a liberação dos recursos prometidos.Esses recursos são fundamentais para os projetos que trarão melhoras imediatas para um povo que não pode esperar. Vamos enviar proximamente uma missão conjunta de cooperação técnica em matéria de saúde pública e examinaremos outras áreas de parceria conjunta com o Haiti. Nossa cooperação no Haiti é emblemática do empenho de nossos países em favor de uma governança mundial.
Almejamos um sistema multilateral sólido, efetivo e representativo. Procuraremos estreitar o diálogo e a cooperação na busca de consensos que melhor orientem o tratamento das questões multilaterais. Por isso, o Brasil apóia a iniciativa canadense de estabelecimento do L-20, que estreitará o diálogo entre países em desenvolvimento e desenvolvidos.
Essa cooperação é também importante no campo comercial. Vemos no Canadá um parceiro estratégico para assegurar a conclusão rápida e exitosa das negociações da Rodada de Doha da OMC. Partilhamos o objetivo de eliminar os subsídios milionários que distorcem o comércio agrícola mundial e impedem os pequenos agricultores de países em desenvolvimento de viver dignamente de seu trabalho.
No âmbito do comércio bilateral, é preciso reconhecer que ainda estamos distantes do potencial de nossas economias. As inversões canadenses no Brasil não chegam a 2% do total que o Canadá investe no exterior. A missão empresarial que o Ministro Jim Peterson está trazendo ao Brasil certamente será oportunidade de começar a recuperar o tempo perdido. Convido os homens e mulheres de negócio canadenses a participarem desse empreitada. Estou certo de que contarão com a participação e o entusiasmo dos empresários brasileiros para formar parcerias imbatíveis.
Avançamos nas conversas bilaterais sobre a indústria aeronáutica. Estamos aprofundando a compreensão e ampliando a confiança para a conclusão de acordo no mais curto prazo possível. Outro tema que une o Brasil e o Canadá é o compromisso firme com o meio ambiente. Prova disso é o memorando que estamos assinando hoje para o desenvolvimento de projetos conjuntos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto. A preocupação com o desenvolvimento sustentável se reflete na nossa busca por uma maior coordenação internacional no combate à pesca excessiva dos estoques globais. Esse esforço é crucial para garantir a segurança alimentar de grandes parcelas da população mundial.
Por todos esses motivos, o Primeiro Ministro Martin e eu concordamos na importância de fortalecer o diálogo bilateral e estreitar os laços entre nossos países. Decidimos estabelecer um Mecanismo de Consultas Políticas entre nossas Chancelarias. Teremos, assim, oportunidades regulares de trocar pontos de vista sobre os principais temas de interesse bilateral e da agenda internacional.
Senhor Primeiro Ministro,
Aceitei, com muita satisfação, o seu gentil convite para visitar o Canadá no próximo ano, quando daremos seguimento ao importante diálogo que tivemos hoje.
Há quarenta anos, na Segunda Conferência Anual sobre o Desenvolvimento Mundial, o então Chanceler canadense - Paul Martin Senior, pai de Vossa Excelência - defendeu a necessidade de dar à América Latina um lugar proeminente nas relações exteriores de seu país. A sua visita, hoje, é importante passo para cumprir com esse propósito.
Muito obrigado.