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Brinde durante almoço em homenagem ao Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano - Palácio Itamaraty, 31 de agosto de 2004
Excelentíssimo Senhor Joaquim Chissano, Presidente da República de Moçambique; Senador José Sarney, Presidente do Senado Federal; Ministro José Paulo Sepúlveda Pertence, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral; senhor Leonardo Santos Simão, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique; Embaixador Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores do Brasil; senhores Ministros membros da delegação de Moçambique; senhores Ministros e Ministras do Brasil; senhores Embaixadores; senhores Parlamentares, meus amigos e minhas amigas,
Retribuo com viva satisfação a generosa hospitalidade com que fui acolhido em Moçambique, em novembro passado. São os gestos de um povo com o qual construímos um sólido patrimônio de fraternidade e afeto, que só a nossa língua é capaz de traduzir. Um povo que conquistou nossa admiração ao forjar uma nação forte e soberana dos escombros da guerra e do ódio. Que se libertou da herança amarga do colonialismo para construir um país em paz com sua história e voltado para o futuro. Ao lado de líderes como Samora Machel e Eduardo Mondlane, o Presidente Chissano soube, com clareza de propósitos, inspirar seu povo no caminho de reconciliação e de reconstrução.
O Brasil junta-se a Moçambique para comemorar esse feito. Ao passar a presidência do país nas próximas eleições, Vossa Excelência deixa uma nação com instituições democráticas consolidadas. Vossa Excelência deixa uma nação confiante. Com determinação e trabalho, foi possível sonhar com um futuro melhor. Os altos índices de crescimento econômico alcançados por Moçambique são prova de que o continente está reencontrando seu rumo.
Foi essa a mensagem que Vossa Excelência deixou ao encerrar seu mandato como Presidente da União Africana. Sua defesa da ordem constitucional é um chamamento para que a região erradique os conflitos armados que têm ceifado tantas vidas. Sob sua inspiração e comando, o Conselho de Paz e Segurança assumiu a responsabilidade pela estabilidade na região.
Nas crises em São Tomé e Príncipe, em Guiné Bissau e na República CentroAfricana, a África mostrou que está empenhada em prevenireconter seus conflitos.O Brasil, no exercício da presidência da CPLP, se orgulha de apoiar esses esforços.
Senhoras e senhores,
A comunidade internacional começa a descobrir o que o Brasil sempre soube: o enorme potencial de Moçambique e de sua gente. O país entrou, definitivamente, na rota dos grandes investimentos.
A Companhia Vale do Rio Doce, com apoio financeiro do BNDES, deseja engajar-se na exploração do carvão de Moatize e no desenvolvimento social do Vale do Zambeze. Acreditamos no potencial desses projetos, sobretudo porque acreditamos em Moçambique. Por essas razões, assinamos o acordo que consolida o compromisso brasileiro de reduzir a dívida de Moçambique com o Brasil. Com essa mesma confiança, estamos revigorando programas de cooperação nas áreas de educação, agricultura, esportes, meio ambiente e administração pública. Esses projetos ajudarão Moçambique a desenvolver a capacitação técnica para responder aos desafios do desenvolvimento sustentável. Reitero, por isso, o compromisso do Brasil em instalar, em Maputo, fábrica de anti-retrovirais.
Senhoras e senhores,
O grande comandante da resistência moçambicana, Samora Machel, costumava dizer: “a luta continua”. A colonização e o apartheid foram superados, mas persistem graves obstáculos à prosperidade de Moçambique e da África. Sua batalha por uma ordem econômica mundial mais justa e eqüitativa também é a do Brasil.
Estamos empenhados em combater o protecionismo. Essas vitórias nos foros multilaterais, sobretudo na área da agricultura, ajudam nossos pequenos produtores agrícolas a ganhar mercados e a reduzir a pobreza e a fome em nossos países. A erradicação desses males é condição essencial para a promoção da paz. Não venceremos o terrorismo se não respondermos ao maior desafio de segurança internacional – a segurança alimentar. Esta é minha mensagem a todos os foros internacional: precisamos desarmar a maior das armas de destruição em massa que é a fome. É essa a palavra que levarei ao Encontro de Líderes Mundiais, dia 20 de setembro quando, em Nova York, discutiremos esse assunto e, sobretudo, discutiremos estratégias internacionais de combate à pobreza. Sua presença naquele evento, Presidente Chissano, junto com mais de 50 líderes mundiais, é viva demonstração de que a comunidade internacional entendeu o desafio à frente.
Brasil e Moçambique compartilham o anseio por uma ordem internacional mais justa e eqüitativa. É essa a mensagem que levamos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Renovo a gratidão de meu governo pelo apoio prestado por Moçambique ao nosso pleito de obter assento permanente naquele Conselho.
Senhor Presidente,
Alcançamos a maioridade durante a Quinta Conferência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em São Tomé. Ficou claro que ela pode assumir seu papel na defesa dos temas que nos unem e aproximam. Com esse objetivo, a CPLP definiu estratégias e linhas de ação comum com vistas à próxima Cúpula da Sociedade da Informação. Com o mesmo sentimento, propus um diálogo entre o MERCOSUL e os países em desenvolvimento da CPLP para aumentar nossas trocas comerciais.
Por todos os motivos, o Brasil e Moçambique estão fadados a seguir cada vez mais unidos. Esta é a mensagem que quero transmitir ao povo moçambicano. Com esse espírito de confraternização, peço a todos os presentes que se unam a mim em um brinde pela prosperidade do povo moçambicano, pela intensificação das relações sempre fraternas entre o Brasil e Moçambique e pela saúde e felicidade pessoal do Presidente Joaquim Chissano.
Muito obrigado.