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Discurso no almoço em homenagem ao Presidente da Colômbia - Manaus, AM - 30 de janeiro de 1986
Ao estender as boas-vindas a Vossa Excelência e à sua ilustre comitiva, gostaria de expressar a satisfação com que o povo brasileiro, e especialmente o povo hospitaleiro da Amazônia, acolhem sua presença em Manaus. A realização deste encontro no coração da Amazônia brasileira tem para mim um duplo significado. Por um lado, atesta a elevada prioridade das relações entre a Colômbia e o Brasil, que nossos governos encaram com um grande sentido de continuidade que é a garantia do seu constante aperfeiçoamento. Por outro lado, o cenário amazônico que emoldura este encontro de alto nível simboliza a ênfase crescente com que os nossos países se têm voltado para esta importante região, transformada em tema de relevância nas nossas relações de profícua cooperação. A crescente diversificação das nossas relações, aliás, é a perspectiva sob a qual aprecio as importantes conversações que aqui se iniciam. Ao longo dos últimos anos, Colômbia e Brasil souberam construir um relacionamento crescentemente complexo, a abarcar um temário cada vez mais amplo, consolidando sua amizade, baseada sobre o patrimônio comum de uma mesma herança histórica e cultural. Convivem hoje, em nossa agenda de entendimentos, o café e outros inúmeros tópicos igualmente relevantes para o desenvolvimento e para a defesa de posições comuns e coordenadas no plano internacional.
Países em desenvolvimento, Senhor Presidente, com uma extensão fronteira comum e múltiplas identidades, a Colômbia e o Brasil têm perante si mesmos o compromisso da união, do diálogo e da cooperação franca e amistosa. O momento é de trabalho, de reflexão, de criatividade. Alegra-me que, para o cumprimento dessa disposição, muitos sejam os campos em que numerosos projetos concretos estão sendo examinados, sobretudo na área da cooperação técnica e financeira e em diversos assuntos ligados à extensa faixa da fronteira comum. É esse o sentido positivo que adquirem os trabalhos da Comissão de Coordenação Brasileiro-Colombiana que hoje se instala. Seu mandato é claro e preciso: acompanhar, em alto nível, o desenvolvimento desse grande patrimônio de relações que se erguem sobre a base sólida da amizade fraterna e da identidade de interesses e aspirações. Seus instrumentos são consideráveis, e entre eles o grande realismo e a vontade política de nossos governos são certamente os mais importantes. Disporemos agora de um foro qualificado para acompanhar de forma permanente e sistemática a implementação das decisões oriundas deste encontro e os múltipos e variados projetos bilaterais já em andamento ou em estudo. Homologaremos, na prática, o fluido diálogo político que há tempos marca nossas relações.
As conversações proveitosas que iniciamos se apresentam sob o signo da perseverança e do interesse permanente. Temos confiança em que a retomada do crescimento econômico possibilitará o retorno do intercâmbio comercial bilateral aos níveis expressivos alcançados em anos anteriores. Os projetos de cooperação técnica permitirão reforçar o arcabouço de um relacionamento que se vincula cada vez mais estreitamente aos interesses de desenvolvimento global e regional de cada parceiro. No plano político, Brasil e Colômbia têm acrescentado importantes coincidências à grande identidade que nos aproxima por sua condição de países latino-americanos, profundamente comprometidos com os ideais da paz, da conciliação e do entendimento. Integrando o Grupo de Apoio a Contadora, o Brasil procura traduzir em ações concretas o amplo respaldo que sempre deu à iniciativa antes mesmo de que ela se formalizasse como tal. Coordenados com outros parceiros latino-americanos no foro de Cartagena, temos procurado conduzir ao plano político, num construtivo trabalho de persuasão e entendimento, a grave questão do endividamento externo que afeta nossa região. Esse espírito construtivo e positivo, que juntos procuramos levar a outros foros internacionais, preside também este encontro. Aqui, nossa tarefa é imensamente facilitada pela herança de um relacionamento denso e fluido, ancorado em uma grande e fraterna amizade, que se nutre agora da identidade democrática que nos aproxima ainda mais. Estou certo de que, por cima das injunções do presente, o que realizarmos aqui é uma sólida promessa para o futuro.
(Texto reproduzido em conformidade com o acordo ortográfico vigente à época de sua publicação original)