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Discurso em banquete oferecido pelo presidente da Colômbia - Bogotá, Colômbia - 8 de fevereiro de 1988
Um sentimento que me domina desde a chegada a Bogotá é a emoção do reencontro com a valorosa pátria colombiana. Na terra batizada com o nome do Descobridor, erguida sobre a herança de Bolívar e Santander, vejo a imagem de força e bravura que simboliza o progresso desta nação, que sempre acreditou na liberdade, na justiça, e jamais se abateu nas tempestades da História. Toca-nos profundamente, a mim e à minha comitiva, a alegria de desfrutar nesta acolhida o calor da amizade que une nossos países, aqui reeditada na saudação cordial e fraterna de Vossa Excelência. Comprovo, na generosidade de suas palavras, a atenção e o carinho que o povo e o governo da Colômbia dispensam a esta visita.
Devo expressar-lhe, por tudo isto, senhor Presidente, minha profunda gratidão. Vim à Colômbia em momento de fortes esperanças para toda a América Latina. Verificamos que o esforço de paz na região centro-americana tem sido fecundo e promissor. Brasil e Colômbia sentem-se recompensados de estar contribuindo, ao lado de outras nações irmãs do continente, para aquela ação pacificadora, que visa a manter os povos da área afastados da confrontação ideológica, garantirlhes a vigência de regimes pluralistas e ajudá-los a superar os obstáculos a seu desenvolvimento. Há dois meses estivemos, os chefes de estado do Grupo dos Oito, reunidos em Acapulco. Demos então impulso à reflexão sobre nossos problemas comuns e à tarefa de descobrir caminhos imaginativos que nos levem à realização plena de nossos anseios. Aquele memorável encontro confirmou a consistência da vontade política latinoamericana, no sentido da construção de um futuro com independência e dignidade. A América Latiria demonstra que é capaz de responder aos desafios da hora presente.
Revigorados pela fé democrática, marchamos com segurança em direção ao nosso destino. Revalorizamos nossa identidade. Plantamos as raízes da estabilidade política e do crescimento econômico. Empreendemos, com toda obstinação, a luta que irá redimir nossos povos das angústias e das frustrações que os têm acompanhado ao longo do tempo. Na proximidade do terceiro milênio, vamos abrir as portas da criatividade científica, das conquistas tecnológicas, e assegurar para nossos povos o direito de viver em sociedades prósperas e modernas.
Vivemos não somente num mundo em transformação mas, sim, num mundo transformado. As contradições e lutas de grupos, de gerações, de interesses, permeiam as nossas vidas, desafiam os governos, desestabilizam as sociedades presas da violência, a qual passa a determinar as condutas políticas. É, esse, fenômeno comum a todos os nossos países. Em maior ou menor grau, temos que ter a coragem de enfrentar isso. De resistir aos desafios, temores e ameaças. Apreciamos e valorizamos no Brasil o denodo com que o governo e a sociedade colombianos vêm conduzindo o processo de desenvolvimento do país. Somos solidários com a brava gente colombiana em sua luta contra tantas ameaças, partidas da violência, da clandestinidade e da contravenção. Sabemos que a capacidade de realização de nossos países é continuamente posta à prova em meio às incertezas e incompreensões prevalecentes no cenário internacional. Mas em nenhum momento duvidamos de nossas próprias forças, das vantagens da nossa união e solidariedade. É sobre essa certeza que estamos edificando gradativamente a obra da integração da América Latina.
Países que não têm poupado esforços nesse sentido, o Brasil e a Colômbia honram sua tradição histórica de diálogo e cooperação. Sem esmorecimento, trabalham para o êxito de suas iniciativas conjuntas e para a consolidação de um clima de paz, entendimento e convivência democrática em todo o continente. O dinamismo de nossas relações bilaterais evidenciamse na freqüência e na intensidade com que nos temos reunido, colombianos e brasileiros, em diversos níveis. Recordo, com particular satisfação, o encontro que mantive em Manaus com o presidente Betancour. Lançamos então as bases de expressivo programa de cooperação.
Posteriormente, no encontro que tivemos, Vossa Excelência e eu, em Cali, pudemos, através de um diálogo de grande significação e alcance, impulsionar decisivamente diversas iniciativas que hoje dão excelentes frutos. Estou seguro de que, nesta minha visita, iremos acrescentar ainda mais dinamismo e eficácia aos nossos vínculos de cooperação. Venho disposto a explorar, junto a Vossa Excelência e seu governo, as inúmeras oportunidades que se oferecem para alcançarmos esse objetivo. Longe está o tempo em que a geografia constituía empecilho à nossa maior aproximação. Desejo expressar-lhe, presidente Virgílio Barco, minha grande satisfação pelas conversações que temos mantido. E junto com a mensagem de amizade que os brasileiros dirigem, por intermédio de seu Presidente, a toda a nação colombiana, quero transmitir a Vossa Excelência a minha convicção de que, através de nossa troca de impressões e experiências, estamos fortalecendo o espírito de unidade entre o Brasil e a Colômbia. Sou admirador do descortino político, do espírito democrático e da arraigada vocação latino-americanista de Vossa Excelência. Sua atuação à frente da nação colombiana revela as qualidades do homem de estado e constitui exemplo de liderança que o torna credor do apoio e da confiança de seu povo.
Os dias que passo nesta cidade são momentos de confraternização brasileiro-colombiana. Mais do que isso, porém, quero que minha visita se transforme no início de uma nova caminhada conjunta, a caminhada definitiva de dois povos vizinhos e amigos, decididos a transformar em atos concretos o ideal de cooperação que os anima. Peço a todos que levantem comigo suas taças em um brinde à saúde e felicidade do presidente Virgílio Barco e de sua mulher, ao contínuo êxito de sua ação de governo, à prosperidade do nobre povo colombiano e ao estreitamento dos laços entre nossos países.
(Texto reproduzido em conformidade com o acordo ortográfico vigente à época de sua publicação original)