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Palavras no encontro com o Presidente do Uruguai, Júlio Maria Sanguinett - Brasília, 3 de fevereiro de 1999
Eu queria expressar, aqui, a minha satisfação pelo fato de o Presidente Sanguinetti ter acolhido o convite que lhe fiz para que, ao regressar de Caracas, onde estava na posse do Presidente Chavez, passasse aqui por Brasília para que conversássemos, fraternal e francamente, sobre as relações dentro do Mercosul, e do Uruguai com o Brasil. Não preciso acrescentar nada ao que disse o Presidente Sanguinetti, porque ele expressou o meu sentimento. O Presidente Sanguinetti mencionou, há pouco, na conversa, algo que vou repetir: o Mercosul é um marco histórico, é um projeto de muito tempo, é um sonho antigo que começou a se delinear como um projeto concreto há alguns anos e que vaí seguir adiante. Nós temos o maior empenho no Mercosul. Muitas pessoas têm perguntado: "o que vai acontecer agora?" Nós vamos sair de toda essa turbulência pela qual estamos passando com o sentimento mais forte ainda de que precisamos reforçar as relações dentro do Mercosul e ampliar a ação do Mercosul. Àqueles que são mais incrédulos, o que não é o nosso caso, basta ver o que aconteceu com a história da União Europeia. Quantas vezes houve problemas em
Eu queria expressar, aqui, a minha satisfação pelo fato de o Presidente Sanguinetti ter acolhido o convite que lhe fiz para que, ao regressar de Caracas, onde estava na posse do Presidente Chavez, passasse aqui por Brasília para que conversássemos, fraternal e francamente, sobre as relações dentro do Mercosul, e do Uruguai com o Brasil. Não preciso acrescentar nada ao que disse o Presidente Sanguinetti, porque ele expressou o meu sentimento. O Presidente Sanguinetti mencionou, há pouco, na conversa, algo que vou repetir: o Mercosul é um marco histórico, é um projeto de muito tempo, é um sonho antigo que começou a se delinear como um projeto concreto há alguns anos e que vaí seguir adiante. Nós temos o maior empenho no Mercosul. Muitas pessoas têm perguntado: "o que vai acontecer agora?" Nós vamos sair de toda essa turbulência pela qual estamos passando com o sentimento mais forte ainda de que precisamos reforçar as relações dentro do Mercosul e ampliar a ação do Mercosul. Àqueles que são mais incrédulos, o que não é o nosso caso, basta ver o que aconteceu com a história da União Europeia. Quantas vezes houve problemas em um ou outro país, em alguns países-chave da União Europeia? Não obstante, a União Europeia se mantém sólida e, agora, tem até uma moeda comum. Nós temos uma visão de continuidade firme do Mercosul. E as medidas que tinham que ser tomadas, nesse aspecto, estão sendo tomadas. E vou, efetivamente, conversar com o Presidente Menem, vou falar com o Presidente Cubas. Mais adiante, vamos ter, de fato, a oportunidade de um encontro político dos Presidentes para reafirmarmos - se necessário for, e não é - mas, enfim, é conveniente e prazeroso reafirmar o nosso empenho no Mercosul. Quero, também, dizer que a situação do Brasil está se desenvolvendo da maneira, digamos, como nós desejamos. Vocês têm assistido ao que tem acontecido: uma progressiva volta da confiança dos mercados pelo fato de que nós tomamos decisões que são fortes e necessárias. Algumas são custosas, como a mudança de comando, mas são necessárias. O Presidente toma a decisão quando ela é necessária.
E nós estamos, também, avançando nas conversas com o Fundo Monetário. O Ministro Malan está encarregado disso, de levar adiante o que já havíamos mencionado no acordo feito anteriormente. Estamos apenas reafirmando, diante do novo quadro, quais são as metas a ser almejadas por nós. Metas que são almejadas pelo Brasil. Obviamente, nós vamos ficar atentos ao problema da inflação, que não vai voltar. Pode haver um aumento de preço aqui e ali, pela circunstância de desvalorização, mas não permitiremos a reindexação, ou seja, a alimentação permanente de preços numa espiral inflacionária. Isso está afastado dos nossos objetivos. Pelo contrário, nós vamos ter metas de controle de qualquer processo que vá nessa direção. Nós estamos vendo, com muitas satisfação, a acomodação que começa a existir nos mercados. Existe uma óbvia sobrevalorização do dólar e subvalorização do real que começou a ser corrigida. Isso, na medida em que o Banco Central, como nós declaramos, deixou de utilizar as reservas para fazer frente a essas flutuações de mercado. Isso significa, também, que a situação das reservas do Brasil é confortável. Não estamos gastando reservas. E o mercado está acomodando os preços relativos do real e do dólar. Estamos empenhados, como disse o Presidente Sanguinetti, nos fluxos comerciais. Isso é fundamental. Nós estamos dispostos e faremos o que for necessário para que esses fluxos voltem, normalmente, a ocorrer, porque isso é que vai dar, mais adiante, a possibilidade de um desafogo da balança comercial do Brasil e dos outros países também. E vai permitir que nós tenhamos, então, o restabelecimento de uma situação de normalidade. Essa é a nossa posição, dos nossos governos. E quero agradecer muito a vocês a bondade.