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Discurso no jantar oferecido pela Rainha Beatrix, dos Países Baixos - Haia, 9 de outubro de 2000
Quero, antes de mais nada, agradecer a calorosa acolhida que nos está sendo brindada por Vossa Majestade e pelo Governo dos Países Baixos. Sentimo-nos honrados por essa manifestação de apreço e amizade. Uma amizade que vem de longe. Porque as relações entre o Brasil e os Países Baixos datam já de quase quatro séculos. E um dos pioneiros desse passado compartilhado foi João Maurício de Nassau, ilustre antepassado de Vossa Majestade. Conhecido na Haia como Maurício, o Brasileiro, o Conde de Nassau chegou ao Brasil em 1637 como Governador e representante dos Estados Gerais e da Companhia das índias Ocidentais. Iniciavam-se então vínculos de natureza única entre nossos povos. A presença neerlandesa no Brasil legou-nos uma preciosa herança cultural, que é parte de nossa formação e que é particularmente visível naquela que outrora se chamou Mauritstaat e que hoje conhecemos como Recife, uma das mais belas e prósperas cidades do Nordeste brasileiro, como é visível nas obras de artistas como Post ou Eckhout, que são como amplas janelas abertas para o nosso passado comum.
Majestade, é com grande satisfação que observamos como esses vínculos históricos persistem e se transformam hoje em uma parceria sólida e moderna. As visitas realizadas ao Brasil recentemente por Sua Alteza Real o Príncipe de Orange e pelo Primeiro Ministro Wim Kok, bem como as duas visitas do Vice-Presidente Marco Maciel aos Países Baixos, mostram que vivemos um momento privilegiado em nossas relações. Nossos países são parceiros naturais. Ambos estão comprometidos com a promoção da paz, da estabilidade política e dos valores democráticos em todo o mundo. Ambos fazem parte de importantes associações regionais - o Mercosul e a União Europeia. Ambos atribuem grande relevância aos direitos humanos, aos temas ambientais, à educação e ao desenvolvimento científico e tecnológico. Os Países Baixos são hoje o terceiro principal destino das exportações brasileiras, que daqui são, em parte, reexportadas e redistribuídas por casas comerciais neerlandesas para outros destinos europeus. Adensam-se também os investimentos, tendo sido o Brasil, nos dois últimos anos, o principal recebedor de capitais neerlandeses dentre os países em desenvolvimento. No campo da cultura e dos estudos académicos é com satisfação que menciono as atividades da Cátedra de Estudos Brasileiros da antiga e tradicional Universidade de Leiden. Recordo, ainda, o projeto de interação cultural e económica entre as Prefeituras de Recife e Amsterdã. Esses são apenas alguns exemplos do dinamismo de nossas relações de cooperação. Majestade, o Brasil nutre grande admiração pelos Países Baixos, não somente por seu extraordinário património histórico e cultural, ou pelo vigor de sua economia e de seu comércio, mas sobretudo por sua tradição de respeito aos direitos humanos, à tolerância e aos valores democráticos. Por isso, desejo reiterar, neste magnífico jantar que nos é oferecido por Vossa Majestade, a importância que atribuímos às relações com os Países Baixos e o quanto nos interessa vê-las florescer no presente e no futuro, numa parceria consolidada, para benefício de nossos povos.
Imbuído desse espírito, convido os presentes a se unirem a mim para levantar um brinde à saúde de Sua Majestade a Rainha Beatrix , à de Sua Alteza Real o Príncipe Claus e à prosperidade e felicidade do povo neerlandês