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Discurso no almoço com o Presidente do México na Fiesp - São Paulo, 28 de abril de 1999
Dá gosto ouvir o Presidente Zedillo. Dá gosto ver como um líder, na plenitude do conhecimento da situação do seu país, é capaz de, em tão pouco tempo, expor, com tanta precisão - e com tanta emoção, ao mesmo tempo - a importância do desenvolvimento do seu país, a importância do relacionamento do seu país com o Brasil. Dá gosto ver essa capacidade que tem o Presidente Zedillo de mostrar o essencial e, ao mostrar o essencial, de demonstrar, pelo seu modo de ser, a fibra necessária para levar adiante, como ele está levando, as transformações que se impõem no mundo contemporâneo para que otransformação das sociedades. Só ao ouvi-lo, hoje, já nos deixaria todos nós, brasileiros, muito felizes. Mas há mais. A presença de Ernesto Zedillo no Brasil tem um significado simbólico importante. Porque isso está a clamar uma aproximação entre o Brasil e o México. É um clamor que vem de longo tempo, mas que, simbolicamente, se concretiza nesses dias, pela presença e pelo empenho do Presidente do México em estar entre nós. E de, ao vir ao Brasil, ter vindo acompanhado de uma importante delegação mexicana e ter nos mostrado a nós, brasileiros, não apenas que é importante que o México continue participando ativamente do desenvolvimento do Brasil, mas que já está participando desse desenvolvimento. É muito significativo que, hoje, o Presidente Zedillo tenha feito sua exposição, talvez a principal, nos dias que esteve no Brasil, aqui nesta casa, na Fiesp. Também aproveito a oportunidade para agradecer ao Presidente da Fiesp, Doutor Horácio Piva, as palavras com as quais nos saudou. E dizer que acredito, realmente, que é importante que seja nesta casa que o Presidente do México tenha recordado que o trabalho de aproximação entre os nossos países e a integração entre as nossas economias dependem, também, de uma forte cooperação entre os empresários brasileiros e os mexicanos, com o governo do Brasil e com o governo do México. Acredito que as demandas - súplicas, como se diz em espanhol - que aqui foram apresentadas foram as mais gostosas para os ouvidos dos Presidentes. Quando as súplicas são para mais trabalho e mais cooperação, isso nos encanta e nós concedemos de plano. Um pouquinho mais difícil é quando elas têm implicações de outra natureza, mas, mesmo essas, estamos vendo que são importantes serem levadas adiante. Sem dúvida alguma, a questão dos vistos nos passaportes é uma questão que será resolvida porque merece solução. Não tenho nenhuma dúvida de que as determinações do Presidente Zedillo e as minhas, no sentido de que os nossos ministros trabalhem para que nós possamos ter uma cooperação comercial mais ativa e para que possamos ter entendimentos, em termos de preferências arancelarias, quer dizer, aduaneiras, vão ser efetivadas, porque sentimos a importância desse passo. Não precisaria dizer nada, depois do que disse o Presidente Zedillo, sobre a importância dos fluxos comerciais. Aliás, não preciso dizer, realmente, nada, depois do que disse o Presidente Zedillo, em termos do que significam as relações do Brasil corri o México e a nossa determinação de levá-las adiante. Quero, apenas, fazer umas países possam prosperar. E que, ao prosperar, não percam de vista transformação das sociedades. Só ao ouvi-lo, hoje, já nos deixaria todos nós, brasileiros, muito felizes. Mas há mais. A presença de Ernesto Zedillo no Brasil tem um significado simbólico importante. Porque isso está a clamar uma aproximação entre o Brasil e o México. É um clamor que vem de longo tempo, mas que, simbolicamente, se concretiza nesses dias, pela presença e pelo empenho do Presidente do México em estar entre nós. E de, ao vir ao Brasil, ter vindo acompanhado de uma importante delegação mexicana e ter nos mostrado a nós, brasileiros, não apenas que é importante que o México continue participando ativamente do desenvolvimento do Brasil, mas que já está participando desse desenvolvimento. É muito significativo que, hoje, o Presidente Zedillo tenha feito sua exposição, talvez a principal, nos dias que esteve no Brasil, aqui nesta casa, na Fiesp. Também aproveito a oportunidade para agradecer ao Presidente da Fiesp, Doutor Horácio Piva, as palavras com as quais nos saudou. E dizer que acredito, realmente, que é importante que seja nesta casa que o Presidente do México tenha recordado que o trabalho de aproximação entre os nossos países e a integração entre as nossas economias dependem, também, de uma forte cooperação entre os empresários brasileiros e os mexicanos, com o governo do Brasil e com o governo do México. Acredito que as demandas - súplicas, como se diz em espanhol - que aqui foram apresentadas foram as mais gostosas para os ouvidos dos Presidentes. Quando as súplicas são para mais trabalho e mais cooperação, isso nos encanta e nós concedemos de plano. Um pouquinho mais difícil é quando elas têm implicações de outra natureza, mas, mesmo essas, estamos vendo que são importantes serem levadas adiante. Sem dúvida alguma, a questão dos vistos nos passaportes é uma questão que será resolvida porque merece solução. Não tenho nenhuma dúvida de que as determinações do Presidente Zedillo e as minhas, no sentido de que os nossos ministros trabalhem para que nós possamos ter uma cooperação comercial mais rências arancelarias, quer dizer, aduaneiras, vão ser efetivadas, porque sentimos a importância desse passo. Não precisaria dizer nada, depois do que disse o Presidente Zedillo, sobre a importância dos fluxos comerciais. Aliás, não preciso dizer, realmente, nada, depois do que disse o Presidente Zedillo, em termos do que significam as relações do Brasil corri o México e a nossa determinação de levá-las adiante. Quero, apenas, fazer uma pequena reflexão. É significativo e importante que, neste momento, ao ouvir o Presidente do México, eu fique dizendo: "Não tenho mais o que dizer, estou de acordo com tudo o que ele disse." Isso é um sinal muito importante, do amadurecimento das relações entre os nossos países, ainda que essa relação, no plano comercial, no plano económico, não estejam tão desenvolvidas quanto nós desejamos e quanto serão no futuro, mas no plano político, já estão. No plano político, já temos um entendimento bastante avançado do que significa o desafio de países da América Latina. Afastamos, há muito tempo, de plano, e não sem muita luta, as ideias relativas ao "isolamento esplêndido" de cada um dos nossos países, com relação um ao outro, com relação ao mundo, e com relação aos nossos vizinhos mais imediatos. É inútil que alguém, ainda hoje, possa imaginar solução alternativa, porque já se foi o tempo em que era possível pensar num crescimento autárquico. Hoje, todos sabemos que o crescimento há de se dar dentro de um marco, de um mercado mais amplo, que se globalizou. Precisamos ter muita capacidade de colocar as nossas condições propiciamente em ordem nos nossos países, para que possamos participar dessa globalização sem sofrermos apenas os efeitos maléficos dela. E os efeitos maléficos dela situam-se - já o disse o Doutor Horácio Piva -, basicamente, no campo financeiro. O que sacudiu o México, em 95, o que sacudiu a Ásia, em 97, a Rússia, em 98, e um pouquinho o Brasil, em 99, foi precisamente o descontrole de fluxos financeiros que não estão casados com a economia real.
lhantes nessa matéria. Sabemos que não adianta, para escapar desses mal-estares que, de repente, podem ocorrer, simplesmente refluirmos e tentarmos voltar a um passado, fechando as nossas economias. Pelo contrário, precisamos é adaptá-las para que elas possam tirar proveito das situações, das oportunidades que se apresentam, nos termos do mundo contemporâneo e das economias que se globalizam. Sabemos, também, que, para isso, temos que ter uma posição política forte, não apenas internamente, mas externamente, porque decisões importantes deverão estar sendo tomadas - e serão tomadas - de agora em diante, para que possamos controlar, progressivamente, os malefícios que possam vir a ser causados pelos fluxos de capital, quando estes não têm alguns instrumentos de contrapeso. Quando me refiro a alguns instrumentos de contrapeso, não estou pensando, porque já o disse antes, no fechamento de qualquer economia. Estou pensando, isso, sim, é na transparência crescente dos mecanismos financeiros, é num controle crescente desses mecanismos, não só internamente, mas também internacionalmente, para que possamos acompanhar, com mais precisão, o que ocorre pelo mundo afora. Estou pensando também em decisões que hão de ser tomadas, ainda nas próximas semanas, nos foros de estabilidade global, porque já há um organizado, nas reuniões do G-/, nas reuniões do Comité Interino do Fundo Monetário, nas reuniões do que se chama G-22 e em muitas outras mais, no sentido da definição de uma nova arquitetura financeira mundial.
O México e o Brasil precisam estar ativos - e estarão - nessa discussão, porque têm exemplos a dar de como são negativas certas consequências da globalização e de como foi possível também, a despeito disso, superá-las e manter o rumo, que é o rumo necessário para o desenvolvimento económico de nossos países. Fiquei muito satisfeito, não só de agora, nos contatos frequentes que tenho com o Presidente do México - inclusive depois da crise da Rússia, inclusive depois dos primeiros abalos que a crise da Rússia provocou no Brasil -, nas conversas que tivemos pelo telefone, em que me ajudou a entender melhor esses mecanismos que se desatam sobre as economias e o que fazer diante deles, e o alento que a situação mexicana dá a todos nós, brasileiros, que é o fato de perceber que o México, a despeito das dificuldades, as superou e, hoje, está, de novo, no rumo do crescimento. É isso, senhores empresários, o que nós precisamos fazer em todos os nossos países. Tenho a confiança de que o Brasil já encontrou também este mesmo caminho. Está começando a trilhar este mesmo caminho, que é o da retomada de um desenvolvimento sustentável. O indicador fundamental para isso ou os indicadores são dois: controle da inflação e queda da taxa de juros. O Brasil controlou a inflação e está fazendo com que a taxa de juros caia. Se me permite o Presidente do México, em uma reunião que tive, em Brasília, com industriais brasileiros, eu disse, naquela ocasião, que a queda da taxa de juros não dependia de um decreto meu. Se dependesse de um decreto meu, sendo eu, em nome do Governo, o maior devedor do Brasil, seria o primeiro a fazer um decreto para baixar as taxas de juros. Dependia da construção de uma situação positiva na economia que permitisse a queda das taxas de juros. É o que estamos fazendo. É o que estamos fazendo e, agora, o faremos ainda com mais energia, não só porque o nosso país demanda, mas porque o exemplo mexicano é muito claro, ao mostrar que há viabilidade na persistência do rumo e que nós temos como superar eventuais dificuldades.
Queria mencionar um outro aspecto. E o aspecto de que o Brasil, hoje, é um país que pertence ao Mercosul, é um país que tem relações muito próximas, como toda a gente sabe, com a Argentina, que tem com seus sócios do Uruguai, do Paraguai e com os parceiros do Chile e da Bolívia compromissos muito claros. Mas, sendo um país do sul da América do Sul, sendo um país dentro do Mercosul, é um país que se abre não apenas ao Mercosul e à América do Sul, mas a todo o hemisfério e que pretende se abrir mais ainda e ter relações crescentemente prósperas com o resto do mundo. Nesse contexto, zona de paz que constituímos neste continente, zona de democracia, como reafirmou o Presidente do México, é indiscutível que o México e o Brasil são os países que têm a maior concentração industrial no mundo latino-americano. Isso é inegável. É inegável, portanto, que nós temos que buscar as nossas complementaridades, para que nós possamos, ir avançando mais no nosso processo industrial. É indiscutível que é importante ampliar as exportações. Um exemplo para os brasileiros: o México, com um produto bruto de cerca de 400 bilhões de dólares, exporta quase 120 bilhões de dólares. O Brasil, com 800 bilhões, exporta pouco mais de 50 bilhões. O caminho a percorrer está aí. O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio é um homem desta Casa, está aqui ao nosso lado. Juntos, poderemos percorrer com mais velocidade esse caminho, ampliando as exportações. E exportação, hoje, é o outro lado da mesma moeda da política industrial. Não existe uma política só de exportação. Ou há uma política global, que permita a exportação ou, então, não vai haver a exportação. Vamos precisar exportar. Pois bem, eu dizia que o México e o Brasil são, no nosso continente latino-americano, os dois países de maior avanço industrial. E somos os dois países de maior avanço industrial porque temos uma retaguarda tecnológica, de universidade, de democracia, de visão da necessidade da industrialização, que permite que esses países avancem. Mas esse avanço está não só nas mãos dos governos. Está nas mãos dos senhores empresários, está nas mãos dos senhores sindicalistas, está nas mãos dos senhores universitários. Está nas mãos de todos aqueles que vão ter que ser partícipes desse processo. E me apraz ter assinado, ou assistido à assinatura, junto com o Presidente Zedillo, de um ato entre o Colégio do México e a Universidade de São Paulo. Porque temos uma visão da transformação económica, que não é só mercado nem é só chão de fábrica. Ela é mais do que isso, ela é cidadania. Ela é sociedade. Ela é modo de viver, é modo de cooperar, para que nós possamos avançar. Também nesse aspecto México e Brasil têm problemas semelhantes e devem buscar, juntos, caminhos que nos fortaleçam, de um modo que possa ser de proveito mútuo. E isso vai ser verificado já, numa reunião que teremos no Rio de Janeiro, em junho, para a qual os países da América Latina convidaram os países da Europa.
Os presidentes e primeiros-ministros dos países europeus deverão se deslocar para o Rio de Janeiro, para esse encontro com os países latino-americanos. E será, talvez, um dos maiores encontros já havido por aqui - cerca de 50 presidentes de países da Europa e da América Latina -, onde vamos discutir o aprofundamento das relações da América Latina com a Europa. Por que digo isso? Porque se estamos enlaçados, como estamos, com o Mercosul, se estamos, agora, crescentemente vinculados nos nossos interesses com o México, assim procedemos para ampliar os horizontes, e não para fazer de cada ato de aproximação com um país um afastamento dos demais. Não é esse o mundo de hoje. O mundo de hoje é um mundo, realmente, de abertura. México e Brasil, mais uma vez, nesta reunião do Rio de Janeiro, vão demonstrar a coincidência de pontos de vista e o empenho que todos temos, para que os nossos países participem ativamente desta economia global. Já falei demasiado, mas, se me permitem, hhablo algo en castellano para decir a mis queridos amigos de México Ia gran satisfacción, Ia enorme satisfacción — y ahora en el plan de Ia amistad, en el plan dei corazón - de ternerlos entre nosotros. Ya saben desde ya que eso no es solamente una expresión, por mera casualidad, sino que realmente algo que se ha ido constituyendo, en Ia historia de nuestros pueblos. Y yo puedo decirlo, pêro lês digo con toda sinceridad, hoy estan ustedes acá en São Paulo, mi ciudad, si pueden caminar por Ias calles de esta ciudad van a sentir el carino que los brasilenos tenemos por los mexicanos. Y Io que se pasa en São Paulo no será distindo de cualquier parte que estean ustedes, en Brasil van a sentir siempre que pertenecemos - y repito Io que dije ayer, citando por fin a Octavio Paz - a Ia misma hermandad.
Mi hermano Zedillo, muchisimas gracias