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Discurso em jantar que lhe foi oferecido pelo Senhor Presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton - Washington, EUA - 20 de abril de 1995
Senhor Presidente, Este jantar foi um momento agradável. No entanto, sei que seus pensamentos estão também com as vítimas da tragédia de Oklahoma. Aproveito esta ocasião para reiterar minhas palavras de sentimento e solidariedade para com Vossa Excelência e o povo norte-americano. Em nosso encontro desta manhã, tivemos ocasião de falar sobre a amizade que sempre uniu nossos povos, bem como sobre os diversos pontos em comum entre nossos países. Este é momento para uma nota de caráter mais pessoal. Desejo estender-lhe desde logo meu agradecimento pela acolhida fraterna com que fomos recebidos, Rum e eu, nesta capital. Esteja certo de que levaremos de volta ao Brasil recordações gratas desta visita. Reconhecemos nas atenções que nos foram dispensadas a importância que o Governo dos Estados Unidos atribui não só a mim, mas sobretudo ao Brasil e ao seu povo. Queria também expressar minha admiração e amizade por Vossa Excelência. Sei que, no centro de suas preocupações, está a busca de como combinar o necessário progresso material com a promoção de condições de vida dignas e com a valorização da comunidade. Também sei que sua ação como Chefe do Executivo pauta-se invariavelmente, em meio às demandas contraditórias de nossos tempos, pelo caminho da razão e do entendimento. São estas as qualidades exigidas dos líderes, nos dias de hoje, para que resgatem para a política seu sentido mais nobre de ser a busca do bem comum. Pois a política, mais do que a arte do possível, é a ferramenta com que são feitas as utopias e com a qual elas se transformam em realidade. Para manejá-la são necessárias a humildade, que ensina que para encontrar a verdade é preciso ouvir sempre o povo, e a determinação, que leva a perseguir um futuro melhor mesmo ante as resistências dos que temem as mudanças. São essas, também, as virtudes que têm orientado a sociedade brasileira em seu longo esforço de criar um Brasil que está hoje renovado, com crescimento, liberdade e justiça social. Para falar à sociedade norte-americana deste Brasil que ingressa em novo período de desenvolvimento, tive a satisfação de ser seu convidado nos últimos dias A mensagem que lhe trago é simples, Senhor Presidente, é a mensagem da amizade que sempre uniu nossos dois países, que deve ser a base de uma nova parceria, em que Brasil e Estados Unidos partilham uma aspiração comum à prosperidade, liberdade e paz. No plano pessoal, não poderia esquecer que, em 1964, quando começaram a circular rumores de minha prisão iminente, Ruth decidiu que deveríamos esconder-nos. A primeira visita que recebi em meu esconderijo foi a do então Cônsul norte-americano em São Paulo, que tinha chegado a nós por meio de nossos amigos. Vinha oferecer-nos vistos para os Estados Unidos, onde poderíamos viver em liberdade. Posteriormente, nos anos duros do autoritarismo, foi também em universidades e fundações americanas que encontrei estímulo e apoio. Senhor Presidente, ao expressar minha confiança no aprofundamento das relações entre Brasil e Estados Unidos, gostaria de convidar os presentes a me acompanharem no brinde que faço à felicidade pessoal do Presidente Bill Clinton e de Ms. Hillary Clinton.
Muito obrigado