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Discurso em almoço que lhe foi oferecido pelo Senhor Vice-Presidente dos Estados Unidos, Al Gore - Washington, EUA - 20 de abril de 1995
Senhor Vice-Presidente; Senhoras e Senhores; Seu país despertou esta manhã sob o choque de um ato infame. Ontem, a violência terrorista atingiu fundo este país. Minhas primeiras palavras são assim de sentimentos para a família das vítimas da tragédia de Oklahoma , bem como de solidariedade de todos os brasileiros para com a Nação norte-americana. Senhor Vice-Presidente, queria inicialmente manifestar-lhe minhas palavras de agradecimento ao Governo norte-americano pela calorosa acolhida proporcionada a mim e à minha comitiva. O que me traz aos Estados Unidos da América, ainda no início de meu Governo, é a certeza de que estão dadas as condições para que o Brasil e Estados Unidos desenvolvam uma nova parceria. Essa nova parceria é corolário natural das múltiplas convergências que nos aproximam. Os laços de amizade e cooperação que unem nossos países têm sua origem em nossa Independência Nacional, quando a então jovem República norte-americana foi o primeiro país a nos reconhecer como nação livre. São, ainda, laços que se traduzem na admiração e na amizade de nosso povo pelo povo norte-americano. Esse é um património de que muito nos orgulhamos. Nem sempre, porém, o relacionamento bilateral pôde explorar todo o potencial existente, em razão de algumas incompreensões mútuas, hoje amplamente superadas. A origem daquelas incompreensões talvez esteja na possível dificuldade de entender o processo de transição política e económica empreendido pelo Brasil. O fato de as reformas no Brasil se terem processado talvez mais lentamente do que alguns poderiam esperar deve ser visto, porém, no que ele tem de positivo. Significa que o País nunca abriu mão de caminhos próprios. Significa que a sociedade amadureceu suas escolhas. Significa que reformas políticas e económicas puderam caminhar juntas. Orgulha-se hoje a sociedade brasileira, Senhor Vice-Presidente, da coragem com que levou adiante os esforços de reformas dos últimos anos. Sem traumas e sem violências, meu país consolidou a ordem democrática, fortaleceu o pluralismo de sua sociedade e está forjando um novo modelo de desenvolvimento.
É desse Brasil renovado que trago a mensagem da amizade que nos deve unir ante os desafios da definição de um novo arcabouço político internacional que responda adequadamente aos desafios do pós-Guerra Fria. Somos duas Nações unidas pela História, mas somos sobretudo dois países unidos por um futuro promissor de cooperação. Somos ambos países continentes; ambos tivemos a felicidade de contar com gente de todas as partes do mundo em nossa formação. Estamos, sobretudo, unidos por um universo de valores partilhados; e que se exprimem na vida democrática e na liberdade individual. São os mesmos valores que nos levaram a lutar como aliados na Segunda Grande Guerra; são os valores que saíram vitoriosos dos longos anos da Guerra Fria. Nosso acervo comum inclui ainda a promoção ampla dos direitos humanos e a proteção do meio ambiente. Temos obrigações nacionais e internacionais nessas áreas. Permanecem válidos os compromissos que assumimos no Rio de Janeiro, em 1992, com a cooperação internacional para o meio ambiente. Em um mundo que consagra a democracia, a economia de mercado e faz da Paz uma aspiração universal, Brasil e Estados Unidos devem estar juntos na tarefa de traduzir esses valores em conquistas concretas. Ao longo da Cúpula das Américas, para cujo êxito sabemos que Vossa Excelência teve contribuição importante, a cooperação entre Brasil e Estados Unidos deixou claro que qualquer projeto consistente de integração hemisférica exige uma ação concertada das duas maiores democracias hemisféricas.
Na área da não-proliferação, amadureceu o entendimento de que os mecanismos patrocinados pelo Brasil dão ampla garantia de nosso compromisso com a Paz e com o uso pacífico da energia nuclear. A Diplomacia brasileira tem tido papel relevante nos organismos internacionais, tanto na esfera económica, quanto na área de solução pacífica de controvérsias. O mundo pós-Guerra Fria exige que repensemos o quadro das instituições multilaterais. A ONU precisa ganhar efetividade com base na representatividade de suas decisões. O sistema financeiro internacional deve estar preparado para enfrentar os efeitos da globalização. A OMC deve ser plenamente implementada e ser garantia de expansão dos fluxos internacionais de comércio. Na esfera económica, a afirmação no Brasil de um novo modelo de desenvolvimento teve efeito positivo nas relações de comércio e nos fluxos de investimento entre nossas economias. Senhor Vice-Presidente, ao manifestar-lhe minha confiança em que juntos seremos capazes de desenvolver uma agenda bilateral afirmativa, gostaria de convidar os presentes a me acompanharem no brinde que faço à felicidade pessoal do Vice-Presidente Al Gore, e ao contínuo desenvolvimento e bem-estar de nossos povos.
Muito obrigado