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Discurso à saudação de boas-vindas do Presidente da República Portuguesa, Mário Soares, no Palácio de Belém - Lisboa, 22 de outubro de 1990
Com particular emoção recebo as palavras de boas-vindas de Vossa Excelência ao Palácio de Belém. Em solo português estou em casa e, como se não bastasse, minha mulher, minha comitiva e eu somos imediatamente envoltos pela hospitalidade da gente portuguesa, em mais uma demonstração da especialíssima deferência com que Portugal sempre distinguiu o Brasil. Começo minha visita oficial a este país no lastro de um patrimônio comum raramente igualável por outras nações amigas e irmãs. A história do Brasil não existe sem a história de Portugal, no passado e no presente. E a nós cabe escrever o futuro. Senhor Presidente, Mais uma vez um Chefe de Estado brasileiro chega a Portugal trazendo o penhor de nossa amizade secular. No mundo, transformações múltiplas e céleres renovam as esperanças coletivas de tempos mais prósperos, em clima de paz e entendimento. Para trás, parecem haver ficado as heranças perversas do pós-guerra. À frente, horizontes promissores se descortinam para todos os povos, impelindo-os a privilegiarem aproximação e cooperação crescentes entre as nações.
Brasil e Portugal orgulham-se do nível de suas relações de amizade que, em muitos aspectos, alcançam a vanguarda dos novos tempos. Estou convencido de que, pelo ambiente que Vossa Excelência e o Governo português tão generosamente souberam criar para receber-me, esta viagem contribuirá para reforçar ainda mais os laços exemplares que tradicionalmente unem o Brasil a Portugal. Permita-me, assim, Senhor Presidente, antecipar-lhe meus votos à prosperidade de Portugal e de seu povo, nosso irmão, ao futuro das relações luso-brasileiras e à saúde e felicidade pessoais de Vossa Excelência.