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Entrevista do Embaixador Celso Amorim à Radiobrás sobre Relações Brasil-Colômbia. Matéria exibida no jornal de televisão NBR Manhã - 28/6/2005
Apresentadora Francy Rodrigues: Colômbia e Brasil estreitam as relações comerciais e assinam acordo para ensinar português e espanhol na fronteira entre os dois países. O repórter Nelson Mota acompanhou a visita do Chanceler Celso Amorim a Bogotá.
Reporter: O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, veio a Bogotá representando o Presidente Lula. Aqui teve encontros com autoridades colombianas e abriu o 2º Encontro Empresarial Brasil/Colômbia. O Chanceler brasileiro falou dos negócios que envolvem Brasil e Colômbia, que no ano passado chegaram a US$ 1,2 bilhão nas áreas de siderurgia, aviação, petróleo, vestuários e calçados. Foi aqui na Câmara de Comércio de Bogotá que o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, chamou a atenção de mais de 150 empresários brasileiros e colombianos para a importância de se investir na América do Sul.
Ministro Celso Amorim: É um espaço natural de atuação. Fico muito contente de ver, por exemplo, no caso da Colômbia, que já tínhamos investido em siderurgia, em aviação civil, em petróleo e produtos relacionados com o petróleo, calçados e em muitas outras áreas. Acho que, digamos, o mesmo que está ocorrendo aqui na Colômbia tem ocorrido também na Argentina, no Paraguai, em muitos países. Hoje, a América do Sul já representa parcela importante do nosso comércio exterior, praticamente 20%. Certamente, parcela equivalente ou talvez até maior dos nossos investimentos. Acho que é algo muito importante porque isso também potencializa o comércio não só das nossas exportações, mas das nossas importações, porque, muitas vezes, o empresário brasileiro pode investir e vender para o próprio Brasil. E, com isso, vamos fazendo um crescimento equilibrado, fortalecendo os nossos laços e nos tornando mais aptos a participar dessa competição global entre grandes blocos econômicos.
Repórter: O que o senhor destacaria no discurso para os empresários brasileiros e colombianos?
Ministro Celso Amorim:: Para os empresários colombianos, lembrei que há dois anos, quando estávamos discutindo o acordo com o MERCOSUL e havia reticências aqui, como em outros país, havia o temor da invasão dos produtos brasileiros. E até brinquei: “Como é que não têm medo da invasão dos produtos norte-americanos, na ALCA ou dentro dos acordos de livre comércio, e têm medo da invasão dos produtos brasileiros?”.
A verdade é que o nosso comércio é efetivamente desequilibrado, mas, desde que se começou a discutir o acordo que se concluiu mais recentemente, as nossas importações seguem aumentando, mas as nossas exportações também aumentaram muito. Então, acho que não há o que temer e que, digamos, quando olhamos pelo ângulo brasileiro, mais de 90% das nossas exportações para a América do Sul sendo produtos manufaturados - e, como diziam aqui os colombianos, também para nós a maior parte das exportações deles, sobretudo as que têm revelado maior dinamismo, são de produtos não tradicionais -, isso é bom para criar emprego; é bom para melhorar a nossa capacidade de criar valor agregado, de desenvolver áreas mais sofisticadas da nossa produção. Enfim, acho que é bom para todos nós.