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“A Argentina é o nosso maior aliado” (Gazeta Mercantil, 17 de julho de 2004)
Chanceler rebateu críticas à atuação do Brasil no caso das barreiras. O Chanceler Celso Amorim rebateu, na sexta-feira, os comentários de que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Itamaraty reagiram de maneira complacente à decisão daArgentina de impor barreiras à importação de eletrodomésticos brasileiros, às vésperas da Reunião de Cúpula do MERCOSUL, em Puerto Iguazú, na Argentina.
“Tem gente que quer ver uma guerra entre os dois países, mas, na verdade, a Argentina é o nosso maior aliado político e econômico, e é ainda o nosso segundo parceiro comercial. Se não houvesse crescimento do comércio bilateral e do próprio MERCOSUL, não haveria eventuais contenciosos comerciais. Todos têm de defender, em determinados momentos, seus interesses, e aqui mesmo no Brasil é comum a chamada guerra fiscal entre os Estados”, afirmouAmorim.
O Chanceler disse ter esperança de um entendimento entre as duas partes, na reunião marcada para quarta-feira, em Buenos Aires, com a participação de empresários, autoridades e técnicos dos governos brasileiro e argentino. E lembrou que nos anos em que representou o Brasil no antigo GATT (General Agreement of Tarifs and Trade) e na Organização Mundial do Comércio (OMC) cansou de ver disputas (painéis) entre os Estados Unidos e o Canadá, “exatamente em face da intensidade de suas relações comerciais”.
“Em casos como esse, temos de ter maturidade e a noção da necessidade de acomodar certos interesses. O Brasil já adotou, anteriormente, medidas semelhantes, com relação a produtos agrícolas do Sul do país. Todos nós temos nossos públicos internos”, comentou ainda Amorim, ao responder a uma pergunta sobre se o Presidente Nestor Kirchner não estaria adotando a medida protecionista em função do “público interno”.
Para o Ministro brasileiro das Relações Exteriores, o MERCOSUL “nunca esteve tão unido”, não só nas negociações para fechar o acordo com a União Européia, até outubro, mas também nas negociações com os Estados Unidos para a criação da futura Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), e na luta contra os subsídios às exportações, no foro da OMC.
Para dar um exemplo “simbólico, mas importante”, da união e do desenvolvimento do MERCOSUL, Celso Amorim presidiu ontem de manhã a cerimônia de hasteamento da bandeira do MERCOSUL, ao lado da do Brasil, em frente ao Palácio do Itamaraty. O Brasil assumiu a presidência pró-tempore do MERCOSUL, por seis meses, e durante todo esse tempo a bandeira do MERCOSUL vai tremular ao lado da do Brasil na Esplanada dos Ministérios.
O Chanceler refutou também insinuações de que o Brasil teria sido o principal promotor da decisão de se aceitar a Venezuela como país associado ao MERCOSUL, na reunião encerrada ante ontem, em Puerto Iguazú, para dar de forma indireta apoio ao Presidente Hugo Chávez, que pode ser afastado do cargo no plebiscito a ser realizado em 15 de agosto. “Para efeitos práticos, a Venezuela já era membro associado do MERCOSUL. Falta apenas protocolizar o acordo de livre comércio, dentro de um mês. Temos certeza de que a Colômbia e o Equador vão logo ser admitidos, e agora o México já mostrou interesse em se associar ao MERCOSUL”, disse o Chanceler.
O Ministro Amorim viajou sexta-feira à noite para Paris, onde participou sábado, na embaixada do Brasil, de uma reunião com o Comissário da União Européia, Pascal Lamy, e seus colegas dos Estados Unidos, da Índia e da Austrália, que formam o grupo conhecido como NG 5, que está discutindo “avanços” na pauta agrícola em discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC).