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Discurso por ocasião da solenidade de assinatura da Ata de Reconhecimento da Comissão Sul-Americana para a luta contra a febre aftosa (COSALFA)
Sente-se privilegiado o Governo brasileiro em poder propiciar esta oportunidade em que se assina, depois de doze anos de existência da Comissão Sul-americana para a Luta contra a Febre Aftosa (COSALFA), a ata de seu reconhecimento como Comissão permanente institucionalizada a nível subregional.
Desde sua criação, em 1973, por inspiração da Organização Panamericana da Saúde, a COSALFA tem atuado como foro de orientação das políticas e estratégias aplicadas ao combate da febre aftosa, moléstia cujos ma- lefícios são amplamente ressentidos por nossas economias.
Não se ignora a importância da pecuária em países como os nossos por sua tríplice contribuição, seja para o aumento da riqueza proteica da dieta alimentar das populações, seja como expressiva fonte de renda no se- tor primário, seja ainda como fonte de divisas em seu segmento exportador. Ao atin- gir parcelas significativas do rebanho, a fe- bre aftosa causa sensíveis prejuízos á ativi- dade pecuária, inibindo seu desenvolvimento e impedindo que se possa auferir, em sua plenitude, os benefícios que dela derivariam. Particularmente no setor externo, onde já não são poucas as dificuldades que se interpõem ao comércio internacional de carnes em decorrência de políticas artificiais de preços em certos países desenvolvidos, o problema da aftosa constitui agravante de pesadas consequências para nossas exportações. É sabido que, ademais das proibições absolutas que recaem sobre produtos originários de áreas afetadas, sofrem sistemático processo de desvalorização as mercadorias provenientes de áreas consideradas livres da enfermidade, sempre que procedem de países que ainda registram focos.
Lembro também os obstáculos que, por essa mesma razão inibem o comércio internacional de animais.
Com o propósito de melhor coordenar as ações de combate à doença, de estudar aspectos específicos do problema e avaliar os resultados obtidos para aprimorá-los no futuro, vem a COSALFA trabalhando desde seu estabelecimento. Sua ação tem contribuído para que os países-membros registrem significativos avanços nessa área, dentre os quais valeria citar: a implantação de uma infra-estrutura de serviços veterinários, a organização de programas sistemáticos de controle, a criação de um sistema de informação e vigilância epidemiológica e o permanente aprimoramento das vacinas utilizadas.
São tarefas da COSALFA promover o intercâmbio da informação técnica, a padronização dos requisitos sanitários exigidos para a comercialização de animais e produtos de origem animal, bem como incentivar a coperação técnica entre seus membros. Motivada por propósitos similares funciona a Comissão Europeia para o Controle da Febre Aftosa, com a qual a Comissão Sul-americana já mantém um relacionamento que tenderá a intensificar.
Estou certo de que, para o desempenho de suas atribuições, não faltará à COSALFA o imprescindível apoio da Organização Panamericana da Saúde, à qual está vinculada, do Centro Panamericano de Combate à Febre Aftosa, que a assistirá como Secretaria Executiva, e de outros organismos do setor.
Com a institucionalização a que hoje se procede, ganha a COSALFA novo status na família interamericana, facilitando-lhe o diálogo com entidades congéneres e permitindo-lhe estabelecer vínculos de cooperação, que todos desejamos seja fecunda para os países-membros.
Muito obrigado.
(Texto reproduzido em conformidade com o acordo ortográfico vigente à época de sua publicação original)