Notícias
Discurso na Conferência Internacional de Paris de Apoio ao Líbano, - 25 de janeiro de 2007
(Texto em português do original em francês) Excelentíssimo Senhor Jacques Chirac, Presidente da República Francesa, Excelentíssimo Senhor Fuad Siniora, Primeiro-Ministro do Líbano, Excelentíssimo Senhor Ban Ki-moon, Secretário-Geral das Nações Unidas, Excelentíssimos Senhores Chefes de Delegação, Senhoras e senhores, Por acolher a maior comunidade libanesa do mundo, o Brasil foi profundamente tocado pelo conflito militar do Líbano no último mês de julho. A dor dos libaneses foi percebida pelos brasileiros como um atentado sofrido por nosso próprio país. O Governo e a sociedade brasileira reagiram rapidamente: logo no início, organizamos uma operação sem precedentes para retirar das regiões mais afetadas cerca de três mil brasileiros e nacionais libaneses com vínculos familiares no Brasil. Logo após o cessar-fogo, fui o segundo Ministro das Relações Exteriores a visitar Beirute. Levei comigo 12 toneladas de medicamentos e outras provisões doadas pelo Governo brasileiro ou recolhidas pela comunidade libanesa no Brasil. Durante a Conferência de Estocolmo, anunciamos uma contribuição de 500 mil dólares para o Fundo do PNUD destinado ao financiamento de projetos de reconstrução no Líbano. Dois meses mais tarde, enviamos ao Líbano uma missão multidisciplinar de cooperação. Estamos desenvolvendo projetos bilaterais nos setores de agricultura, saúde, educação e habitação, entre outros. Nosso empresariado está igualmente comprometido com a promoção do comércio e dos investimentos no Líbano. Tenho o prazer de anunciar agora uma doação adicional de um milhão de dólares, destinada a financiar projetos brasileiros de cooperação com o Líbano. Senhor Presidente, Ao nos reunirmos aqui para reafirmar nosso compromisso com a reconstrução do Líbano, devemos igualmente trabalhar para evitar, a todo custo, conflitos, destruição e sofrimento. Se é verdade que o reforço das instituições democráticas libanesas está – e assim deve ser – nas mãos dos libaneses, a reconstrução política do Líbano não pode prescindir do apoio da comunidade internacional. O Brasil apóia, com vigor, a plena execução da Resolução 1701. Desejamos ver um Líbano unido na diversidade, respeitoso das diferentes denominações religiosas, com sua integridade territorial e sua independência respeitadas por todos. Louvamos os esforços do PrimeiroMinistro Siniora por manter o caráter pluriconfessional da sociedade libanesa e a natureza laica do Governo. Mas não haverá solução duradoura da questão libanesa enquanto não se solucionar o problema palestino, sobre a base de um Estado independente e viável, vivendo em paz e segurança ao lado de Israel. Reitero aqui a sugestão do Presidente Lula, manifestada durante a Sexagésima Primeira Sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, no sentido de se celebrar uma conferência internacional com a presença das partes diretamente envolvidas, bem como com a participação de alguns atores extra-regionais, com o objetivo de discutir a retomada do processo de paz no Oriente Médio. Minha mensagem final é por um comprometimento pleno com a unidade, com a integridade territorial, bem como com a plena independência da nação libanesa. Muito obrigado.
(Original em francês) Son Excellence, M. Jacques Chirac, Président de la République Française, Son Excellence, M. Fuad Siniora, Premier Ministre du Liban Son Excellence, M. Ban Ki-moon, Secrétaire-Général des Nations Unies, Distingués Chefs de délégation, Mesdames, Messieurs, Accueillant la plus grande communauté libanaise au monde, le Brésil a été profondément touché par le conflit militaire au Liban au mois de juillet dernier. La douleur des libanais a été perçue par les brésiliens comme un coup subi par notre propre pays. Le gouvernement et la société brésilienne ont vite réagi: tout d’abord, nous avons organisé une opération sans précédent pour évacuer des régions les plus affectées à peu près 3.000 brésiliens et citoyens libanais avec des liens familiaux au Brésil. Juste après le cessez-le-feu, j’ai été le deuxième Ministre des Relations Extérieures à visiter Beyrouth. J’ai emmené avec moi 12 tonnes d’approvisionnements médicaux et d’autres provisions donnés par le gouvernement brésilien ou rassemblés parmi la communauté libanaise au Brésil. Pendant la conférence de Stockholm, nous avons annoncé une contribution de 500 mille dollars au Fond du PNUD pour le financement des projets de reconstruction au Liban. Deux mois plus tard, nous avons envoyé une mission multidisciplinaire de coopération au Liban. Nous sommes en train de développer des projets bilatéraux dans les secteurs de l’agriculture, de la santé, de l’éducation et du logement, entre autres. Notre communauté d’affaires est également engagée à promouvoir le commerce et des investissements au Liban. J’ai le plaisir maintenant d’annoncer une donation additionnelle d’un million de dollars, qui sera employée à financer des projets brésiliens de coopération au Liban. Monsieur le Président, Lorsque nous nous réunissons ici pour réaffirmer notre engagement à la reconstruction du Liban, nous devons également travailler pour empêcher davantage de conflits, de destruction et de souffrance. S’il est vrai que le renforcement des institutions démocratiques libanaises est - et doit être - aux mains des libanais, la reconstruction politique du Liban ne peut se passer de l’appui de la communauté internationale. Le Brésil soutient fortement la pleine exécution de la résolution 1701.
Nous désirons voir un Liban uni dans sa diversité, respectueux des différentes dénominations religieuses, avec son intégrité territoriale et son indépendance respectées par tous. Nous prônons les efforts du Premier Ministre Siniora pour maintenir le caractère multiconfessionnel de la société libanaise et la nature laïque du gouvernement. Mais il n’y aura de solution durable de la question libanaise aussi longtemps qu’on n’aura pas résolu le problème palestinien, sur la base d’un Etat indépendant et viable, vivant en paix et sécurité à coté d’Israël. Je réitère ici la suggestion du Président Lula à la soixante-et-unième session de l’Assemblée Générale des Nations Unies, pour qu’une conférence internationale, ouverte à la participation des parties directement concernées et de quelques acteurs extrarégionaux, soit organisée dans le but de discuter la relance du processus de paix au Moyen-Orient. Mon message final est d’un plein engagement envers l’unité, l’intégrité territoriale et la pleine indépendance de la nation libanaise. Merci.