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Conferência sobre o Desenvolvimento do Oriente Médio e do Norte da África
Majestade,
Em nome do povo e do Governo brasileiro, o Presidente Itamar Franco me incumbiu da honrosa missão de transmitir a Vossa Majestade uma mensagem de confiança no êxito desta Reunião. Meu país deseja agradecer a Vossa Majestade pelo convite e pela calorosa hospitalidade do novo marroquino.
Majestade, Excelências, Senhoras e Senhores,
Todos os que participam da Reunião de Cúpula de Casablanca estão cônscios de que têm o privilégio de assistir a um acontecimento histórico. Por sua concepção e por seu formato, esta Conferência — ao mesmo tempo de caráter político e económico, governamental e privado — abre perspectivas novas e encorajadoras para a construção da paz, da segurança e da estabilidade, tão almejadas pelos povos do Oriente Médio e do Norte da África. A comunidade internacional se regozija por isso.
Progressos notáveis foram realizados desde a convocação da Conferência de Madri, em 30 de outubro de 1991. Tendo sido convidado pelos dois signatários do Tratado de Paz, a Jordânia e Israel, tive a honra de representar meu Governo em Wadi Araba/Arava. Foi com a emoção mais intensa que testemunhei esse momento de transcendental importância política para nosso mundo.
Da mesma forma, o Brasil não poderia deixar de estar presente a esta Reunião. Com efeito, ela se realiza sob o signo da tolerância e do diálogo, dentro das melhores tradições de Marrocos. Estes valores são muito importantes para a diplomacia brasileira, ao longo de toda a sua história. Meu país — situado numa região onde prevalecem as relações pacíficas — pode compreender plenamente o sentido do «espírito de Casablanca», um apelo à cooperação, ao entendimento, à reconciliação e ao fim dos boicotes políticos.
Apesar da distância geográfica, o Brasil, por suas origens, sente-se muito próximo da civilização mediterrânea, tão lembrada ontem, na abertura da Conferência. Ademais, nossa sociedade e nossa cultura foram enriquecidas tanto pelas correntes imigratórias árabes quanto judias. Assim, nossos laços de amizade com todos os países da região são sólidos e perfeitamente naturais. Estamos, portanto, inteiramente preparados para aumentar nossa parceria com os países do Oriente Médio e do Norte da África. Empresários brasileiros participam desta Reunião. A bem-sucedida experiência de integração regional na América Latina pode, também, ser de grande valor para os países em desenvolvimento desta região.
O Brasil dá seu apoio à criação de um Banco de Desenvolvimento Regional, assim como à instalação de uma Câmara de Comércio Regional. Meu país deseja participar ativamente dos mecanismos que darão seguimento às decisões desta Conferência. Parabenizo o Marrocos por ter sido escolhido como sede do Secretariado Executivo e manifesto, igualmente, minha satisfação pelo fato de que a Jordânia acolherá a próxima Reunião de Cúpula.
O Brasil está empenhado na causa de uma paz justa, duradoura e abrangente, nesta região. Continuamos a apoiar as iniciativas que visam à plena autodeterminação do povo palestino que, vivendo em condições excepcionais, merece esforços de cooperação na mesma medida, a fim de assegurar a execução dos acordos históricos entre Israel e a OLP. A Síria e o Líbano não podem ficar à margem dos avanços do processo de paz na região. Mas a consolidação da paz implica, necessariamente, a criação das condições de um desenvolvi- mento efetivo. A agenda da paz não pode- ria estar separada da agenda do desenvolvimento.
A Cúpula de Casablanca vem emprestar seu apoio a essa tese, que o Brasil tem sustentado com vigor.
Excelências, Senhoras e Senhores,
Graças à lúcida visão de Sua Majestade o Rei Hassan II, a Cúpula de Casablanca está destinada a dar uma contribuição de longo alcance à causa da paz, contra a violência e a favor da humanidade.
Muito obrigado.