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Nota do ministro Aloysio Nunes Ferreira sobre o falecimento de Helio Jaguaribe
Recebi com pesar a notícia do falecimento de Helio Jaguaribe na tarde de ontem.
Perdemos uma referência intelectual e moral, que ajudou a pensar o Brasil moderno e democrático. A fundação do Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política, do Grupo de Itatiaia e do Instituto Superior de Estudos Brasileiros – o histórico ISEB – devem-se diretamente a sua militância como intelectual público.
Durante o regime de exceção, Helio Jaguaribe afastou-se do país. Nesse período, lecionou em alguns dos principais centros universitários dos Estados Unidos e alcançou projeção internacional. Fiel ao seu ideário, com o advento da redemocratização, integrou o grupo dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira.
O pensamento de Helio Jaguaribe confunde-se com a própria matriz da política externa brasileira universalista. O autor de “O Nacionalismo na Atualidade Brasileira” e de tantos outros clássicos vislumbrou o surgimento de um Brasil desenvolvido e democrático, autônomo em suas decisões externas, respeitado internacionalmente e influente nos principais temas globais.
Helio Jaguaribe encarnava, como ninguém, uma geração de intelectuais públicos que pensaram o Brasil e propuseram uma plataforma de ação para a construção de um país moderno e mais justo. Escritor e pensador reconhecido no Brasil e no exterior, ocupava a cadeira número 11 da Academia Brasileira de Letras, a mesma que pertenceu a Celso Furtado.
Tenho convicção de que as futuras gerações de políticos, diplomatas e intelectuais brasileiros continuarão a mirar-se no exemplo de nacionalismo moderno e sem medo do mundo que Helio Jaguaribe legou ao país. Sua clarividência, sofisticação intelectual e patriotismo seguirão nos inspirando.
Expresso meus sinceros sentimentos aos seus familiares, amigos e admiradores, entre os quais me incluo.
Aloysio Nunes Ferreira
Ministro das Relações Exteriores