Obras de Manabu Mabe no Itamaraty
O artista
Manabu Mabe (Kumamoto, Japão, 1924 - São Paulo, São Paulo, 1997)

- Manabu Mabe. Crédito: O GLOBO. Autoria: Marcos Issa
Manabu Mabe foi um dos grandes expoentes do abstracionismo informal no Brasil. Imigrante japonês, chegou ao país em 1934, aos dez anos de idade, acompanhando a família que se estabeleceu em Lins (SP) para trabalhar na lavoura de café. Autodidata, começou a pintar nos intervalos do trabalho agrícola, improvisando ateliês nas horas livres. Nos anos 1940 e 1950, integrou o Grupo Seibi e o Grupo Guanabara, associações de artistas nipo-brasileiros fundamentais para a consolidação da arte moderna no país.
Em 1959, conquistou o prêmio de melhor pintor nacional na 5ª Bienal de São Paulo, foi laureado na 1ª Bienal de Paris e teve sua obra celebrada pela revista Time, que declarou aquele como “O Ano de Manabu Mabe”. Nas décadas seguintes, expôs em museus e galerias de toda a América Latina, Estados Unidos, Europa e Japão, alcançando reconhecimento internacional.
A trajetória de Mabe revela uma passagem decisiva do figurativo à abstração, manejando elementos que vão das manchas cromáticas aos ideogramas japoneses.
Obras de Manabu Mabe no acervo histórico, artístico e de representação do MRE
O Itamaraty preserva um expressivo conjunto de obras de Mabe, testemunho da importância do artista na história da arte brasileira. Entre as várias peças do acervo, destacam-se três pinturas que representam fases distintas de sua produção. Duas delas - Juramento (1967) e Montevidéu (s. d.) - estão presentes no terceiro andar do Palácio Itamaraty, em Brasília. Completa o conjunto de telas a obra Grito (1960), instalada no gabinete da Secretaria-Geral das Relações Exteriores.
Na Sala Portinari, a obra Juramento (1967) compõe com duas telas de Arcangelo Ianelli:

- Duas telas sem título de Arcangelo Ianelli, com o quadro Juramento, de Manabu Mabe, ao centro. Sala Portinari, no Palácio Itamaraty em Brasília.

Montevidéu (s.d.) se encontra instalada na Sala Duas Épocas, no terceiro andar do Palácio Itamaraty, espaço marcado pelo contraste entre o mobiliário tradicional e as expressões da arte moderna e contemporânea presentes nas telas e esculturas:


Grito (1960), por sua vez, ambienta o gabinete da Secretaria-Geral das Relações Exteriores, em que são frequentes as reuniões diplomáticas entre representantes do Brasil e interlocutores estrangeiros.

Além das telas instaladas em ambientes do Palácio Itamaraty, a produção artística de Mabe também está presente em diversas serigrafias datadas do final da década de 1980 e do início da década de 1990. Esses trabalhos se encontram em gabinetes e salas de reunião localizados no conjunto do Ministério das Relações Exteriores em Brasília. Abaixo, alguns exemplares dessa importante fase da carreira de Mabe que integram o acervo do Itamaraty:

- Quadro. Manabu Mabe. Ideograma japonês (Daichi), que pode ser traduzido como "Terra (o planeta)". 1992. serigrafia.

- Quadro. Manabu Mabe. Ideograma japonês (Daichi), que pode ser traduzido como "Terra (o planeta)". 1992. serigrafia.

- Quadro. Manabu Mabe. Ideograma japonês (Koten) que pode ser traduzido como "Clássico". 1990. serigrafia.

- Quadro. Manabu Mabe. Ideograma japonês (Tenkai), que pode ser traduzido como "Paraíso". 1991.

- Quadro. Manabu Mabe. Ideograma japonês a ser traduzido. s.d.. serigrafia.

- Quadro. Manabu Mabe. Ideograma Japonês. 1991. serigrafia. III-XIII

- Quadro. Manabu Mabe. Ideograma Japonês. 1991. serigrafia. VI-XXXI

- Quadro. Manabu Mabe. Título Desconhecido. 1990. serigrafia.

- Quadro. Manabu Mabe. Vida. 1992. serigrafia.
As obras de Manabu Mabe no acervo do Itamaraty - ao lado de artistas como Tomie Ohtake, Yutaka Toyota e Flávio Shiró - dão testemunho da riqueza criativa que emergiu da imigração japonesa para a construção de uma identidade estética plural no Brasil.
Referências
MANABU Mabe. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/2727-manabu-mabe. Acesso em: 07 de outubro de 2025. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
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