Obras de Candido Portinari no Itamaraty
O artista
Candido Portinari (Brodowski, São Paulo, 1903 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1962)

Candido Portinari nasceu em 29 de dezembro de 1903, em uma fazenda de café próxima a Brodowski, interior de São Paulo, em uma família de imigrantes italianos. Desde cedo demonstrou talento para a arte, começando a pintar ainda na infância. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Escola Nacional de Belas-Artes. Em 1928, venceu o Prêmio de Viagem à Europa, o que lhe permitiu estudar em Paris. Lá, redescobriu o Brasil com novos olhos e decidiu representar, em suas obras, a cultura, o povo e as paisagens do país com autenticidade e sensibilidade.
Ao retornar ao Brasil, em 1931, Portinari iniciou uma produção artística marcada pelo retrato da identidade nacional. Seus murais, pinturas e gravuras refletiam tanto a beleza quanto as dores do povo brasileiro. Sua arte uniu o rigor técnico da formação acadêmica com uma linguagem moderna e humanista. Também se destacou por seu envolvimento com a vida intelectual e política do país, engajando-se em causas sociais e chegando a se exilar por conta da repressão política.
Portinari alcançou reconhecimento internacional e foi responsável por obras emblemáticas, como os painéis Guerra e Paz, criados para a sede da ONU, em Nova York (hyperlink https://www.un.org/en/visitor-centre-new-york/war-and-peace-candido-portinari-brazil-1957), e doados à instituição pelo Brasil. Essa obra sintetiza sua visão humanista e universal, unindo lirismo e crítica social. Entre 2010 e 2015, os painéis passaram por projeto de restauro no Brasil.
Candido Portinari faleceu em 1962, vítima de intoxicação pelos pigmentos usados em sua pintura, dedicando-se à arte até seus últimos dias. Em 2005, foi postumamente homenageado com a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco.
(Fonte: https://www.portinari.org.br/o-artista/notas-biograficas) (adaptado)

- Assinatura do Contrato para a execução dos painéis para a ONU. Cerimônia no gabinete do embaixador Antonio Camilo de Oliveira, no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro. Reportagem publicada no Jornal Última Hora em 14/02/1955. Fonte: Projeto Portinari - https://www.portinari.org.br/acervo/iconografico/98918/assinatura-do-contrato-para-a-execucao-dos-paineis-para-a-onu
Obras de Portinari no acervo histórico, artístico e de representação do Itamaraty
Portinari dá nome a uma das salas do terceiro andar do Palácio Itamaraty, em Brasília, frequentemente utilizado para recepções e eventos oficiais. No espaço, dois grandes paineis de autoria de Portinari fazem referência a regiões do Brasil: Cena Gaúcha e Jangadas do Nordeste, em técnica têmpera, ambos de 1939. As obras foram executadas para a Feira Mundial de Nova York, no mesmo ano, em um pavilhão projetado pelo escritório de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. Na década de 1970, ambas foram incorporadas ao acervo do Itamaraty.

- Telas “Cena Gaúcha” e “Jangadas do Nordeste”, de Candido Portinari, no terceiro andar do Palácio Itamaraty em Brasília. Créditos: CGPH/MRE.

- Candido Portinari. Cena gaúcha. 1939. Têmpera sobre tela. 310 cm x 348 cm. Fonte: https://www.portinari.org.br/acervo/obras/17906/cena-gaucha

- Candido Portinari. Jangadas do Nordeste. 1939. Têmpera sobre tela. 310 cm x 348 cm. Fonte: https://www.portinari.org.br/acervo/obras/17912/jangadas-do-nordeste
Um terceiro painel, que integrou o conjunto concebido para Feira Mundial de Nova, foi destruído em 1958, durante incêndio no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. Trata-se da obra “Noite de São João”.

- Candido Portinari. “Noite de São João”. 1939. Têmpera sobre tela. 310 cm x 348 cm. Fonte: https://www.portinari.org.br/acervo/
Duas importantes obras de Portinari que também fazem parte do acervo sob guarda do Ministério das Relações Exteriores são os estudos para os paineis “Guerra e Paz” (1952), instalados no Gabinete do Ministro de Estado das Relações Exteriores.

- Reunião entre o Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Mauro Vieira, e a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Ilza Amado Vaz, em 21 de março de 2025. Ao fundo, os estudos de Portinari para o painel Guerra e Paz. Créditos: AIG/MRE
Os painéis originais, de proporções monumentais, foram doados às Nações Unidas em 1957, e estão expostos na sede da ONU, em Nova York. Em entrevista, João Candido Portinari, fundador e diretor-geral do Projeto Portinari, fala sobre a obra de seu pai na ONU.

- Candido Portinari. Estudo para o painel Paz. 1952. Óleo sobre tela.

- Candido Portinari. Estudo para o painel Guerra. 1952. Óleo sobre tela.
Também é parte do acervo do Itamaraty em Brasília o quadro Frevo, de 1961. Com técnica guache sobre papel e rico uso de cores, a tela de Portinari traz uma representação alegre e original de uma das expressões mais características da cultura brasileira.

- Quadro. Candido Portinari. "Frevo". 1961. guache sobre papel.
Frevo passou a fazer parte do acervo histórico, artístico e de representação do Itamaraty em 1964, quando João Candido Portinari, filho do artista, a entregou ao Consulado do Brasil em Boston.

- João Candido Portinari entrega a obra Frevo ao Consulado do Brasil em Boston. 1964. Crédito: Projeto Portinari.
Referências
PORTINARI, Candido. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/3658-candido-portinari. Acesso em: 26 de agosto de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Projeto Portinari. https://www.portinari.org.br/ . Acesso em: 26 de agosto de 2025.
PORTINARI, João Candido; PENNA, Christina Gabaglia (org.). Candido Portinari – Catálogo Raisonné / Catalogue Raisonné. Rio de Janeiro: Projeto Portinari, 2004. 5 vol. Il. Sítio. Disponível em http://www.portinari.org.br
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