Memorial das Comunicações - Veja documentos cifrados
Instruções sobre a cifração de comunicações entre a Secretaria de Estados dos Negócios Estrangeiros e a Legação junto aos Governos das Repúblicas de Nova Granada e do Equador, com sede em Bogotá (1844).

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No longo despacho de instruções ao encarregado de negócios designado para a chefia da Legação junto aos Governos das Repúblicas de Nova Granada e do Equador, com sede em Bogotá, Manuel Cerqueira Lima, datado do Rio de Janeiro em 22 de Novembro de 1844, o então Secretário de Estados dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Ferreira França, diz, no parágrafo 8º, o seguinte :
“8º Juntas achará as cifras, de que hade fazer uzo nas communicações que mereção segredo. Huma he polygraphica, e deve preferila conservando com cautela a chave de que hade uzar, e lhe será dada verbalmente.”
É o testemunho de um caso curioso de comunicação verbal da chave para decifração das cifras enviadas.
Saiba mais:
Leia o Relatório do Ministro e Secretário de Estados dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Ferreira França, relativo ao ano de 1844. Além de tratar de assuntos de política externa, o documento lista os nomes de funcionários da Secretaria de Estado que trabalhavam em funções ligadas à área de comunicações: arquivistas, amanauenses e "correios a cavallo".
O relatório foi impresso, em 1845, pela Typographia Universal de Laemmert, estabelecida na Rua do Lavradio, 71, no Rio de Janeiro.
A tipografia dos irmãos Laemmert foi inaugurada em janeiro de 1838. Em 1859, estava estruturada como grande empresa, com 120 empregados e máquinas movidas a vapor. Tinha uma oficina de encadernação com mais cinquenta pessoas trabalhando. Foi a responsável pelas inovações nos processos gráficos no país, inaugurando a estereotipia em 1858, a litografia em 1884 e máquinas que imprimiam frente e verso, ao mesmo tempo, em 1891. Era responsável tanto por impressos de segurança, como o papel moeda para o estado de São Paulo, quanto por um catálogo de 1.440 autores brasileiros e quatrocentas traduções. Seu Almanak Laemmert foi sinônimo de informações sobre o comércio e a indústria nacional na segunda metade do século XIX.
Fonte: Arquivo Histórico do Itamaraty - Rio de Janeiro, cortesia do Embaixador Gonçalo de Mello Mourão; Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG); e Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil.
Despacho para a Legação em Washington, em 1883, sobre dificuldades de decifração e alto preço dos telegramas.

“À Leg. Imp. Washington
13 de março de 1882
Telegrama de 8 sobre uma
compra feita pelo Gov. Argentino:
No dia 8 do corrente recebi o telegramma
que V.E. então me expediu cifrado deste modo:
“I p n j e o g f e h w s g j f t p p
u u e p m f d v a r h j l t n s e f z
f f y b”.
Só podérão ser decifradas as tres primeiras
palavras -Governo Argentino comprou-.
Suponho que se trata de compra de ar-
mamento ou navio de guerra. Por isso, e para
evitar despeza desnecessaria não telegrafei
pedindo a repetição do telegramma.
Recommnedo a V.E. que só use do tele-
grapho quando isso for indispensavel, e de ci-
fra nos casos de segredo. Os telegrammas ci-
frados custam mui caro.
T. a h. de r. a V.E. as seg. etc
L. Cavalcante de Albuquerque”
Fonte: Arquivo Histórico do Itamaraty - Rio de Janeiro, cortesia do Embaixador Gonçalo de Mello Mourão.