"Cena de Rua", de Djanira
No acervo do Palácio Itamaraty, em Brasília, encontra-se a tela Cena de Rua (1964). Nela, Djanira da Motta e Silva (Averé, São Paulo, 2914 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979) imprime sua visão sensível sobre a vida cotidiana, transformando uma cena popular em narrativa pictórica marcada pela simplicidade, cor e vitalidade. É a mesma poética que percorre toda a sua produção: dar dignidade e expressão universal às imagens do Brasil comum. O fato de essa obra conviver, no Itamaraty, com trabalhos de artistas que ela conheceu e com quem dialogou — como Milton Dacosta e Carlos Scliar — reforça o sentido de uma comunidade artística que marcou o modernismo brasileiro e que encontra, hoje, no acervo da instituição, um espaço de preservação e encontro.

No Palácio Itamaraty, a tela de Djanira encontra-se no Gabinete da Secretaria-Geral das Relações Exteriores.

A artista
Djanira da Motta e Silva (Avaré, São Paulo, 1912 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979)

- Djanira no ateliê da Pensão Mauá, no bairro de Santa Teresa (RJ), 1943. Crédito: Instituto Pintora Djanira.
Pintora, desenhista, cartazista, gravadora. Destaca-se como um nome importante do modernismo brasileiro. Em sua obra coexistem a religiosidade e a diversidade de cenas e paisagens do Brasil.
A artista retrata igualmente aquilo que habita sua memória e o que a rodeia no bairro de Santa Teresa: o cotidiano de trabalhadores, as festas de rua, as paisagens, os amigos e parentes. Os temas da vida simples e do trabalho no campo reaparecem em sua pintura. O mote se estende ao longo da carreira e se repete, por exemplo, no quadro Cafezal (1952).
Em 1942, expõe pela primeira vez na Divisão Moderna do Salão de Belas Artes e, no ano seguinte, faz sua primeira individual no edifício da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. Em 1943, participa da exposição Pintura Moderna Brasileira na Royal Academy of Arts, em Londres, Inglaterra. Nessa época, também expõe suas obras na Argentina, no Uruguai e no Chile. Entre 1944 e 1947, mora nos Estados Unidos e em 1946 realiza exposição individual na New School for Social Research, em Nova York. Expõe igualmente em Washington e Boston. Também participa da exposição de Arte Moderna no Musée National d'Art Moderne [Museu Nacional de Arte Moderna], em Paris.
Da sua produção, destacam-se obras marcantes como o mural Candomblé (1957), para a casa do escritor Jorge Amado (1912-2001); os azulejos da Capela de Santa Bárbara (1958), Rio de Janeiro; e as ilustrações do livro Campo geral (1964), do escritor Guimarães Rosa (1908-1967).
Em 1977, o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro, promove uma retrospectiva de sua trajetória. Após sua morte, seus quadros são expostos em diversas exposições nacionais e internacionais. No acervo do MNBA estão abrigadas 813 de suas obras.
(Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural, adaptado)
Referências
Instituto Pintora Djanira. https://www.institutopintoradjanira.com.br/ . Acesso em 2 out. 2025.
DJANIRA. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/2697-djanira. Acesso em: 02 de outubro de 2025. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Djanira no Museu do Senado. https://www12.senado.leg.br/institucional/museu/acervo-do-museu-tem-quadro-de-djanira-primeira-artista-latino-americana-a-ter-uma-obra-no-vaticano . Acesso em 2 out. 2025.
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